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Discurso de ódio causa clima de insegurança na igreja

Mídia local e nacional incita o ódio contra a pequena comunidade cristã do país, ligando-a ao caso Andrew Brunson
Portas Abertas • 04 mar 2019
Igreja cristã em Ankara, capital da Turquia, onde a comunidade cristã está insegura e sem direitos

O caso do pastor americano Andrew Brunson, que ficou preso por dois anos na Turquia, desencadeou um aumento no discurso de ódio contra a pequena comunidade cristãdo país. Líderes cristãos da Turquiaafirmam que há um “clima de insegurança” nos indivíduos e nas igrejas. De acordo com o relatório anual de direitos humanos de 2018 da Associação Turca de Igrejas Protestantes, o número de ataques que incitavam o ódio aos cristãos “simplesmente por causa da sua crença” nos meios de comunicação locais e nacionais do país aumentaram durante a prisão de Brunson.

O relatório disse que as 150 igrejas protestantes do país acompanharam de perto o caso do pastor Brunson e foram incomodadas com a prática comum da mídia de associar igrejas e cristãos com organizações terroristas, sem dar nenhuma prova ou evidência. Pelo contrário, acusações de falsas testemunhas contra Brunson foram tomadas como verdadeiras. Publicações locais e nacionais se recusam a conceder a igrejas e indivíduos caluniados seu direito constitucional de resposta.

Embora o governo tenha promulgado uma Lei de Proteção de Dados Pessoais, durante o caso de Brunson, a mídia turca publicou nomes, detalhes pessoais, fotos e atividades específicas da igreja em um contexto negativo, afirmou o relatório. O membro de uma igreja cristãfoi acusado por um jornal de circulação nacional de apoiar uma organização terrorista após ter visitado uma igreja na cidade de Van. Ele teve seu nome e o nome de sua empresa publicados abertamente, o que levou a uma perda de contratos da empresa.

Cristãos não têm seus direitos preservados

Cristãos das cidades de Diyarbakir, Mardin, Izmir e Manisa tentaram uma ação judicial contra a “propaganda traiçoeira”, ligada ao caso do pastor Brunson, contra suas igrejas e líderes, diz o relatório. Mas as autoridades ou se recusaram a investigar ou não puniram os acusados. O relatório também reiterou os vários casos de problemas não resolvidos que a igreja protestante turca enfrentou na última década. Como por exemplo, a dificuldade de estabelecer lugares de culto e restrições legais para a realização de seminários ou outros tipos de educação religiosa formal para crenças não muçulmanas. Eles apontaram também a ausência de um caminho legal para a obtenção de uma identidade como congregação religiosa.

O governo não convida a comunidade cristãou seus representantes para encontros de grupos religiosos que organiza. Além disso, o governo não reconheceu, ainda, a Associação de Igrejas Protestantes, formada em 2009. Outro fator apontado pelo relatório é que membros estrangeiros de igrejas cristãsresidentes em Istambul, Izmir, Mersin e outras cidades foram deportados ou tiveram a reentrada no país negadaem 2018, enquanto outros receberam notificação para deixar o país em dez dias, após terem renovação do visto negada.

Das 150 igrejas protestantes existentes no país (mais concentradas em Istambul, Ankara e Izmir), apenas dez têm um prédio oficial – a maioria deles prédios históricos. Há cerca de 25 igrejas domésticas que não são legalmente reconhecidas. A nota positiva é que em 2018 uma igreja teve aprovação para formar uma fundação religiosa e outra está no processo, esperando aprovação.

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