Espancados por estudar a Bíblia

| 22/03/2004 - 00:00


Alguns integrantes da equipe de Portas Abertas tiveram o raro privilégio de visitar a província de Dak Lak no Vietnã e ouvir as histórias dos alunos da Escola Bíblica Galiléia que sofreram nas mãos da polícia local. A Escola Bíblica Galiléia é um programa de treinamento que Portas Abertas patrocina para preparar principalmente pastores e líderes tribais. A província de Dak Lak está situada no planalto central do Vietnã, conhecido por ser o lar de milhares de cristãos que estão suportando as opressivas táticas do governo contra o cristianismo. Que o testemunho deles estimulem os crentes da Igreja Livre a lutarem de joelhos em oração pela Igreja Sofredora.

Angh*
Tenho 16 anos e sou da tribo J’rai. Sou obreiro da igreja e aluno do curso vida de Jesus (classe de discipulado da Escola Bíblica Galiléia).
Um dia eu fui chamado à delegacia de polícia para ser interrogado. A polícia me perguntou a respeito do curso sobre a vida de Jesus que eu estava freqüentando. Eu lhes disse que estava estudando a Palavra de Deus. Um policial pegou um porrete e me entregou, perguntado-me o peso dele. Eu lhe disse que era muito pesado. Outro policial me ameaçou de que se eu não lhes dissesse o que estava estudando na aula, eu seria espancado na cabeça com o porrete. Depois de alguns instantes, um policial pegou o porrete e bateu na minha cabeça. Fui direto ao chão. Minha cabeça doía demais e eu não via nada a não ser escuridão ao meu redor. Então ouvi uma voz ameaçadora que dizia: Você estuda a Bíblia na classe, o que é contra a lei do Vietnã. Você sabe disso? Pare de estudar ou... A polícia me liberou e mandou-me para casa. Alguns dias depois da pancada na cabeça comecei a perder o apetite. Eu ainda sentia a dor na cabeça e no corpo. Ainda me sentia atordoado de vez em quanto. Minha família ficou muito preocupada e me disse para não ir mais às aulas. Mas eu estou convencido que para seguir o Senhor, tenho de aprender Sua Palavra. Continuei a estudar a Bíblia. Nossa classe ainda está funcionando. Nós não temos medo. Depois do incidente minha fé ficou mais forte.

Nate*
Tenho 18 anos e sou aluno do curso Vida de Jesus (classe de discipulado da Escola Bíblica Galiléia). Sou da tribo j’rai da província de Dak Lak.
Não consigo lembrar a data exata, mas lembro-me de tudo o que aconteceu. Um dia, recebi um memorando da polícia para ir à delegacia do distrito policial para um encontro com um oficial da polícia. Quando cheguei lá, fui levado a uma sala onde fui subitamente espancado. Fui atingido por um porrete. Eles bateram no meu corpo e depois nas minhas canelas. A polícia forçou-me a falar-lhes sobre o curso que estou freqüentando. Quem está dando as aulas? Você é pago para estudar? Eu não disse uma palavra. Eles me bateram com o porrete várias vezes e disseram que me bateriam até a morte se não lhes dissesse algo sobre o curso. Então um deles chutou minha virilha. Desmaiei, caindo inconsciente. Quando eles viram aquilo, prepararam um certo documento para que eu assinasse.
Eles me levaram para uma sala onde estavam sendo mantidos outros cinco irmãos. Eles nos detiveram de 13:00h às 17:00h sem comida nem água. Finalmente, eles ordenaram que fizéssemos uma fila para sermos novamente interrogados. Eles me perguntaram: Você sabe como se come? Eu disse: ‘Sim’. Você consome bebida alcoólica? Eu disse: ‘Não’. Você sabe como namorar uma garota? Não respondi mais.
Um deles me forçou a assinar o documento que parecia ser uma ata da reunião. Eu me recusei. Eles me forçaram a prometer não ir mais às aulas. Também não prometi. Eles me insultaram bastante e finalmente me liberaram. Cheguei em casa com escoriações por todo o corpo. Eu estava bastante tonto, mas muito feliz. O Espírito Santo me confortou e me ajudou permanecer firme sem medo. Fui muito abençoado em fazer parte da classe de estudos da vida de Jesus porque vim a conhecer o Senhor cada vez mais, fortalecendo minha fé nEle. Eu ainda continuo estudando mesmo que isso cause minha morte.

