Presença cristã pode ser extinta em Burkina Faso
Publicado em 04 nov 2019

O aumento do extremismo islâmico tem tirado a paz dos cristãos em Burkina Faso. Os deslocamentos forçados, a fome e o medo fazem parte do dia a dia de irmãos e irmãs, e os líderes cristãos do país estão clamando por ajuda para enfrentarem os resultados da violência física e emocional. Apesar da Constituição de 2012 prever a liberdade religiosa, os jihadistas têm ignorado as leis. “Os valores da tolerância, perdão e amor, que têm sempre guiado o país, foram agredidos. A liberdade de adorar, consagrada em nossas leis, também foi desafiada”, afirma o pastor Henri Ye, líder da Federação de Igrejas e Missões Evangélicas (FEME).
Com 60% da população professando a fé islâmica, Burkina Faso tem 25% de cristãos e o restante segue as religiões tradicionais africanas. A maioria dos muçulmanos vive ao norte do país, já os cristãos ficam localizados no centro e no sul. O cristianismo chegou no país no início do século 20 com a presença de missionários franceses. Porém, as práticas das religiões tradicionais africanas têm encontrado lugar entre muitos muçulmanos e cristãos, resultando em um sincretismo religioso.
Sequestros, assassinatos e discriminação de cristãos estão se intensificando mesmo com o apoio das Forças de Segurança Nacional. Nesse momento, o líder cristão Laurent Birfuoré Dabiré pede ajuda internacional: “Se o mundo continuar a não fazer nada, o resultado será a eliminação da presença cristã”.
Os grupos extremistas islâmicos têm migrado para o interior do país e enfraquecido a segurança com ataques às instituições governamentais e civis e até pessoas. “Os grupos armados vêm para promover divisão e ser o combustível para tensão com o assassinato de líderes das comunidades e religiosos”, esclarece o componente da FEME. Apesar de o governo atual de Christian Kaboré fortalecer a democracia e incentivar o respeito aos direitos humanos, os ataques dos extremistas islâmicos têm ofuscado a liberdade no país.
Mais 19 pessoas são vítimas de extremistas
Jihadistas são suspeitos de matar 19 pessoas em ataque no nordeste da Burkina Faso, no fim de semana do dia 25 de outubro. De acordo com a rádio Omega, pistoleiros invadiram a vila de Pobe Mengao, na região do Sahel, no norte do país, e assassinaram 16 pessoas. Veículos foram roubados e lojas incendiadas. Na sexta-feira e sábado, três pessoas foram mortas em Rouga, na provícia de Lorum, reportou a agência Burkina Faso News.
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