Cristãos tribais correm perigo

| 20/08/2004 - 00:00


Autoridades governamentais continuam a aplicar uma rígida pressão sobre cristãos tribais das áreas montanhosas centrais do Vietnã, enquanto tentam convencer a comunidade internacional de que tudo voltou ao normal na problemática região.

O mais recente ataque da longa tensão aconteceu em abril de 2004, quando milhares de montagnards protestaram contra o confisco de terras tribais e a severa repressão da fé cristã que muitos deles professam.

Policiais e soldados - muitos disfarçados de fazendeiros locais - foram enviados para parar com a demonstração, resultando em morte e ferimentos de montagnards.

Devido a um apagão e intensas medidas tomadas pelo governo para esconder os eventos do confronto de 10 e 11 de abril, a totalidade do que aconteceu no feriado da Páscoa e nos dias seguintes talvez nunca seja conhecida.

Líderes cristãos no Vietnã, próximos à situação, acreditam que o número de mortes certamente excede ao dado pelo governo a algumas organizações de direitos humanos. A Vigia dos Direitos Humanos, por exemplo, reportou apenas dez mortes.

De qualquer forma, reportagens descobriram recentemente escavações misteriosas em uma base militar perto de Buonmathuot depois do ocorrido em abril. Alguns temem que os corpos das pessoas mortas durantes os protesto estejam enterrados ali.

Fontes montagnards disseram a Compasss que as pessoas das montanhas querem desesperadamente que seu lado da história seja ouvido. Foram fornecidos nomes e endereços de três homens da província de Dak Lak, os quais se ofereceram para testemunhar ante qualquer investigador estrangeiro, indiferentes às conseqüências que eles mesmos possam sofrer.

Também deram a Compass uma lista totalizando 123 nomes de pessoas afetadas pela tomada de posição. A lista inclui dúzias de montanheses sentenciados a longos mandatos de prisão. Uns estão escondidos e outros permanecem desaparecidos sem sinais.

A edição asiática da revista Time, de 2 de agosto, carregava um artigo intitulado "Injustiça Tribal do Vietnã." Acredita-se que o repórter da Time, Phil Zabriski, é um dos primeiros ocidentais que conseguiram esquivar-se dos supervisores do governo e falar diretamente com fontes montagnards.

O Vietnã quebrou claramente sua promessa a diplomatas de que iria apenas punir alguns líderes envolvidos nos protestos ocorridos durante a Páscoa. No começo de maio, o governo vietnamita também prometeu enviar uma "corporação de paz" especial para ajudar na elevação dos padrões de vida das minorias tribais pobres. De qualquer forma,  montagnards afirmam que a principal função dessa unidade é servir de "espiões e guardas" e interceptar toda comunicação.

Em Buon Poc, na província de Dak Lak, onde as pessoas foram ativas nos protestos, oito homens foram severamente espancados antes de poderem voltar para casa. Membros da "corporação de paz" foram subseqüentemente designados para observar a família de cada homem, alojando-se perto de sua casa a fim de ver e controlar todos os movimentos. Visitantes são tratados com suspeita.

Fontes da igreja dizem que, no fim de junho e começo de julho, oito homens foram mortos em Plei BLang, na província de Gia Lai. Quatro morreram a tiros e quatro foram espancados até a morte. O corpo de um dos espancados foi levado de volta para a sua casa e enforcado em uma corda. Oficiais declararam, então, que ele se enforcou. Há uma segurança excepcionalmente forte para impedir tentativas de verificar essa afirmação.

No dia 19 de julho, cristãos em Plei Trap, na província de Gia Lai, foram sujeitos a humilhação pública e intensa pressão para renunciarem a sua fé.

Cristãos vietnamitas familiarizados com a situação nas montanhas, dizem que as autoridades escolheram,o cristianismo como o bode expiatório para os sérios problemas sociais de lá. O maior problema é a apreensão ilegal de terras tribais para o uso de vietnamitas étnicos. O governo apropria terra para os recém-chegados, aparentemente para aliviar a carência de terra em todo o Vietnã. Mas fontes das áreas montanhosas centrais dizem que a captura de terra é largamente dirigida para atrair plantações mais lucrativas.

O governo também se recusou a conceder status oficial para muitas das igrejas montanhesas que ele tentou dispensar nos últimos anos. Na província de Gia Lai, por exemplo, só quinze mil dos estimados oitenta mil cristãos locais pertencem às onze igrejas sancionadas pelo governo. Outras igrejas permanecem não-registradas e seus membros continuam sujeitos a perturbações constantes para renunciarem sua fé.

A crise ganhou atenção internacional de novo em julho, quando 198 refugiados montagnards foram transferidos de avião da província de Ratanakiri, que fica na fronteira do Camboja, para a capital, Phnom Penh. O primeiro ministro cambojano Hun Sem, inicialmente permitiu repatriações forçadas dos refugiados ao Vietnã. Entretanto, ele demonstrou piedade ante a pressão internacional que queria permissão para a Alta Comissão das Nações Unidas para Refugiados (UNHCR) resgatar refugiados das selvas infestadas de malária, próximas à fronteira, e levá-los a Phnom Penh.

De acordo com uma reportagem de 9 de agosto, feita pela Agence France Presse, o Camboja autorizou uma segunda missão de resgate. Além disso, 91 montagnards refugiados encontraram seu próprio caminho para as casas seguras da UNHCR em Phnom Penh. A maioria dos exilados é cristã.

Uma fonte vietnamita disse a Compass que acreditava que o bem sucedido resgate dos montagnards da fronteira poderia encorajar outros a deixarem o Vietnã. "É difícil descrever o desespero que a população está sentindo," ele disse. "Um pouco disso vem da falta de interesse e ação da comunidade internacional. Autoridades vietnamitas dizem a todos que as montanha são um lugar de paz, felicidade e igualdade étnica. Mas na realidade, eles fazem de lá um inferno para os montagnards".


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