A lição que vem dos pequeninos

| 12/10/2006 - 00:00


". Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus."  (Mt 18.3 )

Por ocasião do "Dia da Criança", a afirmação de Jesus é oportuna para a pergunta: o que é ser como criança?

No mundo secular (será só nele?!), tudo o que é pertinente à criança é denominado infantil. É comum ver a mídia, em todos os seus segmentos, apresentar o infantil como não reflexivo, sem forma, fora do padrão, sem identidade própria, errado, transgressor, sem valor. Infantil é o oposto do adulto - do coerente, do autoconsciente - e, nesse aspecto, não concorda com a perspectiva de Jesus sobre a criança e, também, não seria essa a definição que Ele faz dos pequeninos.

Pensar na criança, sem essa visão infantil, é pensar em ser disponível, não resistente, sem reservas, com uma vida não fragmentada por conveniências; é a vida coletiva, em que o responsável, Deus, encontra acesso para o ensino, os moldes e tem a obediência como resposta.

Ser criança é ser sempre um nós, caracterizado pela presença do Outro que guia, ensina e conduz. Pode ela, então, orar como no Pai nosso, ". venha a nós o teu reino...", porque reconhece, no governo divino, a sua segurança. Isso é totalmente contrário a um eu autoconsciente, independente e sozinho.

Como é belo o convite de Jesus!

Ser como criança é ser livre da solidão. Viver no reino de Deus é desfrutar de sua presença e viver em sua vontade. Não mais eu (e você) mas Ele comigo (e conosco).

Somos o Corpo de Cristo e fomos
chamados para viver em unidade

Não podemos concluir sem pensar no exemplo de crianças que vivem em países onde o cristianismo é perseguido.

São crianças que, por demonstrarem a consciência cristã, recebem tratamento de adultos - perseguição, hostilidade e preconceito. É incrível perceber a atuação soberana de Deus na formação de suas personalidades, mesmo com a perseguição inflamada à sua volta.

Contudo, essa realidade se contrasta, e muito, com a dos países livres, e é esse o nosso caso. Nós nos encontramos envolvidos com muitas coisas, algumas até pertinentes ao reino de Deus, mas devemos aprender a lição que vem dos pequeninos perseguidos - vivem sempre com Cristo e por isso não se sentem sozinhos.

Devemos sair de nossa autoconsciência solitária (sempre eu), olhar a realidade dos perseguidos e perceber que podemos fazer parte desse nós (eu, você, eles e Jesus) em sua perseguição. Afinal somos o Corpo de Cristo e fomos chamados para viver em unidade.

Que possamos aprender com as próprias crianças sobre como ensiná-las!
 
".assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim." (Gl 2.20)

Cristiano Camilo Lopes
Pastor e professor do Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro


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Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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