Eleições não irão garantir mais liberdade

A República de Maldivas é conhecida como um destino turístico, mas também é um local onde as pessoas sofrem repressão severa no que diz respeito à liberdade de expressão, de pensamento e de religião.

 A República de Maldivas é um dos poucos Estados – com a Arábia Saudita –, que permite somente a prática de uma religião e exige que todos os cidadãos sejam muçulmanos.

A prática de outras religiões, incluindo outras formas de islamismo diferentes do sunismo, é banida. O Estado consegue monitorar toda forma de expressão religiosa e tem poder para piorar as condições de vida da maioria da população da Maldiva.

Os nativos temem que, se defenderem publicamente qualquer direito de liberdade de pensamento, de expressão ou de religião, poderão sofrer conseqüências terríveis.

O governo passa a imagem para os turistas, de que Maldiva representa “o lado ensolarado da vida’”. Mas reprime os pensamentos livres.

Nenhum dos candidatos que concorrem à presidência da República, cuja eleição deve ocorrer no dia 28 de outubro, tem se importando em melhorar as leis neste aspecto.

O primeiro turno das eleições ocorreu no dia 8 de outubro de 2008 e o presidente Gayoom, segundo a contagem oficial, foi para o segundo turno em grande vantagem.

A decisão do novo presidente sairá com o resultado do segundo turno, no dia 28 de outubro e Gayoom enfrentará o candidato do partido de oposição, Mohamed Nasheed.

Em 2004, o presidente anunciou planos para fazer mudanças na Constituição, com o intuito de melhorar a democracia e os direitos humanos. No dia 7 de agosto de 2008, essa Constituição estava praticamente pronta, mas os direitos religiosos ficaram de fora.

A nova Constituição alega que o islamismo faz parte da cultura histórica dos nativos das Ilhas Maldivas e que a liberdade religiosa não é um assunto a ser conversado dentro da República.

De acordo com o Artigo 9, os cidadãos que não forem muçulmanos vão perder a chance de viver em Maldivas. Isso preocupa a nação, uma vez que as pessoas que se converterem a outras religiões ou até mesmo os filhos de nativos casados com pessoas que não partilhem a mesma fé, correm o risco de perder a cidadania.

 A situação piora quando aqueles se opõem à religião do país acabam sendo presos e perdendo o emprego. Os emigrantes não têm coragem de declarar outra fé, e os trabalhados imigrantes também precisam se adaptar à religião do país.

Até material religioso, como livros, folhetos, programas de internet ou de rádio, são banidos quando encontrados pelo governo. As malas dos turistas também são revistadas a procura de artigos desse gênero.

Opressões e intimidações constantes fazem com que as pessoas se comportem de forma contrária à fé de origem. Algumas delas se sentem forçadas a executar rituais e orações muçulmanas somente para evitar suspeita. Até nas escolas, a religião ensinada é o islamismo. Casamentos são reconhecidos somente entre muçulmanos. Pelo visto, os nativos desejam a liberdade religiosa para que então possam ver “o lado ensolarado da vida”.