Força da Luz – A única esperança para o Oriente Médio

| 14/02/2006 - 00:00


Sob o título acima, a Editora Vida publicou no Brasil, no ano passado, o mais recente livro do Irmão André, escrito em parceria com Al Janssen. A publicação relata as experiências do Irmão André em um ministério desenvolvido numa das regiões mais conflituosas do planeta. Levando Bíblias e a mensagem pacífica do evangelho, o Irmão André visita os líderes cristãos, judeus e muçulmanos e fala com ousadia da única força capaz de transformar aquela situação: a "Força da Luz".

Em dezembro de 1992, depois de dois ataques que deixaram seis soldados israelenses mortos, 415 membros do grupo fundamentalista islâmico Hamas foram reunidos pelo exército israelense e deportados para o sul do Líbano. Na véspera de Ano Novo, perguntaram ao Irmão André se ele queria ir visitar o acampamento do Hamas, localizado em Marj al-Zohour. Uma semana mais tarde ele viajou da Holanda para lá. No trecho seguinte ele conta a história dessa visita:

Avançamos com o carro ao longo de cerca de seis tortuosos quilômetros até o melancólico acampamento, formado em sua maior parte por barracas verde-oliva, que emprestavam o único colorido em meio às rochas cinzentas e pontiagudas. Desci e me agasalhei bem com meu cachecol e sobretudo para repelir o vento cortante. Havia pouco sinal de atividade - a maior parte dos homens estava amontoada nas barracas. Alguns jarros de água vazios estavam jogados no chão. Pedaços de plástico rodopiavam ao vento. Do lado de fora de uma das barracas, roupas penduradas num varal improvisado tremulavam ao vento.
Rapidamente dois homens com capas de chuva vieram ao meu encontro. Mostrando mais coragem do que realmente sentia, eu disse:
 - Eu sou Irmão André e vim da Holanda para visitá-los.
O líder do acampamento estendeu-me a mão direita enquanto mantinha o casaco fechado com a esquerda.
 - Sejam bem-vindos! - disse ele. - Eu sou o dr. Abdulaziz Rantisi.
Reconheci o nome pelo que eu já havia lido. Ele era o segundo no comando do Hamas, depois do xeque Yassin. Rantisi estava acompanhado pelo imã do acampamento. Juntos eles se ofereceram para me levarem para conhecer o lugar.
Andamos por uma vereda lamacenta, ao longo da qual a água da chuva escorria num fluxo. Fazia muito frio e eu me perguntava se iria nevar. Em determinado momento o imã parou e tirou cada uma das botas para despejar a água que se acumulara nelas. Meus sapatos também estavam enchendo-se de água, mas achei que seria inútil esvaziá-los.
Como pode alguém iniciar uma conversa com estrangeiros ensopados e mortos de frio e que, além disso, podiam ser terroristas?
 - Sabem, na Holanda, fazemos isto nos feriados - disse eu. - Juntamos lenha, nos alojamos em barracas e andamos na chuva. Suponho que algo no homem quer o retorno a um estilo de vida primitivo.
O dr. Rantisi me deu uma olhada, talvez querendo saber como estava a minha sanidade, depois soltou uma risada.
 - Na verdade vocês fazem isso por escolha própria. Mas nós somos forçados a isso, e agora é inverno.
 - Não sei como vocês conseguem suportar estas condições - disse eu com um suspiro. - Mas, sem bom humor, não se pode sobreviver.
O líder do acampamento balançou a cabeça em assentimento e sorriu; nesse momento pude perceber que começávamos a quebrar o gelo.
 - Ainda bem que não está nevando - disse o imã. - Fomos informados de que a neve pode se acumular chegando à altura de um metro e meio. Se isso acontecer, nossas barracas ficarão cobertas até o topo.
Fora de uma das barracas havia uma caixa de batatas.
 - Isso é o que temos para comer! - disse Rantisi, segurando uma batata. - Isto é tudo. E porque está tudo molhado, não podemos acender fogo para cozinhar as batatas. Hoje não temos nada para comer.
Um menino saiu da barraca e eu pedi para falar com ele por um momento.
 - Qual a sua idade? - perguntei por intermédio do imã, que traduziu o que eu disse para o árabe.
 - Dezesseis anos - respondeu ele.
