Na Ásia Central, cristãos ex-muçulmanos enfrentam dupla perseguição

Eles são perseguidos tanto pelos governos ex-comunistas autoritários como pelo meio islâmico em que vivem

No DIP 2020, que acontecerá no dia 13 de setembro, vamos concentrar nossas orações e ações em favor dos cristãos ex-muçulmanos de todo o mundo. Um grande número deles se encontra na Ásia Central. Essa região é formada por Azerbaijão, Cazaquistão, Turcomenistão, Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão e passou por um impressionante avivamento nos anos 90, com muitos muçulmanos indo a Cristo.

Nesses países, estima-se que de uma população de 322.700 protestantes, o número de cristãos ex-muçulmanos seja em torno de 320 mil. Um dos aspectos mais positivos é que eles estão bem integrados às igrejas protestantes da região. Conversões massivas ocorreram na época de abertura, mas se encerraram depois de 1998, quando houve um significativo êxodo de missionários e ministérios estrangeiros devido a restrições governamentais.

Para evitar confrontos com o governo, a Igreja Ortodoxa Russa mantém-se distante e há padres que frequentemente denunciam aqueles que se convertem do islã ao cristianismo. Nesse contexto, os cristãos podem ser pegos em uma rede de acusações, tais como: “você faz parte de uma seita”, “você não é muçulmano”, “você não é do nosso país”, “você é um traidor”.

A tendência é que a situação piore na região, à medida que os governos desses países se debatem em busca de uma nova legitimidade e não podem se abster de tentar usar o islã para reforçar seu governo. Isso cria uma dupla perseguição para os cristãos ex-muçulmanos – por parte do Estado, uma vez que estão fora do controle do governo e não podem recorrer a ele para ajuda, e dos líderes muçulmanos, pelo fato de terem abandonado o islã. Isso pode resultar em questões práticas relevantes, como por exemplo, não terem permissão para fazer enterros, visto que todos os cemitérios são controlados por clérigos islâmicos.

Onde ser cristão é crime

A perseguição aos cristãos na Ásia Central se apresenta de várias formas. A mais extrema é a criminalização do cristianismo. No Tajiquistão, por exemplo, policiais multaram e prenderam dez cristãos em agosto de 2018 por distribuírem literatura bíblica. No Cazaquistão, em 2017, as igrejas protestantes e pentecostais tiveram as atividades totalmente proibidas por três meses, estendendo-se a 2018. Em um período em torno de seis meses, 80 cristãos foram processados no país.

Na maioria dos países da Ásia Central, os pais não têm permissão de levar os filhos à igreja ou qualquer atividade religiosa. No Turcomenistão, onde a polícia usa a técnica que chama de “princípios de Stalin”, prisioneiros cristãos têm sido torturados. Também no Turcomenistão, mulheres cristãs ex-muçulmanas foram sequestradas e obrigadas a casarem com homens muçulmanos.

Assim, embora o Estado seja o principal agente de perseguição aos cristãos, o aumento do extremismo religioso também fez crescer a perseguição por parte da sociedade, sobretudo para os cristãos ex-muçulmanos. Desse modo, o cristianismo na Ásia Central representa um caso excepcional: ele reúne a experiência soviética de ateísmo estatal militante com o fato de ser uma minoria religiosa dentro do espaço muçulmano.

A Portas Abertas convida você a participar do DIP 2020, que abordará os cristãos ex-muçulmanos. Através de nossas orações e envolvimento, podemos contribuir para o fortalecimento dos cristãos ex-muçulmanos, para enfrentarem a perseguição de maneira bíblica, sem retroceder diante de restrições e ameaças. Cadastre sua igreja e faça parte do maior movimento nacional e interdenominacional de oração pela Igreja Perseguida no dia 13 de setembro de 2020.