Muçulmanas são proibidas de usar véu para não parecerem extremistas

| 01/09/2004 - 00:00


De acordo com informação passada ao Forum18 no dia 27 de agosto, as mulheres muçulmanas estão sendo banidas pelas autoridades de usarem o hijab em público em Karshi, sul do Uzbequistão. Essa proibição segue ações similares contra a liberdade religiosa de mulheres muçulmanas tanto na capital Tashkent como em Pskent, onde a polícia deteve vinte e cinco mulheres por estarem usando o véu por mais de vinte e quatro horas.

A nova proibição foi aplicada depois dos ataques terroristas na capital do país, sendo reiterado depois dos ataques do dia 30 de julho desse ano. Logo em seguida aos ataques, todos os comitês realizaram encontros com os residentes de baixo de ordens das autoridades municipais. A região de Mahallas é a menor divisão territorial uzbeque. Oficiais da região já foram utilizados pela polícia em ações contra religiosos.

Na reunião realizada em Larman, o chefe do comitê de Mahalla, Kuzi Jurayev, disse que todas as mulheres que vestiam o hijab teriam ligações com terroristas e que no futuro ele não permitiria elas vestirem tal tipo de véu. Sharipova e Baikhanova alegam que as reuniões têm sido realizadas quinzenalmente  desde então, e que cada vez a administração da mahalla reitera que é inaceitável para as mulheres aparecerem em público vestindo o véu.

A proibição possui um antecedente como o uso de roupas religiosas ser proibido em público. O termo "vestimenta religiosa" não está definido na lei. Na prática, a proibição principalmente afeta muçulmanos, homens com medo de saírem pelas ruas de barbas e roupas tradicionalmente islâmicas, e mulheres temendo que o hijab as exponha a uma discriminação maior. A proibição da "vestimenta religiosa" também afeta minorias religiosas, devotos da seita Hare Krishna reclamam ao Forum18 que eles não podem sair pelas ruas com o sari.

Em Karshi, o Forum18 obteve a informação através do ativista de direitos humanos Tulkin Karayev, de dois exemplos específicos de mulheres muçulmanas em Lagman mahalla, Gavkhar Sharipova e Dirofruz Baikhanova, crendo que elas devem permanecer em suas residências devido a essa lei que proíbe o uso do hijab.

"Ninguém está impedindo as mulheres de continuarem a vestir o hijab, mas depois dos ataques terroristas de março e abril, nós recebemos ordem da administração municipal recomendando o trabalho preventivo com mulheres em impedi-las de usarem o véu em público", como foi falado ao Tulkin Karayev no dia 26 de agosto em Karshi pelo chefe do comitê de Lagman mahalla, Dilor Norov.

No dia 27 de agosto, um correspondente do Forum18 entrou em contato por telefone com um chefe do secretário para assuntos econômicos e sociais na administração municipal de Karshi, Abdurakhman Erkayev. Ele admitiu que a cidade tinha instruído aos comitês o trabalho preventivo entre a população. "Pedimos às autoridades da região para explição à população que a essência do islamismo no Uzbequistão nunca foi distinguida por fanatismo ou extremismo. Nós sentimos que é muito importante promover essa forma de islamismo "iluminado". Mas nunca pensamos em ditar o que as pessoas deveriam ou não vestir. Qualquer um no Uzbequistão pode vestir qualquer tipo de roupa considerada apropriada à eles", disse Erkayev ao Forum18.

Entretanto, Karayev tem insistido ao Forum18, que "a administração municipal tem passado aos comitês de mahalla uma instrução secreta para tentar persuadir mulheres a não usar o hijab em público. Mas desde os ataques terroristas em abril, várias mulheres têm reclamado para mim que ultimamente, usar o hijab em público está sendo interpretado como um desafio para as autoridades policiais", disse Karayev ao Forum18 no dia 27 de agosto em Tashkent.


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