Olhei para ele e pensei em meus filhos com aquela idade e me perguntei como eles se sairiam naquela situação miserável.
 - Você sabe por que está aqui?
Ele balançou a cabeça para dizer não e pareceu que ia romper em prantos.
Continuando o nosso roteiro, perguntei ao imã:
 - Vocês fazem suas orações, cinco vezes ao dia?
 - Sim, claro - respondeu ele.
 - E onde vocês oram? Eu não vejo nenhuma mesquita.
O imã alisou a barba irregular durante um momento, depois respondeu:
 - Cada barraca é uma mesquita.
Aquela resposta me chocou. De repente percebi que o islamismo não dependia de edifício. Para muitos cristãos, a igreja não podia funcionar sem um prédio. Que diferença faria em nosso mundo se acreditássemos que cada casa fosse uma igreja?
Perguntei ao dr. Rantisi:
 - O senhor é integrante do Hamas?
 - Não. Eu era integrante do Hamas, agora não sou mais.
Eu estava surpreso com a resposta e não tinha certeza de como interpretá-la. Talvez eles ainda não confiassem em mim. Ou talvez estivessem fazendo jogo de palavras. Quando nos enfiamos debaixo do toldo de uma barraca para fugir da chuva, observei:
 - Tenho lido em jornais que o senhor está contente de estar aqui porque isso lhe dá a oportunidade tomar o controle da OLP.
O dr. Rantisi ficou confuso e falou ao imã, que traduziu minhas palavras. Os dois homens conversaram durante um momento, depois o imã traduziu a resposta de Rantisi:
 - Não estamos buscando tomar o lugar da OLP. Ela representa os palestinos, e nós fazemos parte do povo palestino. Somos um grupo de intelectuais, um grupo de médicos, advogados, homens de negócios, professores. Nós e a OLP somos irmãos - do mesmo sangue.
 - Antes de ir para o Líbano, eu conversei com um representante da OLP em Haia. Ele me disse que a OLP está fazendo um jejum de dois dias por semana por vocês.
 - Segundas e quintas-feiras! - disse o imã rindo. Olhei pra ele surpreso.
 - Essa é a nossa tradição quando não é o Ramadã - jejuamos às segundas e quintas-feiras. Queremos estar bem perto do nosso Senhor e do Senhor de vocês e do Senhor dos céus e da terra, o nosso criador. Sentimos que aqui estamos perto dele.
 - Aqui estamos mil metros mais perto do céu - disse eu - mas o clima não é muito agradável.
Eles riram e eu senti que estava estabelecendo uma conexão com aqueles homens. Pelo menos alguém estava ali para compartilhar da miséria deles, pelo menos por alguns momentos.
 - Eu estou aqui como cristão para representar Jesus Cristo e expressar solidariedade a todos vocês porque achamos terrível o que aconteceu.
Rantisi me respondeu diretamente em inglês:
 - Muito obrigado. Os cristãos são as pessoas no mundo mais próximas dos muçulmanos porque Deus é o nosso Senhor e Senhor deles. Sendo assim, nós somos realmente irmãos.
 - Eu tenho uma pergunta muito importante a vocês dois. Depois que tudo isto acabar, vocês acham que haveria a possibilidade de perdoarem a Israel pelo que tem feito?
Rantisi e o imã conversaram, e foi o imã que respondeu:
 - De fato, nós, como muçulmanos gostaríamos de perdoar sempre. Nós podemos punir qualquer um que nos pune. Mas o Alcorão diz que se você perdoa, isso é melhor para você e para os outros.
 - Espero que vocês possam - disse eu. - Todos nós precisamos de perdão.
 - Se o governo israelense nos levar de volta amanhã, nós perdoaremos.
Eu não esperava que Israel voltasse atrás, e queria saber como aqueles homens reagiriam se vivessem muito mais tempo naquelas condições.
Saímos de novo para a chuva, que então caía mais forte do que quando eu chegara. Nossa próxima parada foi numa barraca com a palavra "clínica" escrita claramente em inglês na aba. Não havia ninguém dentro. Sobre um banco havia quatro caixas de remédios e suprimentos. No chão úmido estava outra caixa, e junto a ela estava uma única muleta de madeira. Não parecia muito para um acampamento de mais de 400 homens. Enquanto isso, um dos homens que se juntara ao nosso pequeno grupo para ouvir a conversa, correu para encontrar o médico responsável. Sugeri que esperássemos dentro da barraca.
