Instabilidade do outro lado da fronteira da Índia provoca impacto

A Índia é uma hegemonia intimidadora para países vizinhos

| 17/01/2005 - 00:00

A maior preocupação da Índia continua sendo o Paquistão

A maior preocupação da Índia continua sendo o Paquistão


Para os seus pequenos vizinhos, a Índia é uma hegemonia intimidadora, bem preparada para usar sua considerável força em todos os lados.

Vários dos vizinhos estão em desordem, por isso, a Índia teme que sua instabilidade esteja em perigo, descontrolando sua delicada estabilidade política.

A maior preocupação da Índia continua sendo o Paquistão. Um "diálogo composto" que iniciou mais cedo neste ano, como parte de um processo de paz melhorado, será retomado no fim deste mês. A Índia continua a suspeitar da inteligência paquistanesa de fomentar conflitos, não somente na Caxemira administrada pela Índia, mas em outras partes do país. Entretanto, há poucos meses, os indianos prestaram muita atenção à ameaça de outros vizinhos - através de ações deliberadas pelos governos ou por seu fracasso em manter o controle do seu território.

O estado enfraquecido mais próximo é o Nepal. Após a revolta sanguinária de oito anos, as guerrilhas maoístas têm o controle de 68 dos 75 distritos do Nepal. Atualmente, a força policial se afastou de todo a zona rural. Somente 100 de 1.135 delegacias de polícia estão funcionando.

Diplomatas indianos afirmam que a posse dos maoístas do Nepal seria o pior resultado possível para a Índia. Contudo, eles não fazem muita idéia de como impedir isso. As forças não-maoístas permanecem divididas, apesar de terem uma semelhança com o governo multipartidário. O rei controla o exército que a Índia tem ajudado através de apoio militar e de inteligência. Entretanto, isto pode encorajá-lo a acreditar na possibilidade de uma vitória militar, a qual a maioria dos analistas acredita que esteja, atualmente, acima do alcance e que atrase a decisão política até que seja tarde demais.

Os prognosticadores mais pessimistas, tais como Ajai Sahni, do Instituto para Administração de Conflitos e solucionadores de problemas de um instituto de pesquisa interdisciplinar temem que se os maoístas concordarem conversar em paz será meramente para discutir o modo de rendição do governo. Isto pode não ser iminente, mas provoca preocupações específicas devido ao próprio problema disseminado por maoístas da Índia. Os dois maiores e melhores 20 maoístas indianos ou os "Naxalite", grupos rebeldes, o Grupo de Guerra do Povo e o Centro Comunista Maoísta se fundiram no mês passado. Embora eles começassem a conversar com o governo de um estado, Andhra Pradesh, eles se recusaram entregar seu armamento e a violência, em menores níveis, continua por todos os lugares.

Dos 593 distritos da Índia, 157 foram afetados, a uma certa extensão, pelo Naxalismo - 102 deles foram adicionados à lista no ano passado. A Índia diz que eles têm ligações importantes com seus companheiros nepaleses. Contudo, mais importante do que qualquer apoio prático seria o encorajamento ideológico de uma vitória maoísta no Nepal.

Também, elevado na lista de países que causam preocupação - preocupantes para a índia e o Ocidente, do mesmo modo - está Bangladesh, cujo ministro do exterior, Morshed Khan, visitou Nova Delhi no fim do ano passado. A coalizão governante de Khaleda Zia inclui um partido islâmico que é acusado pela oposição local e alguns observadores estrangeiros de ser conivente da difusão do extremismo islâmico. Bangladesh ficou destruída por uma tempestade de bombas e ataques de granadas, uma delas que aconteceu em agosto de 2004, quase matou a maioria dos líderes do principal partido de oposição.

Comparações foram feitas entre os bombardeios em Bangladesh e as táticas de algumas das dezenas de grupos insurgentes armados que realizam campanhas separatistas no nordeste da Índia. Após os ataques terroristas contra os civis nos estados da Índia de Assam e Nagaland, oficiais indianos aceleraram suas críticas a Bangladesh por acolher e apoiar os militantes. O senhor Khan foi informado, novamente, que Bangladesh deve destruir "acampamentos de treinamento", embora seu governo negue sua existência e alguns observadores independentes afirmem que o número de acampamentos de treinamento é pequeno.

Uma mensagem parecida for transmitida em tom mais suave a Than Shwe, o mais alto general da junta do governo do Myanmar, quando ele estava em Nova Delhi. A Índia acredita que, aproximadamente, 1.500 insurgentes estão estabelecidos do outro lado da fronteira do estado indiano de Manipur. Entretanto, isto não é visto como resultado da política governamental. Ao contrário, como a China e a Tailândia também sabem o seu valor, as fronteiras ilegais de Myanmar permitem a exportação de todos os tipos de veneno - não somente a revolta, mas também drogas e AIDS. Muitos indianos lamentam receber com maior hospitalidade o ditador militar do Myanmar em um período em que um dos seus líderes democráticos, Aung San Suu Kyi, permanece em detenção. A Índia gosta de descrever sua abordagem como pragmática: encorajar a cooperação sobre assuntos de segurança e lutar pela influência com a China.

Ao menos o Sri Lanka, cujo presidente, Chandrika Kumaratunga, chegou em Nova Delhi em 3 de novembro, não é mais acusado de terrorismo na fronteira - embora os Tigres da Libertação (Liberation Tigers) de Tamil Eelam tivessem assassinado Rajiv Gandhi, um ex-ministro da Índia, em 1991. Porém, muitos indianos reagiram com preocupação ao desaparecimento de um estadista, liderado por um Tigre independente no norte da ilha. Em Colombo, a capital do Sri Lanka, algumas pessoas da elite da maioria Sinhalese argumentam que a Índia nunca poderia permitir isto porque levaria ao colapso do país. Tais considerações são raramente ouvidas na Índia, mas analistas estão preocupados com o novo interesse do nacionalismo em Tamil, no continente indiano.

Os vizinhos da Índia são tão minúsculos - até mesmo o Paquistão e Bangladesh-, que sempre se sentirão como moscas ao redor de um elefante. Contudo, há um sentimento crescente em Nova Delhi que se interessa por eventos na sua fronteira os quais não são periféricos, sob nenhuma condição.


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