Internet no Irã é restabelecida e expõe crise sem precedentes

O Irã vive a repressão mais letal desde 1979 segundo parceiros locais da Portas Abertas. Após quase duas semanas de apagão total da internet, parte da conectividade foi restabelecida, mas, em vez de alívio, trouxe choque.
Relatórios indicam que mais de 36.500 pessoas foram mortas desde o início dos protestos, enquanto outras fontes, como a agência de notícias HRANA, estimam cerca de 23 mil mortes. Em ambos os casos, a escalada da violência é alarmante no país que é o 10º na Lista Mundial da Perseguição 2026.
Vídeos expõem situação crítica no Irã
Com a circulação de vídeos, imagens e depoimentos, constatou-se que a situação era pior do que se temia no Irã. Esses são alguns dos incidentes relatados por contatos locais nas últimas semanas:
- retirada à força de feridos e mortos de hospitais;
- remoção de pacientes de leitos para serem trancados em necrotérios;
- silenciamento de gritos de feridos ao longo da noite;
- execuções secretas;
- prisões sem acesso a advogados;
- vigilância intensa e ameaças a quem tenta compartilhar informações.
Alguns dos vídeos compartilhados mostram longas filas de pais esperando por horas, às vezes dias, apenas para ouvir um nome, uma palavra, uma confirmação se seu filho está vivo ou não. Pela manhã, os corpos eram encontrados em sacos pretos, alinhados no chão, que as famílias eram obrigadas a abrir para tentar localizar seus entes queridos.
Cidades são tomadas por tanques no Irã
Em diversas localidades, moradores são proibidos de sair de casa. Tanques circulam pelas ruas e soldados impõem controle rígido. Nas cidades maiores, muitas vezes, as detenções começam pela inspeção dos celulares. Saiba mais sobre os efeitos dos protestos no Irã.
“Uma cristã iraniana se trancou em casa por medo. Ela não dorme, está traumatizada e não para de chorar. ‘Eu gostaria que pudéssemos orar por telefone’, ela compartilhou baixinho em uma ligação. Por favor, orem por discernimento e sabedoria para servirmos nossos irmãos na fé neste momento.”
Maryam*, cristã que apoia a igreja secreta no Irã

Cristãos enfrentam vulnerabilidade maior
Os cristãos no Irã não estão separados da sociedade neste momento. Eles choram as mesmas perdas, temem a mesma violência e permanecem na nação. Mas, além de estarem entre as vítimas fatais da violência, enfrentam uma nova onda de prisões e pressão.
Além das restrições já existentes, como a impossibilidade de cultuar abertamente, agora:
- reuniões de igrejas domésticas tornaram-se ainda mais perigosas;
- ministérios online estão sob vigilância constante;
- telefonemas com líderes cristãos no exterior são feitos com medo;
- novas prisões de cristãos foram relatadas nas últimas semanas.
O perigo está até fora do país. Um casal cristão iraniano conhecido por seu ministério online foi detido sob risco de deportação, o que, segundo parceiros locais da Portas Abertas, resultaria em perseguição imediata no retorno ao Irã.
“Depois de duas semanas, consegui falar com minha família. Graças a Deus estão vivos, mas muito abalados. Até as vozes deles estão diferentes. Ouvi que meu irmão foi mantido na prisão por dez dias e espancado até a morte. Eles tinham medo de compartilhar mais detalhes por causa da vigilância.”
Majid, refugiado cristão iraniano
Como orar pelo Irã?
- Peça a Deus que interrompa o ciclo de violência, exponha crimes ocultos e estabeleça justiça.
- Ore pelas famílias que procuram desaparecidos, especialmente jovens e crianças.
- Interceda pelos cristãos iranianos, pedindo proteção, coragem e sabedoria em meio à vigilância intensa.
- Interceda pelos cristãos refugiados, especialmente os que enfrentam risco de deportação.
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