Descontentamento, desespero e ilusão crescem no Irã

| 26/06/2009 - 00:00


Em 1989, o pai da Revolução Islâmica, o aiatolá Khomeini, morreu sem deixar um sucessor. O herdeiro da posição, por direito, seria o aiatolá Hossein Ali Montazeri. Entretanto, ele foi repelido em 1988 por protestar contra corrupção e abusos de direitos humanos.

As personagens daquela época são as mesmas que aparecem nas notícias de hoje: Khamenei, atual Líder Supremo, era o presidente; Mousavi, principal oponente do governo hoje, era o primeiro-ministro; e Rafsanjani, hoje líder da Assembleia dos Especialistas, era porta-voz do parlamento iraniano. Essa Assembleia tem o poder de escolher o Supremo Líder do país.

Na época, nenhum desses três sofreu o mesmo destino do aiatolá Montazeri porque nenhum deles protestou contra os massacres perpetrados pelo governo.

Para ocupar a posição de Líder Supremo, Rafsanjani convenceu a Assembleia dos Especialistas a eleger Khamenei, embora ele não fosse qualificado para assumir o cargo.

Quando Rafsanjani se tornou presidente, em 1987, ele e Khamenei começaram a ter dissensões. O governo de Rafsanjani era voltado à elite, defendendo o crescimento econômico. Já a política de Khamenei era voltada às massas. Assim, ele apoiava os clérigos, os pobres e a Guarda Revolucionária Islâmica.

Foi Khamenei e a Guarda Revolucionária que levaram Ahmadinejad ao poder em 2005, pois ele poderia servir aos seus interesses.

A crise atual traz à tona uma briga entre dois times. De um lado, estão Khamenei, Ahmadinejad e a Guarda Revolucionária; do outro, estão Rafsanjani e Mousavi. Os dois times são conservadores e todos os envolvidos são seguidores do islã. Nenhum deles é contra a Revolução.

O time de Ahmadinejad está comprometido em exportar a Revolução Islâmica, investindo seus petro-dólares na Guarda Revolucionária, em expedições para o Iraque, Gaza, o Líbano e além, a fim de impor a hegemonia na região.

Por outro lado, o time de Mousavi, embora seja islâmico da mesma forma, foca menos na guerra e mais em relações internacionais de qualidade, para que possa atender a questões e à economia interna.

Os jovens intelectuais, urbanos, que têm protestado nas ruas de Teerã estão embaraçados e frustrados com o atual regime e ávidos por mudanças.

Um analista descreveu Mousavi como um “balão” que foi “inflado” por quem está determinado a expressar sua fúria contra Ahmadinejad e o Supremo Líder aiatolá Khamenei.

Analistas independentes, de dentro e fora do país, creem que houve fraude nas eleições. Entretanto, isso não significa que Ahmadinejad não teria vencido o pleito, uma vez que ele é bastante popular e virtualmente adorado pelos pobres da zona rural, que apreciam sua generosidade.

Diz-se que Khamenei e a Guarda Revolucionária não quiseram só garantir a vitória de Ahmadinejad, mas de dar-lhe um mandato poderoso.

Khamenei e Ahmadinejad controlam as armas e têm o apoio da maioria dos membros da Assembleia dos Especialistas. Quando Rafsanjani dirigiu-se à Assembleia recentemente – talvez na tentativa de derrubar Khamenei – sua filha e outros quatro parentes foram presos.

O time de Khamenei mantém o poder por enquanto. Enquanto isso, crescem o descontentamento, o desespero e a desilusão.

Pedidos de oração:

• Iranianos que querem mais liberdade começarão a se perguntar o que deu errado. Ore para que eles encontrem em Jesus Cristo as respostas às suas indagações.

• Peça a Deus para proteger e livrar sua Igreja, pois é bem provável que a perseguição aumente caso o governo considere uma ameaça todos que pensam de forma diferente a ele.

• Que o Espírito Santo conceda ousadia sobrenatural aos cristãos iranianos, a fim de que testemunhem com coragem, convicção e autoridade.


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