Tensão religiosa domina o país

| 02/09/2004 - 00:00


A tensão religiosa irrompeu na Nigéria após a decisão do governo estadual de Kwara de cessar uma série de encontros evangelísticos organizados pelo evangelista alemão Reinhard Bonnke, com o apoio de todas as igrejas da cidade de Ilorin.

O estado central nigeriano de Kwara enviou policiais a um encontro de cinco dias organizado pelo evangelista alemão. Após o segundo dia de encontro, quinta-feira, dia 19 de agosto, o governo declarou que, se os encontros continuassem a serem realizados, os militantes muçulmanos atacariam no dia seguinte os cristãos no local do encontro.

Alhaji Bolaji Abdullahi, assistente de comunicações e estratégias do governador do estado de Kwara, afirmou em uma entrevista coletiva em Ilorin, na sexta-feira, 27 de agosto, que a ação do governo originou-se da necessidade de evitar uma crise religiosa sangrenta em Ilorin, capital do estado.

"Depois de permitir que a cruzada acontecesse dois dos cinco dias programados - apesar dos protestos dos muçulmanos -, o governo decidiu interromper o programa religioso, um ato aparentemente equilibrado para impedir problemas de segurança", afirmou Alhaji Abdullahi na entrevista coletiva.

De acordo com Abdullahi, "A cruzada de Bonnke teve continuidade devido ao esforço do governo de cumprir com um acordo. Além disso, o governo limitou a cruzada para dois dias, a saber, na quarta-feira e quinta-feira, enquanto aos organizadores agendaram para cinco dias.
Esta atitude foi de encontro com a tela de fundo das ameaças de violência sectária planejada como resultado dos cultos de Jumaat (sexta-feira) dos muçulmanos", adicionou ele.

No final de semana antes da chegada de Bonnke em Ilorin, no dia 17 de agosto, terça-feira, os militantes muçulmanos protestaram contra os encontros evangelísticos. O programa organizado por cristãos no estado sob os cuidados da Associação Cristã da Nigéria (ACN) iniciou na quarta-feira, 18 de agosto.

O Dr. Olusola Ajolore, secretário do estado da ACN de Kwara, contou na quinta-feira nas dependências do encontro que, "O governo afirmou que nós devemos cessar a cruzada no final desta noite. Eles declararam que interditarão a área que nós compramos com o nosso dinheiro, se nós não nos estivermos de acordo".

Segundo informações, Bonnke sentiu a tensão que poderia inflamar os ânimos entre cristãos e muçulmanos e persuadiu os líderes cristãos a refrear qualquer ato que pudesse levar a um derramamento de sangue.

Além de cessar o programa, mais de trinta policiais armados impediram que pastores se reunissem na Terra da Congregação da Palavra, Ajase-Ipo, e que orassem para o sucesso dos encontros. Os policiais que foram enviados pelo governo não somente interditaram o prédio da igreja, mas também as suas dependências.

Após a proclamação do término dos encontros, milhares de cristãos uniram-se em protesto contra a ação do governo. Eles se dirigiam à Casa do Governo, enquanto policiais encarregados de conter o tumulto disparavam esporádicos tiros no ar dos para dispersá-los.

Ajolore acusou o governo de incitar os caprichos dos muçulmanos no estado.Ele descreveu o cancelamento do programa como mal-intencionado e pré-concebido."É surpreendente que o governo do estado de Kwara decidiu abreviar os dias da cruzada, demonstrando que é incapaz de conter o grupo de muçulmanos de causar quaisquer danos e crise, assim, incitando mais esta situação", afirmou Ajolore em uma entrevista coletiva em 27 de agosto.

Em uma declaração intitulada, "Agora muçulmanos disparam tiros no Estado de Kwara", afirmaram líderes cristãos, "Nós vemos isto como um precedente absolutamente perigoso". Segundo eles, "Nós acreditamos que todo o desfecho foi uma conspiração do grupo muçulmano para finalizar as atividades da comunidade cristã e fazer dela o "saco-de-pancadas" no estado. Este é o nosso estado e nós não continuaremos a tolerar qualquer omissão no exercício de nossa liberdade em adorar em locais de nossa escolha e na nossa própria propriedade".

Alhaji Salman Adelodun Ibrahim, secretário do estado de Kwara, negou a acusação da liderança da ACN, afirmando que a ACN havia concordado que "a cruzada deveria terminar na quinta-feira à noite, e, durante a cruzada, o reverendo Bonnke não faria uma procissão na cidade de Ilorin, nem faria qualquer reunião fora de Budo-Efo, local anunciado para a realização da cruzada".


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