Disputas de terra desanimam Igreja em Zanzibar

A Missão Portas Abertas está em férias coletivas entre os dias 22 de dezembro e 2 de janeiro.

Nesseperíodo, o site terá um conteúdo especial, com testemunhos que podemser usados nas igrejas, em pequenos grupos ou em qualquer situação, paraa edificação do Corpo de Cristo.

Representantes de Portas Abertasforam encorajar recentemente o Pastor Adriano Mhina (42), fundador daigreja Vida Cristã, na região de Mbweni, fora da cidade de Zanzibar, queteve o prédio de sua igreja demolido na noite de domingo, dia 27 dedezembro, após uma disputa de terra com um funcionário do governo.

O Pastor Adriano disse aos representantes de Portas Abertas que a igrejaVida Cristã começou a ministrar em 2006 a ex-muçulmanos que não tinhamaonde cultuar por medo da perseguição. “Decidimos começar uma comunidadena casa de um de nossos membros para que fosse mais fácil para osex-muçulmanos frequentarem”, contou o Pastor Adriano.

Cinquenta e dois membros compareceram a essas reuniões. Isto foi atémaio de 2008, quando receberam ordem das autoridades de evacuar a casade propriedade do governo. Os membros da igreja Vida Cristã, então,mudaram-se para outra residência, apenas para serem expulsos novamentedois meses mais tarde.

Na época da segunda ordem de evacuação, o Pastor Adriano conheceuBenedictus Lucas Michel. Benedictus tinha morado na terra de propriedadedo governo desde 1967 e, em 1999, o comissário do distrito emitiu umacarta de direito que supostamente atestava sua posse da terra. Logodepois, a carta foi enviada ao cartório para o registro da propriedadede Benedictus. Ele permitiu que a igreja erguesse um prédio provisóriode reuniões em sua terra enquanto continuava as negociações com ogoverno pelos documentos de posse da terra.

Para a grande frustração do Pastor Adriano, o ministro da terra erepresentante do gabinete da província, Mansoor Yusuph Himid, anunciouem 25 de dezembro do ano passado que a terra de Benedictus, na qualpermanecia a igreja Vida Cristã, pertencia agora ao governo e que tinhasido dada a outro partido para imediata construção de outro prédio.

Dois dias mais tarde, membros da igreja Vida Cristã notaram que havia umfosso atravessando a área da igreja. Um grupo de cerca de vinteoperários informaram de forma zombeteira aos membros que eles tinhamsido enviados para escavar as fundações do novo prédio e demolir oprédio da igreja após o culto de domingo. Eles também alertaram osmembros de que qualquer tentativa de interferir com o seu trabalholevaria à prisão por ordem do ministro Mansoor que, de acordo com oPastor Adriano, havia prometido anteriormente intervir em favor dacongregação.

Em uma tentativa de negociar, Adriano disse aos operários que tinha umencontro com o ministro, em sua residência, para discutir o assuntodentro de dois dias. Os operários insistiram que o Pastor Adrianotentasse antecipar o encontro para um dia mais cedo. O pastor concordouem se empenhar para isso, esperando que os operários fossem embora.

“Mas foi tudo um blefe!”, disse Adriano, decepcionado com o desenrolardos eventos. “Foi um blefe porque, quando o culto terminou e todos fomospara casa, eles demoliram o prédio”.

Adriano manteve seu encontro com o Ministro Mansoor no dia 29 dedezembro, que lhe prometeu compensá-lo com terra na região de Tunguu,cerca de 25 km ao sul. “Mas foi só isso”, disse o pastor, “...asautoridades não fizeram nada desde então”.  
Quando funcionários do governo ouviram sobre o incidente, orepresentante da região local encontrou-se com o ministro em umatentativa de solucionar a questão, mas nada saiu da reunião. A opiniãode Adriano é de que isso é porque o Ministro Mansoor é o mais antigorepresentante da região local.

“Eles não ficam felizes ao ver novas igrejas”, explicou Adriano quandoperguntado por que acha difícil as igrejas adquirirem terra.

A igreja Vida Cristã é apenas uma entre muitas igrejas em Zanzibar quetêm lidado com disputas de terra durante os últimos quatro anos.

Líderes das Assembleias de Deus Pentecostais compraram recentemente umpedaço de terra a cerca de seis quilômetros da igreja Vida Cristã. Osmembros haviam quase completado a construção do prédio da igreja quandotambém receberam uma ordem judicial para evacuar as dependênciasimediatamente. A questão foi levada ao tribunal, mas, até agora, nadafoi resolvido.

As Assembleias de Deus Tanzanianas em Tunguu também podem atestar sobreuma disputa de terra em andamento com funcionários do governo.

Durante 2006, a Comunidade das Igrejas Pentecostais da Tanzânia emMwera, cerca de doze quilômetros da igreja Vida Cristã, também tiveramuma experiência similar.

Por enquanto, a construção no local aonde permanecia o prédio da igrejaVida Cristã continua. E o Ministro Mansoor ainda está por cumprir suapromessa de compensação aos membros da igreja. Enquanto a disputacontinua, eles decidiram se reunir no litoral de Mbweni durante a semanae se juntar à vizinha igreja de Deus aos domingos até que a situaçãoseja resolvida.

A Portas Aberas está monitorando de perto o progresso da disputa deterra e frequentemente encoraja o Pastor Adriano enquanto aguarda pelaação do governo. Nós também queremos pedir que aqueles que os apoiamenviem cartas de encorajamento ao Pastor Adriano e aos membros da igrejaVida Cristã (veja as orientações abaixo).

Para entender mais

A constituição da Tanzânia, que inclui a ilha de Zanzibar, concedeliberdade de culto aos cidadãos, mas a maioria da população da ilhaadere ao islã e os fundamentalistas tendem a se opor ao cristianismo.Além disso, a comunidade dominante de muçulmanos em Zanzibar preferemuito mais o modo islâmico de herança da terra. O processo legal deadquirir terras, portanto, vai de encontro a essa tradição.

O fato de Zanzibar não possuir um sistema compreensivo para oassentamento de terras contribui para esse empecilho bem como para asconsequentes disputas de terras que as igrejas enfrentam.


*Texto publicado em: 26/04/2010

*Aguarde! Dia 5 de janeiro : a Lista de Classificação dos países por perseguição de 2011.