Ashaninka: um povo vitorioso

| 18/06/2004 - 00:00


Lea é uma garota do povo Ashaninka no Peru, uma tribo que enfrentou o pavor da guerra civil contra o Sendero Luminoso, na década de 1990. Próspero e mais culto do que a maioria das pessoas dos grupos indígenas na selva central do Peru, o povo Ashaninka ocupou o valioso território que escarranchou a rota do Sendero Luminoso, escolhida para conduzir sua guerra nas planícies da Amazônia.

Aproximadamente 25 mil Ashaninkas tornaram-se cristãos nas décadas antes do conflito. Sua fé baseada na Bíblia levou-os a resistir à ideologia radical marxista que o Sendero Luminoso adotou, determinou a cena para uma batalha prolongada e freqüentemente sanguinária entre o povo Ashaninka e as guerrilhas.

Missionários avaliam que aproximadamente 1.500 Ashaninka - um a cada vinte - morreram nas mãos de militantes do Sendero Luminoso. Outras centenas viveram por muitos anos em pobreza virtual diante dos rebeldes. As guerrilhas ameaçaram matar as famílias de homens e mulheres Ashaninkas, caso eles não se unissem ao Sendero Luminoso nos ataques das vilas vizinhas. Quando o Sendero Luminoso retirou a maior parte de suas forças das florestas centrais, aos meados dos anos 1990, pequenos grupos de Ashaninka emergiram dos campos de concentração das guerrilhas a fim de reconstruir suas vidas.

No momento em que as famílias Ashaninka começaram a se levantar financeiramente, desastres reiniciaram, contudo, desta vez, na forma de enchentes assoladoras. Em abril de 2001, um grande número de pessoas afogou-se em rios tropicais avolumados, ou assistiu as águas da inundação levar suas casas, plantações e gado.

Desde 1993, Portas Abertas tem trabalhado lado a lado com a missão parceira Segadores (Harvesters) no Peru, a fim de ministrar ao povo de Ashaninka e seus vizinhos de Yanesha, na floresta central. Sob a liderança de Peter Hocking, missionários de Segadores - a maioria deles são peruanos natos - lideram conferências de treinamento, com o objetivo de curar feridas emocionais e psicológicas sofridas durante a guerra e suas conseqüências.

Eles ensinam as mulheres tribais a costurar e a realizar outras atividades domésticas, desta forma, ajudando-as a melhorar seu padrão de vida. No ano passado, 230 cristãos de Ashaninka puderam participar destes seminários, parcialmente através de apoio logístico e financeiro de Portas Abertas.

Para os cristãos de Ashaninka que têm um chamado para pregar o evangelho, Segadores possui escolas missionárias a fim de provê-los com conhecimento bíblico e meios para colocar seus ministérios em prática nas florestas centrais. Em 2003, Hocking e sua equipe dedicaram mais de 450 horas de aulas a 24 missionários de Ashaninka em treinamento.

"Já que o principal objetivo dos Segadores é alcançar os povos não-alcançados do Peru e do mundo, um de nossos principais ministérios é o treinamento de missionários transculturais", Hocking recentemente relatou. "Por isso, o programa de Treinamento Missionário ETAE absorve muita atenção e trabalho nos primeiros meses de cada ano".

"O treinamento deste ano foi muito especial por vários motivos. Uma das bênçãos foi que o Senhor trouxe-nos cinqüenta alunos, assim sendo o maior grupo que nós tivemos nos últimos tempos. Uma outra benção especial é que a maioria dos alunos eram trabalhadores tribais. Isto é importante porque nós acreditamos que os trabalhadores nativos podem fazer o trabalho muito melhor do que nós, já que eles são apropriadamente motivados e treinados".

"Uma parte de nosso programa de treinamento é designada para crianças que tenham seus corações em missões. Este programa é chamado ETAE Júnior. Neste ano, nós fizemos um esforço especial para incluir crianças e adolescentes que são filhos de pastores nativos e que desejam servir ao Senhor quando crescerem, e vinte crianças puderam participar do ETAE Júnior. Elas eram crianças especiais de todas as maneiras".


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