Pastores e cantora cristã são presos

| 08/06/2004 - 00:00


A polícia da Eritréia prendeu três pastores proeminentes e uma cantora cristã popular nas últimas três semanas, intensificando a opressão governamental por dois anos contra os cristãos evangélicos no país.

Até o momento, nenhum destes cristãos foram apresentados no tribunal ou acusados de crimes legais, como exige a lei que haja a apresentação do acusado dentro de um período de 48 horas de detenção.

Dois líderes chave da Igreja do Evangelho Completo (Mullu Wongel Church), uma das maiores denominações pentecostais da Eritréia, foram presos às seis horas da manhã de domingo, dia 23 de maio, em suas casas, em Asmara. Durante as detenções, os oficiais de polícia confiscaram as chaves dos escritórios pastorais e verbalmente ameaçaram suas esposas.

Haile Naizgi, que atualmente trabalha como presidente da Igreja do Evangelho Completo e o Dr. Kifle Gebremeskel, como presidente da Aliança Evangélica na Eritréia, estão detidos na primeira e na sexta delegacias de polícia em Asmara, respectivamente, sem nenhum contato com suas famílias ou visitantes.

Naizgi, que é casado e tem quatro filhos, trabalhou como contador da Visão Mundial. E, Gebremeskel tem doutorado em uma universidade americana e foi professor de matemática na Universidade de Asmara. Os dois pastores têm em torno de 40 anos.

Quatro dias mais tarde, o pastor Tesfatsion Hagos da Igreja Evangélica Rema, em Asmara, foi preso enquanto visitava Massawa, que é a segunda maior cidade marítima da Eritréia, localizada no Mar Vermelho. Compass confirmou que a polícia de segurança não conseguiu encontrar Hagos em sua casa no início da manhã do domingo passado, quando eles, presumivelmente, planejaram prendê-lo.

Os membros da igreja Comunidade, de Hagos, confirmaram esta semana, em uma apelação de "ação imediata" da Anistia Internacional, que eles não sabem o paradeiro do pastor desde sua prisão, no dia 27 de maio. Hagos é casado e tem três filhos.

No início de maio, uma cantora cristã da Eritréia foi presa em uma operação do Ministério da Defesa, apesar dela já ter cumprido seu serviço militar e nacional obrigatório.

Helen Berhane, de 29 anos de idade, está presa em um container no campo militar em Mai Serwa desde o dia 13 de maio. Helen é membro da Igreja Rema, e recentemente publicou um álbum que estava validando sua popularidade entre a juventude local.

Helen recusou as exigências dos líderes do ministério da defesa "Operação 5" de assinar um documento renegando sua fé em Cristo, prometer parar de cantar ou de compartilhar sua fé em Cristo e cessar de realizar quaisquer atividades cristãs na Eritréia. Sua detenção sucedeu a do cantor Yonas Haile no mês de março, preso um mês após publicar uma fita de vídeo cristã. Acredita-se que ele ainda esteja preso no Centro Militar de Sawa.

A prisão destes cristãos aconteceu depois de algumas ameaças específicas emitidas aos líderes protestantes locais durante o mês de abril.

Durante a reunião realizada pelo Departamento dos Assuntos Religiosos (DAR) do governo, o DAR exigiu que os pastores das igrejas protestantes interditadas "Não informem os problemas a ninguém que não viva na Eritréia". Eles também foram proibidos de convidar qualquer conferencista cristão do exterior para ministrar na Eritréia, sem primeiro obter o consentimento do governo.

Contudo, os pastores presentes rejeitaram as exigências do governo no local, declarando que eles contariam ao mundo exterior o que estava acontecendo, e prometeram continuar a agir desta forma até que o governo restabelecesse seus direitos legais e constitucionais de liberdade de adoração.

Em um pedido de oração pelos pastores nesta semana, um de seus amigos declarou: "Nós não pedimos que orem por sua soltura, mas que eles permaneçam ousados por Jesus".

Enquanto isso, Compass confirmou a libertação de um pastor da Igreja do Evangelho Completo, detido durante os últimos 13 meses na prisão militar de Adi-Nefasse, em Assab. O pastor Yohannes Oqbazgi foi liberto no dia 13 de maio. Alguns outros membros da comunidade protestante também foram libertos nas últimas semanas, mostrando evidência de maus tratos físicos severos enquanto estavam encarcerados.

Há dois anos, o governo do presidente Issayas Afewerki fechou as doze igrejas protestantes independentes da Eritréia, proibindo suas congregações de adorarem até mesmo em lares particulares. Desde então, pastores, soldados, mulheres, adolescentes, crianças e idosos foram presos quando surpreendidos em uma reunião de adoração, lendo a Bíblia e orando em grupos.

O estado reconhece somente quatro instituições religiosas "históricas" autorizadas para dirigir a adoração no país, a saber, o Islamismo, as igrejas Ortodoxa, Católica e Luterana Evangélica.

Segundo a apelação da Anistia Internacional, no dia primeiro de junho, centenas de cristãos evangélicos foram detidos pelo governo da Eritréia desde o início do ano de 2003. Eles foram "presos exclusivamente devido a sua fé religiosa" e "torturados para tentar forçá-los a abandonar a sua fé". Atualmente, sabe-se que, pelo menos, quatrocentos membros destas igrejas minoritárias foram detidos por causa de sua fé.

Em uma entrevista de primeiro de abril à Rede de Informações Regionais Integradas (RIRI) da ONU, o porta-voz do escritório presidencial Yemane Gebremeskel afirmou que as críticas sobre a liberdade religiosa na Eritréia foram "um novo ataque que nós temos visto oriundo de certos quartéis nos últimos três meses". Em contraste, ele afirmou à RIRI que "há enorme tolerância religiosa, e isto é histórico. Não há restrições quanto à religião".

Contudo, a Anistia Internacional emitiu um relatório de 45 páginas sobre a Eritréia no dia 19 de março, que declara que a: "Perseguição religiosa intensificou-se, tendo como alvo as religiões cristãs minoritárias. As autoridades pressionaram e continuam pressionando as igrejas minoritárias, entrando a força nos cultos religiosos nas premissas da igreja ou casas particulares, confiscando Bíblias e instrumentos musicais, detendo e batendo nos membros da igreja no local, e torturando-os posteriormente nos centros de detenção militares".


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