Cristãos iraquianos falam sobre a importância da cruz

O Dia da Cruz é uma celebração centenária no país que ganha ainda mais relevância após o retorno dos cristãos para suas cidades

| 30/10/2020 - 16:30

Os filhos de Steven acendem velas na celebração do Dia da Cruz em Qaraqosh, no Iraque

Os filhos de Steven acendem velas na celebração do Dia da Cruz em Qaraqosh, no Iraque


Para muitos, a cruz pode ser o tema de uma música cantada na igreja, um pingente de uma joia usada em volta do pescoço ou parte de frases compartilhadas on-line. Mas o que a cruz realmente significa para você? No Iraque, essa é uma questão avaliada todos os anos em uma festa chamada “O Dia da Cruz”. Há séculos, cristãos iraquianos e de outros lugares do Oriente Médio celebram o cristianismo colocando cruzes iluminadas no alto de suas casas.

Ammar, um líder cristão na igreja Al-Tahira, em Qaraqosh, mostrou a foto de uma cruz derrubada de uma igreja pelo Estado Islâmico e depois a cruz restaurada. “Quando o Estado Islâmico tirou todas as cruzes das igrejas em 2014, lembramos mais uma vez o quão importante esse símbolo é para nós. A igreja em que estamos agora era uma galeria de tiros para o Estado Islâmico. A cruz na cúpula foi restaurada pouco depois do nosso retorno em 2017, mas apenas recentemente finalizamos a reconstrução da igreja.”

Ele continua e compartilhar sobre a celebração: “Nós celebramos ‘O Dia da Cruz’ há séculos e isso é muito importante para nós. A cruz nos lembra da vitória de Jesus sobre a morte e a dor. Sim, nós enfrentamos muitos problemas, mas acreditamos que um dia ele nos livrará dessa dor e estaremos com Jesus”.

O valor da cruz para famílias iraquianas
Para a família de Essam, de 55 anos, colocar a cruz no alto de sua casa é uma atividade familiar prazerosa. O filho e a esposa o ajudam a prender a cruz no telhado, enquanto o pai dele observa os procedimentos da rua. “Minha esperança é que a cruz de nosso Senhor traga paz à nossa terra, para que possamos ficar para compartilhar a palavra de Jesus.”

Essam, a esposa e o filho preparam a cruz para fixá-la no telhado de sua casa, no Iraque

Não muito longe, Salah e o filho também estão ocupados colocando sua cruz no telhado. Ele fez a cruz de madeira decorada com luzes. De seu telhado, Salah está olhando para a vizinhança. Algumas casas têm uma cruz, outras não. Ele suspira: “Depois do Estado Islâmico, muitos amigos e famílias deixaram o país, as casas estão vazias. Me deixa triste ver isso”. Então, ele olha para sua cruz novamente e diz: “Ainda assim, a cruz para mim é um sinal de vitória, a vitória sobre a opressão”.

Na casa de Steven e sua esposa, Hiba, os filhos estão acendendo velas, um sinal adicional de esperança para a cruz já brilhando no alto de sua casa. “Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus”, Steven recita 1Coríntios 1.18. Ele quer passar uma mensagem para as pessoas: “Como cristãos iraquianos, nós temos que ficar aqui e provar quão forte Cristo é. Nós precisamos que os cristãos ao redor do mundo fiquem conosco e nos ajudem. Nós somos nativos nesta terra”.

Quando o sol se põe, dezenas de cruzes iluminadas aparecem no horizonte de Qaraqosh. Juntas elas formam uma sinfonia de luzes, um coral de lembretes de que mesmo em tempos de perseguição, e durante uma pandemia mundial, uma coisa é clara: a cruz vence sempre.

Reconstrução no Iraque
Ao longo dos últimos 30 anos tem havido uma fuga em massa de cristãos do Iraque. Essa situação piorou desde que o Estado Islâmico invadiu o país, em 2014, levando ainda mais cristãos a fugir. Agora, muitos deles já voltaram para suas cidades, que precisam ser reerguidas. Sua doação possibilita a reconstrução de casas e igrejas no Iraque.


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