Busca pelo verdadeiro alimento para a vida

| 08/11/2005 - 00:00


Por três anos seguidos, a Coréia do Norte está em primeiro lugar na Classificação de Países por Perseguição da Portas Abertas, que lista os países onde a perseguição aos cristãos é mais intensa. Nesse "paraíso comunista", há algumas igrejas que demonstram manter a aparência de religião, mas que os cristãos não têm certeza de sua vida.
 
Kim Il Sung, o deus dos norte-coreanos, que faleceu em 1994, queria transformar seu país em um paraíso na terra. O homem que tão "heroicamente libertou" a Coréia do Norte dos japoneses não manteve a sua promessa, contudo os retratos de Kim Il Sung enchem as ruas e suas estátuas encontram-se elevadas sobre os telhados das casas. Todos os coreanos e mesmo turistas precisam se prostrar diante da sua imagem.
 
Os rostos dos norte-coreanos são geralmente sombrios. Quase todas as pessoas vão ao trabalho a pé. Fora das cidades, as roupas são freqüentemente lavadas nos rios e poças. Estima-se que dois milhões de pessoas morreram de desnutrição nos anos 1990.
 
Atualmente, os campos de prisão refletem as trevas por todo o país. Duzentas mil pessoas estão sendo levadas à morte em campos de trabalho. Doenças, tortura e execuções públicas são comuns. Nesse "paraíso terrestre", o estado determina onde você vive, onde você trabalha, que esporte você pratica, o que você come e se tem alimento para comer.
 
De certa maneira, o Partido Comunista é a fonte e o alvo da vida. Os comunistas até mesmo criaram sua própria trindade: Kim Il Sung (o pai), Kim Jung Il (o filho) e a ideologia Juche, declarando que todo o norte-coreano deve prover para si.
 
Cruzando o rio

Pil Soo Kim estava em pé, seminu no quase congelado rio Tumen. Somente 30 metros o separavam da China. Ele estava tremendo, mas tinha que prosseguir. Sua família estava passando fome. Naquele local, no outro lado do rio, ele poderia obter algum alimento: "Será que a polícia da fronteira está me observando com o binóculo?" Ao mesmo tempo, sentiu-se culpado. "Estou traindo meu país. Isto não é permitido. O que acontecerá se eu for apanhado? Eles me matarão. O que acontecerá com Myung Hee e com as crianças? Elas ficarão encarceradas. Por dois ou três anos; talvez sete. E o que acontecerá se elas não tiverem sorte? O pelotão de fuzilamento".
 
Não, Pil Soo não deveria pensar assim. Com a ajuda do guia que ele havia contratado, Pil Soo cruzou o rio. Ao chegar à China, eles caminharam por mais duas horas para chegar até o endereço do contato. O café da manhã que foi servido a Pil Soo deixou-o perplexo. Havia arroz, carne de gado e muito mais. Mesmo no exército, ele nunca havia recebido tanta comida. Seus olhos encheram-se de lágrimas. "Como gostaria que a minha família estivesse aqui comigo".
 
Pil Soo não acreditava em Deus

As pessoas que receberam Pil Soo eram cristãs chinesas extremamente hospitaleiras. No dia seguinte, ele foi encontrar um coreano-chinês que havia ido à Coréia do Norte no ano anterior. Ele disse a Pil Soo que Deus o amava e tinha um plano para ele. Pil Soo não acreditava em Deus. A situação terrível na qual ele vivia tornava a existência de Deus impossível para ele.
 
Após alguns dias, Pil Soo retornou para a Coréia do Norte com alimentos.  Mais tarde, ele cruzou mais duas vezes a fronteira para a China. Cada vez que ele cruzava, aprendia mais sobre Deus. Na Coréia do Norte, ele começou a contar aos seus melhores amigos sobre o que aprendia. 
 
Certo dia, Pil Soo soube que deveria comparecer na delegacia no dia seguinte para dar conta de suas excursões à China. Naquela noite, ele disse à sua mulher: "Myung Hee, prepare uma boa refeição. Use todos os suprimentos que temos. Hoje à noite fugiremos".
 
Após a refeição, Pil Soo e Myung Hee partiram. Eles deixaram os filhos com parentes. Na fronteira, contudo, eles foram descobertos e presos. Eles foram interrogados durante dias e não receberam nada para comer ou beber. Pil Soo foi severamente maltratado. Em uma noite, ele orou do fundo do seu coração: "Senhor, se o Senhor me libertar, eu dedicarei toda a minha vida a Ti".
 
Em paz, Pil Soo e Myung Hee adormeceram. Um pouco mais tarde, quando Pil Soo acordou, ele automaticamente foi até a porta da cela. Ele a empurrou e estava cravada no local, mas tornou-se visível que um leve empurrão seria suficiente para abrir a porta. Pil Soo e Myung Hee sentiam tanto temor como alegria enquanto escapavam em liberdade.
 
Dessa vez, eles conseguiram atravessar a fronteira. Mais tarde, seus filhos puderam escapar da Coréia do Norte com a ajuda de coreanos chineses. Finalmente, eles chegaram na Coréia do Sul como uma família.
 
Irmão Peter

É impossível que os ocidentais encontrem cristãos na Coréia do Norte. Se for descoberto que alguém é cristão, ele é encarcerado em um campo de trabalho. Os cristãos não saem de lá vivos (somente por meio de um milagre).
 
O irmão Peter (um pseudônimo) trabalha na China e possui muitos contatos com a Igreja clandestina na Coréia do Norte. "É importante que os cristãos que estão fora da Coréia do Norte sintam-se comprometidos com seus irmãos da Coréia do Norte. Por exemplo, eu lhes falei sobre a campanha de oração internacional. Eles ficaram muito esperançosos com a campanha".
 
O regime de Kim Il Sung não hesita quanto ao abuso de crianças. Com freqüência, as crianças inconscientemente traem seus pais. "Isto significa que é melhor não lhes falar diretamente sobre a Bíblia", disse Peter. "As histórias da Bíblia são contadas em um outro contexto. A história de Davi e Golias, por exemplo, é contada como se acontecesse na Coréia do Norte. Também, sabe-se que depois da oração pública, as crianças são curadas de doenças. Dessa forma, elas entram em contato com o Evangelho".
 
Muitos norte-coreanos tentam fugir para a China, porque a fronteira com a Coréia do Sul está fechada. Peter disse: "Há muitos cristãos chineses e coreanos vivendo na região da fronteira. Eles freqüentemente tentam ajudar as pessoas e lhes falar de Jesus. Entretanto, é de extrema importância para a China manter a Coréia do Norte. Se Kim Jung Il perder poder e as duas Coréias se unificarem, a China perderá sua posição e haverá americanos na fronteira. A fim de evitar isso, eles procuram refugiados coreanos e pessoas que os ajudem. Os refugiados são enviados de volta para a Coréia do Norte, onde eles são freqüentemente executados em público".
 
Esperança

Então, há esperança neste país? "Certamente há", disse o irmão Peter. "Em minha opinião, é uma questão de tempo antes de o presente regime perder força. É possível perceber que as pessoas não acreditam mais em mentiras. Elas estão buscando o verdadeiro alimento para a vida".
 
Nota: Este artigo serve-se do manuscrito de Paul Estabrooks "Alimento para a Vida", publicado em forma de livro na Holanda, sob o título Overleven in Noord-Korea (Sobrevivendo na Coréia do Norte).


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