Tudo sobre a guerra no Sudão
Publicado em 15 abr 2026

A guerra no Sudão tem causado uma das maiores crises humanitárias da atualidade. Desde abril de 2023, o conflito armado entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Suporte Rápido (RSF) mergulhou o país em violência extrema, deslocamento forçado em massa e colapso dos serviços básicos.
Embora toda a população civil sofra os impactos da guerra, os cristãos sudaneses enfrentam riscos ainda maiores, por fazerem parte de uma minoria religiosa historicamente perseguida no país.
O que está acontecendo no Sudão?
O atual conflito é consequência direta do golpe militar de outubro de 2021, que derrubou o governo civil de transição estabelecido após a Revolução de 2019, responsável por remover do poder o ex-presidente Omar al-Bashir.
A transição havia gerado expectativas de avanço nos direitos humanos e na liberdade religiosa. No entanto, o golpe restaurou a influência de líderes militares e políticas associadas à perseguição aos cristãos que marcou o regime de al-Bashir.

Em abril de 2023, as tensões entre a SAF, liderada pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e a RSF, comandada por Mohamed Hamdan Dagalo (Hemedti), escalaram para uma guerra em larga escala, motivada principalmente por disputas de poder e desacordos sobre reformas no setor de segurança.
Entenda mais no artigo: Guerra no Sudão: o que está acontecendo?
Quem está em guerra no Sudão?
Forças Armadas Sudanesas (SAF)
As SAF buscam manter o Exército como principal instituição de poder no país e exigem a dissolução ou incorporação total das RSF às suas fileiras. Atualmente, controlam grande parte do Norte e Leste do Sudão, incluindo Porto Sudão, e retomaram Cartum no início de 2025, embora a capital permaneça devastada.
Forças de Suporte Rápido (RSF)
As RSF surgiram a partir da milícia Janjaweed, acusada de genocídio em Darfur. O grupo controla grande parte da região de Darfur e áreas estratégicas de Cordofão, ricas em recursos naturais como ouro, que são as principais fontes de riqueza de sua liderança. O objetivo das RSF é derrotar a SAF e assumir o controle total do país.
Consequências da guerra no Sudão
As consequências da guerra são devastadoras. Estima-se:
- Mais de 150 mil mortos.
- Aproximadamente 10 milhões de deslocados internos.
- Cerca de 4,4 milhões de refugiados em países vizinhos.
- Colapso do sistema de saúde, escassez de água e fome generalizada.
A insegurança impede a chegada de ajuda humanitária. Organizações enfrentam restrições severas de acesso, além de saques, ataques a comboios e assassinato de trabalhadores humanitários.
Como os cristãos são afetados pela guerra no Sudão?
Os cristãos representam cerca de 4% da população sudanesa e são vistos como uma minoria indesejada. Tanto a SAF quanto a RSF operam com ideologias baseadas no islamismo radical, o que resulta em profunda intolerância religiosa.
Desde o início do conflito, há registros de:
- Igrejas bombardeadas, vandalizadas ou fechadas à força.
- Prisões, sequestros e assassinatos de líderes cristãos.
- Proibição de celebrações religiosas, como o Natal.
- Violência direcionada contra cristãos convertidos do islamismo.
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Em regiões como El Fashir, mais de dois mil civis foram executados. Relatórios apontam a existência de valas comuns, com indícios de crimes de guerra.
Outro problema causado pelos conflitos é o trauma emocional.
“A igreja não está consciente dos sinais e efeitos do trauma e da necessidade de cuidados. É muito triste”, afirma líder de igreja no Sudão.
Deslocamento, fome e discriminação na ajuda humanitária
Um pastor de Porto Sudão testemunha:
“Esta guerra causou a falta de oportunidades de trabalho e um aumento no preço dos bens. Todos estão sem esperança, sem saber como agir ou como viver. Você consegue comer apenas uma refeição por dia, às vezes, nada. As pessoas estão enfrentando uma vida difícil”.
Cristãos deslocados enfrentam dupla vulnerabilidade. Além da perda de casas, meios de subsistência e segurança, há relatos de discriminação na distribuição de ajuda humanitária.
“O que mais me afeta é que eu não tenho uma fonte de renda fixa. Não posso deixar a igreja para procurar um emprego, porque isso afetaria a igreja. Sequer tenho dinheiro para o transporte. Vim sem nada no bolso hoje. Tenho menos de um dólar, ainda assim, sou grato porque Deus é o nosso provedor”, acrescenta o pastor.
Fontes locais da Portas Abertas indicam que:
- Cristãos são excluídos por líderes comunitários em algumas áreas rurais.
- Há hostilidade religiosa dentro de acampamentos de deslocados internos.
- O medo leva muitos cristãos a evitarem abrigos oficiais.
Tentativas de paz e desafios
Diversas iniciativas diplomáticas tentaram encerrar a guerra, incluindo mediações da União Africana e esforços liderados pelo grupo denominado Quad (EUA, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos). Até agora, nenhuma resultou em cessar-fogo duradouro.

Líderes comunitários, chefes de clãs e líderes religiosos continuam exercendo um papel essencial na mediação local e proteção de civis, mas permanecem à margem dos processos formais de paz.
Saiba mais sobre a perseguição aos cristãos no Sudão, 4º país da Lista Mundial da Perseguição 2026.
Como a Portas Abertas apoia cristãos perseguidos no Sudão?
A Portas Abertas atua no socorro emergencial a cristãos sudaneses, oferecendo:
- Alimentos (farinha, óleo, açúcar, enlatados).
- Kits de higiene.
- Apoio a famílias deslocadas.
Desde 2023, 12.221 pedidos de ajuda já foram atendidos por parceiros locais.
Além disso, mobilizamos a Igreja global para orar e pressionar a comunidade internacional pelo fim da violência por meio da campanha Desperta África.
Perguntas frequentes sobre a guerra no Sudão
Qual é a religião predominante no Sudão?
O islamismo é a religião predominante, com cerca de 90% da população muçulmana, majoritariamente sunita.
Há um genocídio no Sudão?
Há fortes acusações de genocídio no Sudão, especialmente na região de Darfur, mas a designação oficial precisa ter amparo legal. É necessário ter provas de que há “intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) e grupos de direitos humanos, há sinais de que há um genocídio no Sudão que envolve execuções, assassinatos em massa baseados na etnia, violência sexual generalizada e destruição de comunidades.
Como posso ajudar cristãos perseguidos no Sudão?
Você pode orar, doar e compartilhar informações para garantir socorro emergencial aos cristãos que enfrentam fome, violência e deslocamento forçado. Saiba mais na página da campanha Desperta África.
A Redação Portas Abertas Brasil é a equipe editorial com mais de 40 anos de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco de segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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