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Como a Igreja Perseguida está sobrevivendo na Síria?

Mudanças recentes tornaram a vida da igreja na Síria mais perigosa do que nunca
Portas Abertas • 11 mar 2026
Violência, opressão e mudanças políticas afetaram os cristãos sírios

Um dos maiores destaques da Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026 foi a grande subida de posições da Síria, saindo da 18ª posição para a 6ª. Esse aumento  foi causado pela onda de violência contra a igreja.  

Tudo começou em dezembro de 2024, com a queda do regime de Bashar al-Assad. O país ficou sob o controle do grupo jihadista Hay’at Tahrir al-Sham (HTS) e o futuro dos cristãos sírios se tornou incerto. 

No mesmo mês, um atirador não identificado danificou uma igreja e um cemitério cristão na cidade de Hama. Esse foi o primeiro de uma série de ataques na região, resultando em igrejas destruídas e cristãos mortos. 

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Em junho de 2025, um ataque suicida durante um culto na capital Damasco deixou 22 cristãos mortos, 63 feridos e causou danos severos à estrutura da igreja. O governo sírio atribuiu o ataque a uma célula do Estado Islâmico. 

O ataque em Damasco fez com que muitos cristãos parassem de frequentar a igreja e que muitas igrejas reduzissem suas atividades por questões de segurança. O medo de potenciais novos ataques e o crescimento do islamismo radical no país levou os seguidores de Jesus a ocultar qualquer coisa que os identificasse como cristãos. 

Além da violência contra os cristãos na Síria 

A violência não é a única forma de perseguição aos cristãos na Síria.  A Constituição interina divulgada pelo governo em março de 2025 centraliza o poder nas mãos do presidente e estabelece os preceitos islâmicos como principal fonte de legislação. 

Nesse cenário político ainda instável após a queda de Assad, grupos radicais e militantes encontraram espaço para agir impunemente contra a igreja. As agressões, ameaças e intimidações de extremistas fizeram grande parte dos seguidores de Jesus fugir de suas casas. 

Em cidades como Damasco e Alepo, as igrejas estão sob constante vigilância e precisam passar por uma série de burocracias para renovar suas permissões de funcionamento ou conseguir autorização para a organização de atividades especiais.  

Panfletos também são deixados nas congregações, exigindo a conversão ao islamismo ou o pagamento da jizya, uma taxa cobrada dos não-muçulmanos em troca de sua segurança. Além disso, carros de som circulam nos bairros cristãos de Damasco, encorajando os moradores a se converterem ao islamismo. 

Ônibus de parceiros da Portas Abertas que leva cristãos sírios aos encontros de cuidados pós-trauma 
Ônibus de parceiros da Portas Abertas que leva cristãos sírios aos encontros de cuidados pós-trauma 

Outros impactos da perseguição na Síria 

Por toda a Síria, os cristãos sentem os impactos do governo do HTS. Recentemente, a educação começou a ser reformada de acordo com a ideologia islâmica, eliminando do curriculum escolar a história pré-islâmica e incorporando descrições de judeus e cristãos como “aqueles que estão condenados e se desviaram”. 

Mesmo em regiões do país onde o cristianismo é geralmente mais tolerado, autoridades fecharam 14 escolas particulares cristãs que se negaram a adotar o novo curriculum escolar, deixando milhares de alunos sem aulas e dificultando seu ingresso nas universidades. 

Por mais que a questão da violência seja um dos aspectos que mais chamem a atenção quando falamos da perseguição na Síria, tanto a intolerância, que causa a violência, quanto o medo, que é resultado dessas agressões, afetam a vida dos cristãos sírios como um todo. 

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Rodapé da campanha Rota da Perseguição mostra um grupo de pessoas em uma estrada precária e no texto dia "socorra cristãos perseguidos"