Cuba enfrenta três semanas de protestos
Publicado em 20 mar 2026 • Atualizado em 19 mar 2026


A profunda crise econômica e energética de Cuba desencadeou uma nova onda de protestos em todo o país nos últimos dias. As manifestações já duram mais de três semanas, ecoando os protestos históricos de 2024 e denunciam a falta de energia, de alimentos e insegurança que tem afetado diversas igrejas e famílias cristãs em Cuba.
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Manifestações pacíficas e protestos violentos
“O barulho das panelas não para”, diz Gregorio, um pastor em Cuba. Para muitos, essa é uma forma de protestar contra a crise contínua.
Embora a maioria dos protestos seja pacífica, alguns se tornaram violentos. Em 14 de março, manifestantes atacaram e incendiaram um escritório do Partido Comunista em Morón. Cinco pessoas foram detidas após o incidente.
População cubana recebe apenas duas horas de energia por dia
O principal problema é a eletricidade. “A maioria das pessoas recebe apenas cerca de duas horas por dia”, explica Gregorio. Fora da capital, Havana, os apagões podem durar entre 22 e 24 horas e afetam 60% da ilha, segundo o Infobae.
A escassez de combustível agrava a situação, com preços de gasolina muito acima do que a maioria pode pagar. Um litro de gasolina pode custar duas vezes o salário-mínimo, tornando o transporte um luxo.
Escassez de alimentos
Os preços dos alimentos continuam subindo, tornando itens básicos inacessíveis. “Os ovos já chegaram a custar mais que um salário mensal, e os preços continuam subindo”, diz Luis, outro pastor que apoia comunidades vulneráveis em Cuba.
Cristãos locais também relatam que muitas famílias passam fome. A falta de combustível também limita a produção e o transporte de alimentos, deixando as prateleiras quase vazias.
“Algumas vão dormir sem jantar e acordam sem café da manhã, e muitas crianças deixam de ir à escola porque a fome as vence antes de chegarem lá”, acrescenta o pastor Gregorio.
Hospitais sem medicamentos e suprimentos
Os apagões estão prejudicando o abastecimento de água e o sistema de saúde. Pelo menos 80% do sistema de água depende de eletricidade, deixando bairros sem água por dias.
Os hospitais são especialmente afetados. “Dias sem água ou energia tornam a vida quase impossível. Pessoas estão morrendo porque não há medicamentos nem suprimentos”, diz o pastor Luis.
Comunicações interrompidas após seis apagões em três meses
“Apagões recorrentes estão dificultando a comunicação e a resposta a emergências em todo o país. A real extensão da situação só ficará clara quando a energia for restabelecida”, diz Laura (pseudônimo), integrante da equipe da Portas Abertas no país.
O impacto ficou evidente na noite de 16 de março, quando um terremoto de magnitude 5.8 atingiu o Leste de Cuba durante um apagão nacional.
O blecaute – o sexto em apenas três meses – ainda continua em algumas áreas da ilha, dificultando avaliar a dimensão dos danos e limitando a capacidade das autoridades de responder à emergência.
Suspensão de cultos em igrejas cubanas
Alex também aponta novos riscos: “Sem energia, as igrejas se tornam alvos fáceis para ladrões”. Como resultado, muitas congregações suspenderam os cultos noturnos ou colocaram alguém para vigiar o local durante a noite.
Apesar dos desafios, as igrejas continuam ajudando. Com recursos limitados, algumas oferecem refeições para crianças e idosos.
“Acordamos às três da manhã, mesmo exaustos, para preparar as refeições. É claro que a situação nos afeta, mas somos chamados a servir”, acrescenta Gregorio.
Enquanto a situação não melhora, líderes cristãos pedem ajuda em oração.
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