Análise de uma história

Compreenda a atual situação da Colômbia

| 29/05/2004 - 00:00

Cristãos colombianos são afetados pela violência na Colômbia

Cristãos colombianos são afetados pela violência na Colômbia


Não é fácil compreender a situação atual na Colômbia, devido a vários fatores em interação que costuram o pano de fundo do mais longo conflito interno em andamento no continente.

Com origens nos anos 50 e 60, a violência cresceu a partir de confrontos entre os partidos Liberal e Conservador e entre as classes altas e baixas, conduzindo ao surgimento de grupos de guerrilha como o Exército de Libertação Nacional (ELN, 1965), as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC, 1966), o Movimento 19 de Abril (M-19, 1968) e o Exército Popular de Libertação (EPL, 1977). Além desses, nasceram grupos paramilitares e cartéis de narcotraficantes nos anos 70 e 80.

Quase cinqüenta anos de violência se passaram, caracterizados por ciclos de confrontos violentos, diálogos, tratados de paz e, então, novos confrontos. Incontáveis fórmulas para uma solução definitiva foram testadas: pactos entre os partidos tradicionais para a alternância no poder, ofertas de anistia e reinserção na sociedade, audiências do poder público com grupos subversivos, e até mesmo a nova Constituição de 1991.

Nenhum dos atores políticos quer ceder qualquer parte de sua posição e privilégios. As guerrilhas reivindicam mudança radical na estrutura econômica, social e política do Estado. As FARC fazem isso através de negociações com o governo, e a ELN através de um convenção nacional, envolvendo civis. Mas enquanto isso, esses grupos mantêm suas práticas de seqüestro, extorsão e tráfico de drogas.

Por outro lado, o governo e certas corporações empresariais defendem a estrutura do Estado do jeito como está, apesar das múltiplas desigualdades sociais e econômicas que ela impôs sobre a nação.

As chamadas forças de autodefesa, ou paramilitares, justificam sua existência como exterminadores de guerrilheiros e criminosos comuns. A eles pouco importa se violam ou não as leis - ou o mais essencial direito à vida - daqueles que suspeitam ser malfeitores. Como as forças guerrilheiras, os paramilitares financiam seus esforços de guerra com dinheiro de extorsão e tráfico de entorpecentes.

Resultado: cada milícia reforçou a própria posição, baseada na convicção de que vai acabar derrotando seus inimigos pelas armas ou pelo menos vai forçá-los a sentar na mesa de negociação enfraquecidos.

Dois acontecimentos recentes acentuaram a percepção de que esse conflito só pode ser resolvido por uma deposição geral de armas. Primeiro foi o sentimento de pessimismo, resultante do rompimento das negociações com as FARC (em fevereiro de 2001), e a subseqüente escalada de violência. Depois veio a inclusão das FARC e do ELN na lista americana de organizações terroristas, acompanhada de recomendação contrária dos EUA a qualquer negociação com tais grupos. Críticos dessa recomendação argumentam que uma ruptura do diálogo vai se mostrar fatal para o país; na verdade, acabaria detonando um conflito armado tão intenso que o custo em vidas humanas e perdas econômicas seria grande demais. Eles estimam que o confronto duraria cinco anos ou mais, produziria milhares de mortes, aumentaria o número de refugiados para dez milhões e deixaria o país em profunda crise econômica.

Seja qual for a posição que se adote para a solução do conflito, é preciso levar em consideração que o maior fator sustentando a violência é a tensão social gerada por concentração da riqueza em pouquíssimas mãos, alto índice de pobreza e corrupção endêmica que, de acordo com dados compilados pela comissão de orçamento, consome cinco bilhões de pesos anualmente. Ao mesmo tempo o Estado vem perdendo credibilidade por causa de sua ausência em vastas porções do território nacional, combinada ao fracasso em prover serviços públicos básicos para seus cidadãos. A inércia governamental para lidar com a impunidade - 99% dos crimes violentos seguem sem condenação judicial - produziram frustração entre os civis e contribuíram para a promoção das milícias. O crime comum e uma cultura de morte que atormentam a sociedade civil contabilizam quatro em cada cinco mortes violentas na Colômbia.


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE