A propagação do evangelho em Bangladesh desde a independência

Um parceiro local da Portas Abertas explica como vivem os cristãos bengali e o trabalho da organização no país

| 27/03/2021 - 06:00

Irmão Abraham é parceiro da Portas Abertas em Bangladesh há muitos anos, apoiando cristãos perseguidos graças a seu apoio e orações

Irmão Abraham é parceiro da Portas Abertas em Bangladesh há muitos anos, apoiando cristãos perseguidos graças a seu apoio e orações


Irmão Abraham* é um parceiro local da Portas Abertas há muitos anos, apoiando os cristãos perseguidos graças as suas contribuições e orações. Ele explica como o evangelho se espalhou desde que Bangladesh se tornou independente e como continua a se propagar hoje no contexto da perseguição. Além disso, fala como o trabalho da Portas Abertas, por meio de parceiros locais, tem se adaptado às novas necessidades de nossos irmãos e irmãs.

Como a situação mudou para os cristãos em Bangladesh após a independência?

Após a independência, os cristãos começaram a evangelizar. Eles espalharam o evangelho por todo o país, afinal, pela Constituição, eles tinham liberdade de religião. Naquela época, muitos líderes cristãos faziam parte do governo. De maneira lenta e gradual, o cristianismo foi propagado por Bangladesh, entre 1971 e 1972. Muitas igrejas foram construídas e algumas denominações vieram para o país.

Qual é a situação para os cristãos em Bangladesh hoje?

Há liberdade constitucional e quem cresce como cristão não enfrenta problemas. Bangladesh é um país onde pessoas de diferentes contextos religiosos vivem juntas, 90% da população é muçulmana, cerca de 9% hindu, e menos de 1% cristã. O problema é que, quando os cristãos evangelizam, isso gera problemas na comunidade. Pela Constituição, pode-se evangelizar ou compartilhar a fé, mas na prática, é difícil.

Muitas pessoas da maioria muçulmana se convertem. Nesse caso, a perseguição ocorre por parte da família, dos parentes e da comunidade. Algumas vezes, pode vir de oficiais do governo ou locais. Além disso, crianças enfrentam discriminação nas escolas, dos amigos, colegas de sala e até mesmo dos professores. A perseguição está em toda a parte, mas de formas diferentes.

Como e quando começou o trabalho da Portas Abertas em Bangladesh?


Confira a entrevista de irmão Abraham, parceiro da Portas Abertas em Bangladesh

Nos anos de 1993 e 1994, a Portas Abertas realizou uma pesquisa em Bangladesh com a comunidade cristã. Então, em 1995, eles lentamente deram início ao trabalho, com a distribuição de Bíblias e apoiando igrejas e escolas bíblicas. Eles também compraram computadores para escolas bíblicas. Depois, realizaram uma conferência de pastores com a Associação Cristã Nacional de Bangladesh, que representa quase 20 denominações no país.

Quais as mudanças ocorridas desde que o trabalho da Portas Abertas começou?

A Portas Abertas começou trabalhando com as principais igrejas porque, naquela época, havia poucos cristãos de outros contextos. Então, lentamente, o ministério aumentou no país por causa da necessidade. Quanto à perseguição, ela teve início quando muitas pessoas da maioria muçulmana começaram seguir a Cristo. As pessoas começaram a evangelizar, então todos os dias, os números de novos cristãos aumentavam.

Em 2006, os pesquisadores da Portas Abertas perceberam que o número de cristãos ex-muçulmanos crescia dia após dia. Por isso, tentaram dar mais ênfase aos novos cristãos, principalmente ex-muçulmanos, e expandir o ministério em Bangladesh.

Sendo assim, a Portas Abertas aumentou o número de projetos por todo o país e a quantidade de parceiros também cresceu. Atualmente, existem muitos projetos que cobrem quase 50 dos 64 distritos de Bangladesh. Apenas nos últimos dois anos, a Portas Abertas distribuiu entre 10 e 20 mil Bíblias. Comparado ao início dos trabalhos no país, o orçamento aumentou 10 vezes.

Como a Portas Abertas apoia cristãos perseguidos em Bangladesh?

Participantes do treinamento de professores para aulas de alfabetização para adultos em Bangladesh

Em Bangladesh, por meio de parceiros locais, são atendidos cristãos vindos de todos os contextos – muçulmano, hindu, tribal, budista e de crenças tradicionais. Mas o foco principal é em ex-muçulmanos. “Nós damos nosso melhor para permanecer junto à Igreja Perseguida, principalmente a parte mais fraca do corpo de Cristo”, afirma irmão Abraham.

Ao receber notícias que um cristão foi perseguido ou sequestrado, o primeiro passo é tentar entrar em contato e conseguir mais detalhes sobre o incidente e a família da vítima. A partir disso, os parceiros começam a orar e descobrir como podem ajudar. “Nós entramos em contato com a pessoa ou a família da vítima e confortamos e encorajamos a depender de Deus”, explica o parceiro.

