A fé dos reformados e dos perseguidos

Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: “O justo viverá pela fé”. Romanos 1.17

Esse texto que abre a epístola de Paulo à Igreja de Roma foi revelado posteriormente a um homem que mudaria para sempre a história da Igreja cristã e, principalmente, do cristianismo vivido em sua época.

Ansiando por buscar o perdão de Deus para seus pecados, Martinho Lutero, ao estudar Romanos 1.17, compreendeu que somente se alcança a salvação por intermédio da fé em Cristo Jesus, não por meio de obras como ensinava a Igreja Católica Romana. Em seu entendimento sobre esse texto, formulou a base de sua doutrina: a justificação pela fé.

Já discordando da Igreja Católica Romana em muitos pontos doutrinários, Lutero prega 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, no dia 31 de outubro de 1517. Nelas, ele não apenas defendia sua doutrina de justificação pela fé, mas principalmente pregava contra a venda de indulgências.

Estava iniciada a Reforma Protestante, que dominou inicialmente o norte da Europa e, ao longo dos anos, foi ganhando o mundo. Hoje, a base doutrinária das igrejas evangélicas é derivada dos ensinamentos de Lutero e dos demais reformadores que surgiram após ele, como João Calvino, por exemplo.

Toda essa história demonstra muito bem o poder que tem a Palavra de Deus, pois a partir de uma única frase – “o justo viverá pela fé” – ocorreu uma transformação tão grande na história do cristianismo que até hoje se sente os seus efeitos.

É essa mesma Palavra poderosa que tem sustentado a vida dos cristãos que enfrentam perseguição em mais de 50 países, em pleno século 21. Foi essa Palavra que sustentou os apóstolos, os cristãos da Igreja Primitiva, os reformadores e que continua sustentando a Igreja Perseguida e todos os filhos de Deus.

Cristãos que vivem na Índia, Argélia, China, no Sudão, Paquistão e em tantos outros países onde são perseguidos conhecem o real sentido de viver e também de morrer pela fé em Cristo Jesus. Dia após dia, eles são levados a renovar seu compromisso de fé e amor pela verdade do evangelho.

Um dia, eles tiveram fé para crer na salvação, e essa fé os tem fortalecido para enfrentarem prisões, violência, fome e todo tipo de privações. Tudo isso porque é por meio dela que os perseguidos podem ter a certeza de vida eterna num lugar onde não mais haverá choro, em que o próprio Deus enxugará de seus olhos todas as lágrimas.

Contudo, a história da Igreja Perseguida não é marcada apenas por histórias de sofrimento, muito pelo contrário. Se ela existe até hoje, é porque, além de ter sua confiança na glória futura, a fé pela qual vive proporciona-lhe a verdadeira alegria e o conhecimento do Deus que tem poder para livrá-la de todo mal.

Por Desiree Froes Rocha