 - Caso contrário vamos nos afogar.
Instantes depois eu era apresentado ao dr. Mahmoud Zahar. Ele era um homem baixo, com barba preta bem aparada e olhos pretos, penetrantes. A chuva fazia barulho ao cair sobre a barraca, e eu praticamente tive de gritar para ser ouvido:
 - Há muitas pessoas doentes aqui? - perguntei.
Em um inglês claro, o dr. Zahar fez uma avaliação clínica da situação.
 - Temos doenças respiratórias em conseqüência do frio e da umidade. Muitos dos homens têm disenteria e diarréia, porque a água é ruim. Há dez homens no acampamento que têm diabetes, e tudo o que temos para comer são batatas - essa não é uma boa dieta para pessoas com diabetes. Nesta clínica, como você pode ver, não temos aquecimento, não temos luz. Temos feito várias pequenas cirurgias com anestesia local.
 - Devo dizer que estas condições são miseráveis. Eu gostaria de poder ter trazido mais, mas tenho aqui algumas pílulas para purificar a água de vocês.
Entreguei ao médico a sacola plástica com as pílulas. Ele ficou grato:
 - Pelo fato de estar aqui, você está falando à consciência do mundo.
 - É por isso que estou aqui.
 - Você está compreendendo a nossa situação. Não se pode imaginar quanto tempo vamos ficar aqui. Eu estou falando ao mundo. Qual é a nossa culpa? Qual é a nossa culpa? Nós somos inocentes!
 - Você é integrante do Hamas? - perguntei.
 - Não! Nós somos membros de associações. Somos médicos, advogados e professores - profissionais. Qual é a nossa culpa? Se eles têm acusações, que nos levem ao tribunal!
Eu estava surpreso com a energia daquele homem. Enquanto falava, apontava para mim, enfatizando:
 - Qual é a nossa culpa?
Respondi perguntando a ele:
 - O que lhe dá a força para continuar?
 - É a nossa religião! - respondeu ele, e isso o fez mudar o discurso. - Não se proíbe que um cristão seja um verdadeiro cristão. Não se proíbe que um judeu seja um verdadeiro judeu. Da mesma forma, não se proíbe que um muçulmano seja um verdadeiro muçulmano. Nós somos de paz. A nossa solução é a paz. Estamos à procura de um método pacífico para alcançar a justiça em nossa região.
Os métodos do Hamas não pareciam muito pacíficos, mas aquele não era o momento para confrontação. Eu estava ali para conhecer aqueles homens, observá-los e ouvi-los.
 - O meu desejo é shalom! - disse eu, usando intencionalmente o termo hebraico para paz.
 - Nós estamos buscando a paz! Nós acreditamos que as conversações de paz de Madri não nos trarão nada. Estamos à procura de um verdadeiro método pacífico de alcançar a justiça em nossa região.
Enquanto estávamos conversando, um homem entrou na barraca e me entregou um pedaço de papel, dizendo:
 - Este é o nome e o endereço de minha mulher. Se você estiver em Israel, poderia, por favor, visitar minha família? Durante a hora seguinte, outros também me deram papéis com nomes, endereços e números de telefone de entes queridos.
 - Eu trouxe alguns livros para vocês lerem - anunciei na barraca, que agora já estava cheia de gente. - Sei que vocês são intelectuais. Quando estiver chovendo, tenho certeza de que vocês gostariam de ter alguns bons livros.
Entreguei exemplares de O Refúgio Secreto a Rantisi e Zahar e fiz uma pilhéria:
 - Este livro dirá como vocês também podem se tornar famosos salvando vidas de judeus.
Os dois homens me olharam surpresos, mas então começaram a sorrir e depois riram de verdade.
 - Queremos organizar uma biblioteca - disse Rantisi. - Estes livros serão lidos.
 - Então eu tenho mais alguns. Este é o meu livro, intitulado O Contrabandista de Deus. Ele trata de minhas experiências na Rússia e no Leste Europeu. Os cristãos lá não têm Bíblias, e por isso, eu quis garantir que eles as teriam. Trouxe também algumas Bíblias para vocês. Este é o livro mais importante que eu posso lhes oferecer. Ele lhes mostrará como ter paz verdadeira, paz neste mundo e paz nos seus corações."

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