Além disso, um dos objetivos é aumentar a ajuda oferecida em assistência legal, apoio financeiro e provisão de necessidades diárias por meio dos parceiros, de acordo com as emergências e necessidades das famílias. Também são organizados diferentes programas de treinamento, em que os cristãos aprendem a aplicar princípios bíblicos frente à perseguição.

Outra forma de ajuda é através de treinamentos de subsistência, de forma que os cristãos tenham condição de se sustentar, já que muitos que vêm à Cristo vivem abaixo da linha da pobreza. Ao se tornarem cristãos, enfrentam perseguição imediata, podendo perder os empregos. Então a ajuda oferecida é na busca por emprego ou em estabelecer um pequeno negócio.

A maioria dos cristãos ex-muçulmanos não possuem educação formal, muitos sendo analfabetos. Por conta disso, há também um projeto de alfabetização de adultos. São mais de 200 centros por todo o país e, por meio deles, cristãos aprendem a ler as Escrituras e a calcular.

Como os ex-muçulmanos, principalmente as mulheres, são negligenciados pela comunidade, são oferecidos programas de discipulado para mulheres.

Qual a diferença desse trabalho na vida dos cristãos?

Em projeto de ajuda emergencial, cobertores são distribuídos entre cristãos pobres em Bangladesh

Com os programas de alfabetização muitas pessoas que eram analfabetas agora leem as Escrituras, compartilham histórias das Escrituras com os filhos e contribuem na tomada de decisões em suas famílias, já que agora podem escrever e ler. Essa é uma das áreas alteradas.

Outra é que, por meio do programa de discipulado de mulheres, elas também fazem parte da igreja. As cristãs ajudam a construir a igreja, já que possuem uma voz por conhecerem as Escrituras, conhecendo seu trabalho em Cristo.

Antes dos seminários de preparação para a perseguição, os cristãos tinham ideias erradas sobre a perseguição. Agora, conseguem perdoar seus perseguidores. “Nós recebemos muitas mensagens dos participantes, dizendo: ‘Antes, queríamos revidar contra os perseguidores. Agora os perdoamos, porque as Escrituras dizem para perdoar nossos perseguidores’. Há uma grande mudança na comunidade dos cristãos perseguidos”, compartilha irmão Abraham.

O exemplo de como Jesus perdoou seus perseguidores sempre é utilizado. Então, mesmo as crianças na escola perdoam os amigos e aqueles que as discriminam, tentando fazer amizade com eles.

Em algumas regiões, muitos cristãos enfrentavam dificuldades ao tirar água potável de poços comunitários. Um dos projetos realizados era para que tivessem sua própria água potável. Agora existem muitas histórias de beneficiários dizendo que mesmo que tenham sido impedido de tirar água do poço, convidam essas pessoas a beber da água potável de seu poço.

Qual é a esperança para o futuro da igreja em Bangladesh?

Cabras são doadas para cristãos em Bangladesh que participam de projeto de geração de renda oferecido em parceria com a Portas Abertas

“Eu quero ver muitas pessoas vindo a Cristo, aumentando rapidamente o número de cristãos e, algum dia, chegando a toda nação. Desejo ver uma igreja local forte, sem necessidade de ajuda vinda de fora do país. Que eles possam se sustentar física, financeira e espiritualmente. Que levem suas vidas com base nas Escrituras e sejam um modelo na comunidade. Quero ver igrejas e cristãos fortes para enfrentarem a perseguição. Que quando a perseguição vier, eles permaneçam firmes”, afirma irmão Abraham.

Como os cristãos ao redor do mundo podem orar pelos cristãos em Bangladesh?

A oração é muito importante e poderosa, afinal não podemos fazer nada sem a ajuda de Deus. O pedido é que os cristãos no mundo orem pelos cristãos perseguidos, principalmente os ex-muçulmanos.

Ore por aqueles que foram sequestrados e continuam desaparecidos. Não há qualquer informação ou notícias sobre muitos deles. Peça a Deus que ajude o povo bengalês e seus líderes a encontrarem os desaparecidos. Interceda para que eles tenham boas notícias sobre essas pessoas.

Apresente também a comunidade cristã, que ainda é pequena e vive entre a grande maioria muçulmana no país. Todos os dias, eles enfrentam perseguição vindas da comunidade, das autoridades, dos vizinhos e de grupos islâmicos extremistas.

Ore ainda para que eles se mantenham firmes na fé frente à perseguição. Que eles sejam canal de bênção na vida de muitos e que toda a população de Bangladesh conheça a Cristo e o receba como seu salvador e senhor. Além disso, saiba que sua doação provê apoio prático, como ajuda emergencial para cristãos após ataques violentos e auxílio para o início de pequenos negócios para aqueles que perderam seus empregos por causa da fé.

*Nome alterado por segurança.


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE