Brechas em nova Constituição preocupam cristãos de Gâmbia

Os líderes cristãos pedem separação entre governo e a religião muçulmana

Gâmbia, país da África Subsaariana, passa por um processo importante de revisão constitucional. Porém, o assunto tem preocupado os cristãos do país, já que o novo projeto de lei não define claramente a nação como um estado secular. Outro ponto é a possibilidade de transformação dos tribunais khadi (que regem a vidas dos locais de acordo com as leis islâmicas, com reconhecimento oficial) em sharia. Os líderes da igreja, como o pastor Seal S. Jammeh, têm se posicionado e pedido a análise dos trechos que podem dar margem à perseguição.  “O Conselho Cristão da Gâmbia pede para ser incluído na Constituição final que a Gâmbia seja soberana e secular. Uma república com diversas comunidades de liberdade étnico-linguística e religiosa, com igualdade de oportunidades e garantia de liberdade interétnica, política e religiosa para a coesão social", esclarece.

A nova Constituição de Gâmbia tem pontos positivos, como a garantia de liberdade de imprensa e de acesso à informação pública e limitação dos poderes presidenciais, já que a população enfrentou a ditadura por mais de 20 anos, sob o comando do ex-presidente Yahya Jammeh, entre os anos 1994 e 2016. “Precisamos lembrar que, três anos atrás, alguém ficou aqui e declarou o país como um Estado islâmico, portanto, foi uma questão que afetou os cristãos. Pedimos que vocês analisem o problema de forma crítica", continua o pastor Seal.

De acordo com o professor Pierre Gomez em um artigo de opinião, é importante fechar as brechas para que não haja desigualdade na divisão de recursos, por meio de diferenças religiosas e étnicas. “O que estamos dizendo é para retirar a religião dos gabinetes. Estamos pedindo a neutralidade e separação entre Estado e religião", afirma Gomez. Hoje, 90% dos gambianos são muçulmanos, 9% cristãos e 1% seguidores de religiões tradicionais.

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