Cristãos representam grupo minoritário na população do Iraque

Os cristãos constituem cerca de 3% da população

| 13/08/2004 - 00:00

A constituição provisória do Iraque garante a liberdade de todas as religiões

A constituição provisória do Iraque garante a liberdade de todas as religiões


Dia 1º de agosto-As minorias religiosas do Iraque, principalmente cristãos, constituem cerca de 3% da população, o que representa 700 mil dos 24 milhões de iraquianos, em maioria muçulmanos xiitas e sunitas.

A Constituição provisória iraquiana, assinada em março passado e que estará em vigor até as eleições gerais no país, garante a liberdade de todas as religiões, embora reconheça que o Islã é a religião oficial do Estado e uma fonte da legislação.

Esta Constituição respeita a identidade islâmica da maioria da população iraquiana, garantindo ao mesmo tempo a liberdade total de todas as demais religiões e de suas práticas religiosas, segundo o texto.

A Constituição de julho de 1970, adotada durante o antigo regime, garantia a liberdade religiosa e proibia qualquer discriminação por motivos religiosos.

Também reconhecia que o povo iraquiano é composto por duas nacionalidades principais, árabe e curda, e outras nacionalidades, cujos direitos são legítimos. Em dezembro de 1972, a direção do partido Baath, então no poder, precisou por decreto que essas outras nacionalidades eram compostas de assírios, caldeus e siríacos.

Os caldeus, que representam a maioria dos cristãos do Iraque com 600 mil membros, formam uma comunidade católica de rito oriental. O ex-vice-primeiro-ministro Tarek Aziz, hoje prisioneiro, é o caldeu mais conhecido.

Os assírios, cerca de 50 mil, são cristãos que permaneceram fiéis ao nestorianismo, doutrina segundo a qual deve-se distinguir em Cristo duas naturezas: a humana e a divina; não uma só pessoa humana e divina ao mesmo tempo como afirmam os católicos. O cisma da igreja nestoriana ocorreu no ano de 431 depois do concílio de Efeso.

Ainda habitam o Iraque siríacos católicos e ortodoxos, armênios católicos e ortodoxos e, desde o mandato britânico, protestantes e católicos da Igreja latina.

Muitos cristãos iraquianos ainda falam o arameu, a língua de Jesus Cristo. Na década de 1970, foram publicadas revistas culturais bilíngües (árabe-siríaco) e surgiram os primeiros programas radiofônicos e televisivos em arameu.

No Curdistão, ao norte do país, há aproximadamente 150 mil cristãos, a maioria deles caldeus.

Os cristãos estão representados por um único ministro no governo interino de Iyad Allawi.

Desde o princípio dos anos 80, a pobreza e as guerras levaram muitos deles a abandonar Iraque. Em 15 anos, quase meio milhão de cristãos deixaram o país.


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