Três mulheres presas em onda de repressão no Irã
Publicado em 24 jul 2026

A situação da liberdade religiosa no Irã volta a preocupar após três relatos recentes envolvendo cristãs e defensores dos direitos humanos. Os casos incluem a prisão de uma advogada, a negação de atendimento médico a uma cristã e a condenação de uma cristã de origem muçulmana.
De acordo com organizações de direitos humanos, os episódios refletem um cenário contínuo de restrições e pressão sobre a igreja no país.
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Advogada é presa após defender minorias religiosas

A advogada iraniana Bahar Sahraian foi presa na cidade de Shiraz e transferida para a prisão de Adilabad, conhecida por denúncias de maus-tratos e condições severas.
Ela é reconhecida por atuar em defesa de prisioneiros políticos, cristãos iranianos e minorias religiosas e étnicas. Sua atuação ao longo dos anos a tornou uma voz relevante em casos relacionados à liberdade religiosa.
A prisão de Bahar levanta preocupações entre observadores internacionais, que apontam riscos à sua segurança e ao acesso a um tratamento adequado no sistema prisional. Além disso, reforça que não apenas os cristãos enfrentam riscos, mas aqueles que escolhem defendê-los também.
Cristã presa tem tratamento médico de urgência negado

Outro caso recente de repressão no Irã envolve Mahshar Parandin, cristã de origem muçulmana, artista e pintora, presa na penitenciária de Evin, em Teerã. Ela cumpre pena de dois anos devido à sua fé e atividades religiosas.
Relatórios indicam que Mahshar tem problemas cardíacos e dois tumores. Embora tenha sido levada a um hospital para exames, ela retornou à prisão sem receber o tratamento necessário.
Organizações de direitos humanos alertam que a falta de cuidados médicos adequados pode causar danos permanentes, incluindo complicações neurológicas e perda parcial da visão.
Sentença severa leva cristã a fazer greve de fome

Em outro episódio, Ghazal Marzban, cristã de origem muçulmana, foi condenada a nove anos e oito meses de prisão pelo Tribunal Revolucionário em Teerã.
As acusações incluem “propaganda contra o regime” e ações consideradas contra a segurança nacional. Sua prisão ocorreu após uma operação de segurança em sua casa, onde Bíblias e literaturas cristãs foram confiscadas.
Desde o 25 de maio de 2026, Ghazal iniciou uma greve de fome. Relatórios indicam que sua saúde tem se deteriorado, aumentando a preocupação com sua condição física.
O caso também impacta sua família. A prisão a afasta do marido, que tem síndrome de Parkinson e tem dificuldade para acessar medicamentos em meio à escassez no país.
Contatos locais relataram que recentemente Ghazal foi agredida após protestar contra a deterioração das condições e a superlotação na ala feminina da prisão de Evin, em Teerã. Ela sofreu uma fratura em um osso da mão esquerda por participar dos protestos depois que cerca de 50 novas detentas foram transferidas para a ala onde estava encarcerada.
O incidente reflete preocupações mais amplas levantadas por organizações de direitos humanos sobre o uso sistemático de tortura e maus-tratos no Irã. Diversos grupos documentaram abusos cometidos por policiais, forças de segurança e agências de inteligência contra dissidentes políticos, minorias religiosas e pessoas acusadas de comportamentos considerados inaceitáveis pelas autoridades.
Escassez em meio a conflito agrava dificuldades da população
Mesmo com a isenção formal de medicamentos nas sanções internacionais, moradores do Irã enfrentam escassez e aumento significativo de preços. Desde que os conflitos no país se intensificaram com a troca de ataques com Israel e Estados Unidos a situação se agravou.
Cristãos locais relatam dificuldades para adquirir tratamentos essenciais, como insulina e medicamentos respiratórios. Além disso, há relatos de aumento na vigilância e nas restrições contra a comunidade cristã, especialmente após conflitos recentes na região.
“Em uma sociedade em que as igrejas domésticas, ou seja, formas informais de comunhão, frequentemente oferecem sobrevivência emocional e espiritual, o isolamento traz profundas consequências psicológicas.
Ele torna‑se uma pressão adicional à grave situação após a guerra e os protestos em nível nacional para a maioria dos iranianos.”
— Ahmad (pseudônimo), cristão iraniano
Essas condições afetam diretamente a igreja, que muitas vezes depende de redes informais de apoio para manter comunhão e assistência.
Ore pela Igreja Perseguida no Irã
- Ore pela proteção e segurança de Bahar Sahraian na prisão.
- Interceda pela saúde de Mahshar Parandin, pedindo acesso ao tratamento adequado.
- Clame por força física e espiritual para Ghazal Marzban durante sua greve de fome.
- Ore pelos cristãos iranianos, por perseverança e esperança em meio à pressão.
A Redação Portas Abertas Brasil é a equipe editorial com mais de 40 anos de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco de segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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