Europa e Estados Unidos deixaram de ser o centro do cristianismo

Cerca de 1,24 bilhão de cristãos encontra-se na África, Ásia, Oceania e América Latina

| 02/08/2004 - 00:00

O mundo em que as igrejas e os cristãos vivem até os confins da terra é plural

O mundo em que as igrejas e os cristãos vivem até os confins da terra é plural


A Europa e os Estados Unidos, antigos bastiões e impulsionadores do movimento missionário, deixaram de ser o centro de gravidade do cristianismo e foram substituídos por igrejas de outras regiões, disse o presidente da Aliança Reformada Mundial (ARM), Choan-Seng Song, ao apresentar no sábado, 31 de julho, o relatório para a 24ª Assembléia Geral desse organismo que representa 75 milhões de fiéis em mais de 100 países.

Dos 2 bilhões de cristãos que há no mundo, 1,24 bilhão encontra-se na África, Ásia, Oceania e América Latina, e 821 milhões na Europa e na América do Norte, contabilizou Song, baseando-se em relatórios divulgados este ano pela Enciclopédia Britânica.

Para o pastor presbiteriano de Taiwan, essa proporcionalidade verifica-se também no campo das igrejas reformadas. Dois terços das igrejas membros da ARM estão fora da Europa e da América do Norte.

As igrejas que difundiram o cristianismo ao resto da Terra parece que estancaram numericamente e perderam o vigor espiritual. Agora percebe-se uma maior influência das igrejas procedentes dos confins da terra, que mostram sinais indiscutíveis de vigor e crescimento, de modo especial as igrejas carismáticas, mas também as igrejas herdeiras da Reforma, disse.

Assim como o futuro da economia mundial vai depender mais dos países e povos do mundo em desenvolvimento, também as igrejas e os cristãos dos confins da terra desempenharão uma função decisiva no futuro do cristianismo, prognosticou Song.

Essa situação introduz muitos desafios e responsabilidades. Do ponto de vista cultural e religioso, o mundo em que as igrejas e os cristãos vivem até os confins da terra é plural. As missões cristãs trataram de convertê-lo num mundo monolítico, dominado pelo cristianismo, mas isso não funcionou, ao contrário, gerou conflitos.

Temos que impedir que se exija deste mundo de Deus que se adapte à fé e à teologia idealizadas pelas igrejas do passado e, ao contrário, temos de remodelar nossa fé e teologia à luz do mundo plural de Deus, defendeu.

A reconstrução da comunidade é outro desafio que a ARM deve encarar, disse o professor Song. Nos últimos anos testemunhamos a forma como a comunidade humana manchou de sangue e foi assolada por conflitos ocasionados não somente por forças políticas e econômicas, mas por forças religiosas. É curioso que as religiões que professam a paz, o amor e a salvação provoquem temor, ódio e destruição no mundo, declarou.

O presidente da ARM propôs que as igrejas sejam comunidades abertas e não alheias às necessidades da sociedade, e que sejam comunidades de cura, sem deixar de lado a luta pela justiça econômica, racial e de gênero.


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