Troy*
Eu sou Troy, tenho 25 anos, sou casado e tenho dois filhos. Sou aluno da Escola Bíblica Galiléia e estudo a série vida de Jesus.
Um dia, fui chamado à delegacia de polícia. Lá a polícia me questionou por que eu cria no Senhor Jesus. Eles perguntaram: Você vê Jesus? Depois começaram a me espancar com um porrete. Eles gritavam: Você segue a Jesus, você está morto! Ele me bateram na cabeça e no estômago. As autoridades locais me forçaram a negar minha fé em Cristo com tais atos de violência. Eles me disseram que eu não ganho nada em seguir a Jesus. Eu lhes disse que tinha ganho minha salvação no Senhor. Eles me chamaram de estúpido por falar do Evangelho a outras pessoas e por estudar a Palavra de Deus. Eles reagiram com mais espancamentos e insultos. Caí inconsciente. Eles me levaram a uma sala onde estavam sendo mantidos outros seis cristãos.
Quando cheguei em casa naquele dia, estava sentindo uma dor terrível. Eu não podia comer e durante seis dias tomei somente mingau de aveia. Um dos irmãos da igreja me viu e notou que o meu estado era grave. Ele me levou a um hospital para tirar radiografia. Depois disso o médico simplesmente me liberou. Ele nem sequer cobrou pela consulta, nem deu o resultado. Quando perguntamos a respeito do resultado médico, ele disse ter ordens de dois policiais para não falar. Nós não sabíamos que a polícia tinha nos seguido quando fomos ao hospital.
Depois disso, a polícia me chamou novamente, mas não me atrevi a ir. Fiquei com medo de ser novamente espancado. Até agora sinto dores na cabeça e no estômago. Por-favor, orem por mim.

KL*
Me chamem apenas de KL. Tenho 37 anos e também sou da tribo J’rai. Sou casado e minha esposa e eu temos cinco filhos. Eu estudo a Palavra de Deus através do curso vida de Jesus.
A exemplo de outros cinco irmãos, eu fui chamado para ir à delegacia policial do distrito para ser interrogado a respeito do nosso curso vida de Jesus. Eu disse que estava estudando a Bíblia junto com os outros que eles haviam convocado. Eles se recusaram a acreditar em mim. Eles suspeitavam que estivéssemos nos reunindo para outra finalidade. Eu lhes disse que estávamos aprendendo a Palavra de Deus juntos e que esse era o único propósito de nos reunir-mos. Em vez de aceitar minha explicação, deram-me um golpe no peito que me deixou ofegante por uns instantes. Tive tanta dificuldade para respirar que perdi a consciência. Eram então 8:00h e eles queriam que eu ficasse até o meio-dia sem comida nem água. Eu disse ao oficial que eu estava simplesmente seguindo o Senhor Jesus. Então eles me forçaram a assinar um documento, registros daquele interrogatório, mas eu me recusei. Mandaram-me para outra sala onde fiquei até 13:30h. Chamaram-me e me bateram novamente exatamente como haviam feito naquela manhã. Eles somente me liberaram às 16:00h.
Meu corpo foi gasto, doendo em cada parte, mas meu espírito estava ficando mais forte. O curso vida de Jesus me preparou para um momento como este. Ele me preparou para enfrentar maus tratos e me capacitar a permanecer forte em meio a todo tipo de perseguição. A fé da minha esposa ficou também mais forte. Ela me apoia muito mais agora nos Estudos Bíblicos que eu faço sem qualquer temor. Somente posso agradecer ao Senhor.

*Nomes trocados por razões de segurança.


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