Juiz paquistanês ordena que pai muçulmano seja detido

| 07/10/2004 - 00:00


Uma corte paquistanesa emitiu um mandato de prisão, sem possibilidade de fiança, de um pai muçulmano que seqüestrou seus filhos de uma corte de Lahore, há três semanas.

O juiz Khizer Hayat Ghondal, da Corte da Família de Lahore, ordenou que a polícia "tomasse quaisquer medidas necessárias" para prender e apresentar Abdul Ghaffar diante da corte, na próxima audiência sobre o caso, marcada para 13 de outubro.

O juiz Ghondal protocolou o caso como criminoso contra Ghaffar, que desapareceu, misteriosamente, com seu filho de cinco anos e sua filha de três anos das premissas da corte de Lahore, durante uma visita a seus filhos, supervisionada pela corte, em 13 de setembro.

Os filhos de Ghaffar foram educados por sua mãe cristã, Maria Samar John, após ela ter fugido de um casamento forçado e abusivo, há quatro anos. Desde dezembro de 2000, Maria e seus filhos recebem abrigo de um local protegido e representação legal do Centro de Assistência, Abrigo e Auxílio Legal (CAAAL).

Apesar da mãe ter conseguido um divórcio legal de Ghaffar, há 20 meses, Ghaffar entrou com um processo judicial para obter a custódia dos filhos que ainda está pendente diante do juiz Ghondal.

Nem Ghaffar, nem seu advogado Hafez Zia Ansari, apareceram na corte para marcar as audiências, durante três dias consecutivos, na semana passada, apesar das exigências repetidas do juiz para que o pai devolvesse os filhos à custódia da corte e respondesse a acusações criminosas por seus seqüestros.

Uma audiência anterior marcada para 20 de setembro, uma semana após as crianças serem seqüestradas, foi adiada devido à ausência do juiz.

"Agora é dever da polícia apresentar Ghaffar, porque queixosa é a corte, ninguém mais", mencionou Tahir Gul, um advogado da CAAAL que representa a mãe. "Este é um caso excepcional, porque, sob circunstâncias normais, a corte não seria pleiteante. Atualmente, isto faz muita pressão sobre o oficial da delegacia que ainda não apresentou os menores seqüestrados".

Segundo o relatório anual do Departamento Estatal dos Estados Unidos, no mês passado, sobre a liberdade religiosa internacional, exemplos documentados tanto da polícia imoderada como da "inércia policial" são culpadas pela falha repetida do governo paquistanês concernente à proteção dos membros de minorias religiosas.

"Contudo, eu estou esperançoso porque as ordens do sábado foram bastante rigorosas", contou Gul à Compass. Segundo informações obtidas, o oficial da delegacia de Lahore será enviado com um contingente de policiais para localizar Ghaffar, cuja residência está localizada em Gujranwala, a 64 km de Lahore.

"Certamente, Ghaffar deve estar escondido com as crianças", disse Gul, "porque ele sabe que há um caso criminoso registrado contra ele".

Ghaffar e sua família têm ligações com o partido interditado Sipah-e-Sabaha, um grupo muçulmano extremista envolvido em numerosos atos de violência contra a comunidade cristã em minoria do Paquistão.

O ex-marido de Maria pagou o equivalente a dois mil dólares para "comprar" Maria de um outro muçulmano que havia seqüestrado a garota cristã, que, na época, tinha somente 17 anos. Ela foi mantida como uma quase escrava em sua casa, onde foi açoitada e presa por recusar fazer as orações muçulmanas.

"Isto é muito chocante para Maria e para todos nós", um outro advogado de CAAAL contou à Compass depois que as crianças foram seqüestradas. "Precisaremos de um milagre, mas estamos orando pela segurança e recuperação dos filhos de Maria".


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