Após prisão de cristão, líderes religiosos buscam acordo

Devido a incidente, 800 famílias cristãs fugiram do bairro por medo de represálias

| 25/02/2018 - 00:00

Lahore é a cidade com maior número de cristãos no Paquistão (Foto representativa por razões de segurança)

Lahore é a cidade com maior número de cristãos no Paquistão (Foto representativa por razões de segurança)


Sexta-feira relatamos a história do rapaz cristão que foi acusado de postar conteúdo considerado blasfemo em uma rede social, causando protestos de uma multidão furiosa no dia 19. No protesto, manifestantes puseram fogo em pneus e bloquearam parte de uma das principais estradas de Lahore, que liga a cidade a outras partes importantes do país. Eles exigiam que o cristão de 20 anos, Patras Masih*, fosse publicamente enforcado por publicar conteúdo considerado desrespeitoso ao profeta Maomé.

Como resultado, 800 famílias tiveram que fugir do bairro. Diante dessa situação, na última terça-feira (20), vários líderes muçulmanos e alguns líderes cristãos realizaram uma conferência na delegacia de Shahdara, bairro onde aconteceu o incidente, na cidade de Lahore. Eles assinaram uma declaração chamando os cristãos a voltarem e viverem em paz com seus vizinhos muçulmanos, como antes. A declaração dizia que a comunidade cristã se comprometia a não interferir nas questões religiosas islâmicas e a garantir que incidentes de desrespeito não voltariam a acontecer.

Lahore é uma grande metrópole, com mais de 15 milhões de habitantes, dos quais meio milhão é cristão. É a cidade com a maior população de cristãos do Paquistão. Cerca de 2 mil famílias cristãs moram no bairro de Dhair, que é parte do subúrbio de Shahdara, no norte de Lahore. Uma dessas famílias é a de Masih. O líder cristão Emmanuel Masih* disse que cerca de 800 famílias foram morar com parentes em outros locais, temendo que acontecesse o mesmo que em episódios anteriores, em que bairros de cristãos foram incendiados após acusações de blasfêmia.

O subinspetor Haji Munir, encarregado da investigação do caso, disse que “Masih está sob investigação e em breve será enviado à prisão”. Ore pelo jovem cristão perseguido, para que o Senhor tenha misericórdia e manifeste sua justiça. Clame para que a igreja se posicione de forma sábia diante da situação, apegando-se aos ensinamentos de Jesus. Que a Igreja Perseguida do Paquistão seja capacitada pelo Espírito Santo a mostrar amor mesmo diante da perseguição.

*O nome Masih, que deriva da palavra “messias” em árabe, é usado há muitos anos no Paquistão para designar homens cristãos.

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