Culto é invadido e cristãos são multados pela polícia no Cazaquistão

A liberdade religiosa prevista na Constituição do país continua a ser violada pelas autoridades

No início do mês de janeiro, a polícia invadiu uma reunião de adoração em Oral, Noroeste do Cazaquistão, e multou Dmitry Isayev e Vladimir Nelepin por realizarem a reunião sem aprovação do Estado. Alguns dias depois, outro cristão, Nikolai Novikov, foi multado por distribuir literatura cristã na rua.

Não é a primeira vez que Novikov enfrenta acusações e, como membro do Conselho Batista de Igrejas, ele se recusa a pagar as multas. A igreja não registra ou paga multas, argumentando que não deve ser punida por exercer o direito à liberdade religiosa. Em 2020, pelo menos 16 cristãos cazaques foram multados por atividades religiosas ilegais, incluindo liderar uma igreja não registrada e distribuir e vender literatura cristã.

Caminhando para a mudança?

As atividades religiosas são fortemente controladas pelo governo do Cazaquistão, sob o pretexto de acabar com a ameaça do extremismo islâmico. Apenas igrejas aprovadas pelo Estado são permitidas, e as comunidades protestantes são particularmente visadas por serem consideradas "estrangeiras" e uma ameaça ao sistema político. Outros grupos, como as Testemunhas de Jeová e determinadas seitas muçulmanas também enfrentam perseguição.

Em 2020, no entanto, a Comissão dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional, um órgão bipartidário do governo, observou que as coisas começaram a mudar no Cazaquistão. Não só houve uma diminuição nos processos administrativos envolvendo crimes religiosos em 2019, como o governo arquivou a implementação de novas restrições com base em uma lei religiosa restritiva de 2011. O governo também começou a se envolver com entidades dos EUA com o objetivo de melhorar a liberdade religiosa no país. 

Os parceiros da Portas Abertas na Ásia Central acreditam que ainda é cedo para ser otimista sobre os desenvolvimentos no Cazaquistão. "As eleições, no final de 2020, foram realizadas sem que nenhum partido da oposição participasse e a atitude do governo em relação a ativistas e jornalistas também não mudou. Não sabemos o que esperar para os cristãos no país", compartilha um colaborador.

No ano passado, duas igrejas vizinhas na capital Nur-Sultan foram informadas de que os edifícios eram necessários para a construção de um novo jardim de infância. Na época, representantes de igrejas da área disseram aos parceiros da Portas Abertas que as igrejas registradas eram verificadas com frequência e enfrentavam maiores restrições; para igrejas não registradas, a situação era ainda pior.

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