A realidade dos cristãos ex-muçulmanos no Norte da África

Ao se converterem, são chamados de infiéis por abandonar o islã e a primeira fonte de perseguição é a própria família

| 06/11/2019 - 06:00

Cristãos ex-muçulmanos no Norte da África não desfrutam de liberdade nem mesmo no círculo familiar. Ore por eles

Cristãos ex-muçulmanos no Norte da África não desfrutam de liberdade nem mesmo no círculo familiar. Ore por eles


O Domingo da Igreja Perseguida (DIP) é o maior evento nacional e interdenominacional de oração pela Igreja Perseguida. A cada ano, cristãos de todo o Brasil se mobilizam para organizar o DIP em sua igreja local. Em 2020, o DIP será em 13 de setembro e o tema é Cristãos ex-muçulmanos. Hoje você conhecerá um pouco mais sobre a perseguição aos cristãos ex-muçulmanos no Norte da África. Esses cristãos deixaram o islã para seguir a Jesus e a perseguição que enfrentam é forte e tem diferentes faces. Quando conversamos com esses “infiéis” (como são chamados pela maioria islâmica), uma coisa fica clara: o preço que eles pagam é alto.

A primeira e mais comum fonte de perseguição em toda a região é a família do novo convertido. O cristão ex-muçulmano do Marrocos, Aziz*, de 33 anos, explica: “As pessoas são expulsas da família por causa da conversão. Elas não têm seus direitos respeitados. Alguns são forçados pela família a se divorciar e outros são presos dentro de casa. É mais difícil para as mulheres, pois culturalmente meninos e homens têm mais liberdade e direitos, então estão em uma posição melhor que as mulheres. As mulheres, às vezes, são forçadas a se casar com um muçulmano”.

Aziz explica que no âmbito familiar os convertidos enfrentam violência e são agredidos, e há a constante pressão da família dizendo que o que estão fazendo é errado. Aizah, uma cristã da Tunísia, acrescenta que “geralmente também significa que a família não vai pagar pelos estudos de um filho ou filha ‘infiel’”. Ela acrescenta que ser expulso de casa também significa que não participará de nenhuma celebração em família, pois o cristão não é mais bem-vindo nas reuniões e celebrações da família.

Perseguidos pela sociedade, pela justiça e pela mídia

A segunda fonte de perseguição é a sociedade. Aziz explica: “Um cristão não tem direitos na sociedade. É difícil achar um emprego e trabalhar para o governo é impossível. Quando já trabalha para o governo, ou em outra área, eles começam a compilar um dossiê sobre você para se livrarem de você. A sociedade o pressiona para ir à mesquita. Você não pode viver a sua fé como cristão, não pode orar ou cultuar publicamente e não pode ir a um culto na igreja formalmente”.

O último tipo é a perseguição legal, mas essa difere em cada país. Aziz nos conta: “No Marrocos, a polícia tem um dossiê de cristãos, e pode até colocar nesse documento coisas que não são verdade. No passado, um cristão foi preso por ser acusado de uso de drogas, por exemplo. O governo vê os cristãos como pessoas que estão abalando a fé dos muçulmanos, e isso é proibido por lei. Evangelismo também é proibido e distribuir Bíblias é um crime no Marrocos. Se alguém comer durante o Ramadã, pode pegar seis meses de prisão”. Halima*, esposa de Aziz, também uma cristã marroquina, exemplifica o que o marido diz: “No trabalho, eu como no banheiro durante o Ramadã”.

Além disso, a mídia no Marrocos passa uma falsa imagem da igreja. Isso também acontece em outros países da região, mas não em todos. Na Síria e Iraque, por exemplo, a imprensa algumas vezes publica histórias positivas sobre a igreja e o que ela está fazendo. Aziz afirma sobre a mídia do Marrocos: “Ela diz que a igreja é algo estrangeiro. Ela escreve que muitos vão à igreja por dinheiro. Outros, ela diz, se unem à igreja porque querem sair do país, que não sabem sobre religião, mas o que querem é casar com um estrangeiro. Quando você olha para nós, isso não é verdade, pois ficamos em uma situação ainda mais difícil financeiramente e não queremos deixar nosso país. Tanto eu como minha esposa temos alto nível de conhecimento tanto do islamismo quanto do cristianismo e somos dois marroquinos casados. A mídia nos ataca, mas não está dizendo a verdade”.

Halima expressa seu desejo de que a perseguição desapareça de seu país, dizendo: “A perseguição pode ser comparada ao Drácula, pois suga a vida da igreja”. Diante dessa realidade, os cristãos do Norte da África necessitam do apoio da igreja livre para prosseguir na caminhada e não serem “sugados pela perseguição”, como expressou Halima. Participar do Domingo da Igreja Perseguida é sua oportunidade de apoiá-los. Faça seu cadastro e envolva sua igreja no DIP 2020.

*Nomes alterados por segurança.


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE