Na Ásia Central, cristãos ex-muçulmanos enfrentam dupla perseguição

Eles são perseguidos tanto pelos governos ex-comunistas autoritários como pelo meio islâmico em que vivem

| 18/12/2019 - 06:00

O Turcomenistão é um dos países da Ásia Central onde os cristãos ex-muçulmanos são mais perseguidos

O Turcomenistão é um dos países da Ásia Central onde os cristãos ex-muçulmanos são mais perseguidos


No DIP 2020, que acontecerá no dia 13 de setembro, vamos concentrar nossas orações e ações em favor dos cristãos ex-muçulmanos de todo o mundo. Um grande número deles se encontra na Ásia Central. Essa região é formada por Azerbaijão, Cazaquistão, Turcomenistão, Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão e passou por um impressionante avivamento nos anos 90, com muitos muçulmanos indo a Cristo.

Nesses países, estima-se que de uma população de 322.700 protestantes, o número de cristãos ex-muçulmanos seja em torno de 320 mil. Um dos aspectos mais positivos é que eles estão bem integrados às igrejas protestantes da região. Conversões massivas ocorreram na época de abertura, mas se encerraram depois de 1998, quando houve um significativo êxodo de missionários e ministérios estrangeiros devido a restrições governamentais.

Para evitar confrontos com o governo, a Igreja Ortodoxa Russa mantém-se distante e há padres que frequentemente denunciam aqueles que se convertem do islã ao cristianismo. Nesse contexto, os cristãos podem ser pegos em uma rede de acusações, tais como: “você faz parte de uma seita”, “você não é muçulmano”, “você não é do nosso país”, “você é um traidor”.

A tendência é que a situação piore na região, à medida que os governos desses países se debatem em busca de uma nova legitimidade e não podem se abster de tentar usar o islã para reforçar seu governo. Isso cria uma dupla perseguição para os cristãos ex-muçulmanos – por parte do Estado, uma vez que estão fora do controle do governo e não podem recorrer a ele para ajuda, e dos líderes muçulmanos, pelo fato de terem abandonado o islã. Isso pode resultar em questões práticas relevantes, como por exemplo, não terem permissão para fazer enterros, visto que todos os cemitérios são controlados por clérigos islâmicos.

Onde ser cristão é crime

A perseguição aos cristãos na Ásia Central se apresenta de várias formas. A mais extrema é a criminalização do cristianismo. No Tajiquistão, por exemplo, policiais multaram e prenderam dez cristãos em agosto de 2018 por distribuírem literatura bíblica. No Cazaquistão, em 2017, as igrejas protestantes e pentecostais tiveram as atividades totalmente proibidas por três meses, estendendo-se a 2018. Em um período em torno de seis meses, 80 cristãos foram processados no país.

Na maioria dos países da Ásia Central, os pais não têm permissão de levar os filhos à igreja ou qualquer atividade religiosa. No Turcomenistão, onde a polícia usa a técnica que chama de “princípios de Stalin”, prisioneiros cristãos têm sido torturados. Também no Turcomenistão, mulheres cristãs ex-muçulmanas foram sequestradas e obrigadas a casarem com homens muçulmanos.

Assim, embora o Estado seja o principal agente de perseguição aos cristãos, o aumento do extremismo religioso também fez crescer a perseguição por parte da sociedade, sobretudo para os cristãos ex-muçulmanos. Desse modo, o cristianismo na Ásia Central representa um caso excepcional: ele reúne a experiência soviética de ateísmo estatal militante com o fato de ser uma minoria religiosa dentro do espaço muçulmano.

A Portas Abertas convida você a participar do DIP 2020, que abordará os cristãos ex-muçulmanos. Através de nossas orações e envolvimento, podemos contribuir para o fortalecimento dos cristãos ex-muçulmanos, para enfrentarem a perseguição de maneira bíblica, sem retroceder diante de restrições e ameaças. Cadastre sua igreja e faça parte do maior movimento nacional e interdenominacional de oração pela Igreja Perseguida no dia 13 de setembro de 2020.


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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