O que se espera dos cristãos durante o Ramadã

| 23/09/2007 - 00:00


Dia 13 de setembro acordei na madrugada sem sono. Levantei e fui caminhar em volta do meu jardim. Abri a porta pro quintal, ouvi vozes e barulho de talheres. “O vizinhos estão acordados?”, “Tomando café?”, “Que horas são!?”, olhei no relógio pra confirmar. Fiquei confuso, mas lembrei: “Hoje começa o Ramadã!”

Lembrei também que precisava escrever esse texto.

Pensei em fazer uma análise da situação nos países muçulmanos. Assunto não faltaria. No Iraque as coisas andam violentas como sempre, pouco progresso há no Afeganistão ou em Darfur e no último ano tivemos conflitos no Líbano e Palestina. O recém-lançado vídeo do Osama também daria prosa. Além dos casos de cristãos perseguidos em muitos países e do número bem maior de cristãos deixando esses países em busca da promessa de conforto material no Ocidente. Podia também falar dos poucos testemunhos de conversão aqui e ali que sempre dão uma animada.

Apenas ontem decidi sobre o que escreveria.

Faltavam 15 minutos para as 7 da noite, e decidi ir ao mercado. Eu querendo fazer compras, e as lojas fechando. Movimento apenas na compra de sucos e doces, que homens levavam de volta pra casa. As pessoas apressavam o passo, ansiosas para quebrarem o jejum do Ramadã com suas famílias. Lembrei da minha esposa, do meu bebê e pensei: “Aqui, eu que estou indo na direção errada”, então dei meia volta.

Voltando, vi mulheres recebendo seus maridos, filhos e irmãos. Barulhos de panelas, pratos e um cheiro gostoso de comida entre conversas animadas que começavam aqui e ali.

Infelizmente essas cenas não aparecerão no jornal. Via de regra, a mídia gosta de focar nas exceções que degolam pessoas, destroem igrejas e se explodem pelas ruas do mundo afora.

Alimentados por essa (falta de) informação, deixamos de ver nosso próximo como tal e passamos a enxergá-lo apenas como diferente. Deixamos toda a comunhão de lado, partilhando apenas de um medo mútuo que nos leva a esse afastar-se contínuo.

Creio que a maioria dos muçulmanos não espera nada dos cristãos durante esse mês. Apenas que fiquemos do outro lado do muro, espiando com estranheza enquanto eles jejuam por mais um Ramadã.

Entretanto, creio que Deus espera mais de nós. Em tempos de comunhão, seja qual for a razão, o Pai só pode querer que comunguemos.

Minha sugestão é que por um mês esqueçamos agendas religiosas e olhemos para o outro com o amor de quem deseja estar junto, de quem deseja doar e de quem quer o bem do outro só por amar.

Que nesse Ramadã, possamos chamar o outro de próximo, vendo nele a semelhança de Deus. Que esse trisco de luz nos dê fé para ignorar as fronteiras que traçaram entre nós e juntos possamos compartilhar nossos sofrimentos, nosso pão e nossas vidas.

Tonho, colaborador morando no Iraque

Veja pedidos de oração e outros artigos na página Ore pelos cristãos durante o Ramadã


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