Tolerância 2

| 29/03/2005 - 00:00


Em artigo recente chamado "Tolerância", mencionou-se uma nova forma de "tolerância" que tem criado empecilhos à pregação do Evangelho. Porque é importante dar fundamento a esta percepção, publica-se a seguir o testemunho de Ron B Macmillan, escritor de tempo integral em Portas Abertas Internacional Reino Unido.

Ao meu avião pousar depois de uma viagem ao Oriente Médio, eu dei uma boa respirada de alívio. Estava de volta aonde não precisava de vigiar minhas costas ou tomar cuidado com o que dissesse, ou quem eu visitasse. Estava de volta a um país com liberdade religiosa. Eu orei a Deus obrigado pelos homens e mulheres que batalharam para que eu desfrutasse desta liberdade. Obrigado por esta vitória.

Então, dois incidentes aconteceram em seguida e que me fizeram pensar duas vezes.

Estava numa exposição de artes, olhando para uma pintura chamada homem surpreendido num cavalo. Procurei pelo artista e lhe perguntei: é o apóstolo Paulo que você quis retratar nesta pintura?

Aí eu pensei que ele fosse se agradar que eu tivesse chegado àquela conclusão, mas ele voltou-se para mim horrorizado e olhando em volta sussurrou: por favor, fale baixo. Quer que me rotulem como um artista religioso? Nunca venderia outro quadro se isso acontecesse.

Depois, saindo dali e ainda atordoado por aquela experiência, tive um encontro com o líder de uma grande igreja em minha cidade. A igreja dele acabara de receber uma significativa doação do estado para reformas e renovação das instalações. Aí, ele me disse, tive de assinar uma declaração de que a igreja estaria disponível para pessoas de qualquer religião e que eu não tentaria converter quem quer que fosse. E fizemos isso alegremente pois queremos ser simplesmente um recurso para a comunidade.

Subitamente me dei conta de que tinha de lutar por liberdade religiosa em meu próprio país. Tinha a idéia que havendo leis de tolerância eu poderia me sentir seguro. Mas não. Claramente, o artista demonstrou que admitir sua fé cristã em público seria um suicídio profissional.

Como tinha minha sociedade se tornado tão preconceituosa?

E o que dizer daquele clérigo que, despreocupadamente abria mão de seu direito de evangelizar sem refletir nos custos de longo prazo. De onde vinha a restrição ao evangelismo e como ele podia mostrar-se tão inconsciente da liberdade de que tinha aberto mão?

Um irmão perseguido no oriente médio tinha me alertado: a liberdade religiosa sempre precisa de proteção, onde quer que se esteja.

Liberdade é frágil, ele disse. Liberdade religiosa não é garantida pela mera existência de leis... isso é um mito criado pelos ativistas de direitos humanos. A liberdade religiosa é protegida por um clima de abertura e respeito que garante a correta aplicação das leis. Uma lei de tolerância pode, por exemplo, ser usada a favor ou contra cristãos. Cristãos têm sempre de lutar para garantir um clima de tolerância, ele disse.

E disse mais: não importa o país em que se viva ou sob que tipo de estado, pois ainda assim vive-se numa cultura que odeia Cristo. É esta a luta de cada cristão na terra, não importa se a sociedade é ou não nominalmente cristã.

Ele estava certo. Um clima de preconceito contra cristão tem sorrateiramente se instalado em sociedades ocidentais, mesmo aquelas que aparentam ser cristãs. Há uma batalha em nosso próprio quintal. Obrigado à Igreja Perseguida por me acordar para a luta.

Douglas Monaco - Secretário Geral de Portas Abertas Brasil


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE