Analista político mostra aspectos da discriminação contra evangélicos

| 26/10/2004 - 00:00


O analista político mexicano Carlos Monsiváis mostrou episódios da perseguição aos evangélicos no México no passado e apresentou perguntas a respeito da continuidade desse fato na atualidade.

Monsiváis abriu, com sua conferência, o II Simpósio sobre o Protestantismo na América Latina e no Caribe, realizado em San Cristobal de las Casas, Estado de Chiapas, de 19 a 22 de outubro. A conferência teve por título Embora chamem um aleluia... As vantagens e desvantagens das minorias religiosas.

O intelectual mexicano tratou das origens do protestantismo no México no século XIX, e o matizou com referências familiares ao mencionar que seu avô foi um dos primeiros convertidos no Estado de Zacatecas, ao norte do país.

Com o estilo ameno e irônico que o caracteriza, relatou experiências
pessoais de sua infância, quando, por ser protestante, foi vítima do
desprezo e sofreu segregação por parte dos vizinhos, companheiros de escola e professores.

Lembrou, a respeito: Não resisto à tentação de referir-me a outros
episódios de minha memória herética. Um professor de história, que tinha na classe quatro alunos protestantes, indicou-nos, com grande serenidade: "Pensem bem em suas crenças, porque no México nenhum protestante pode ser presidente da República".

O professor perguntou aos alunos o que pensavam dessa proibição e segundo me lembro, consegui dizer-lhe que ela era injusta, professor, porque não creio que todos deveríamos ser presidentes da República.

Este comentário de Monsiváis complementou o episódio histórico de 1929,
quando o Partido Nacional Revolucionário (PNR) elegeu Pascual Ortíz Rubio como candidato à presidência do México, ao invés de Aarón Sáenz, a quem um dia antes todos davam por escolhido. A causa da reviravolta foi o protestantismo de Sáenz.

Monsiváis anotou que os protestantes terminaram aceitando o rechaço e o
martírio, além de se autodenominarem como cidadãos de terceira classe.
Mencionou também as perseguições ocorridas, de modo especial nas áreas
rurais, nas quais era de grande risco aventurar-se a pregar a fé
protestante.

Os grupos de esquerda e progressistas, comentou o cientistas político, nunca levantaram a voz a favor dessa minoria religiosa, que foi partícipe de movimentos sociais e de diversos projetos educativos, como registra o escritor suíço Pierre Bastian.

A Bíblia, na tradução Reina-Valera, disse, é um monumento ao idioma, ao qual a igreja protestante não deve renunciar. Creio que se deveria continuar usando a versão Reina-Valera e complementá-la com as novas versões. Mas renunciar a elas é renunciar à relação das comunidades protestantes com uma tradição idiomática de primeira ordem.

Monsiváis lembrou o caso do Instituto Lingüistico de Verão (ILV), que
antropólogos marxistas, a seu momento, satanizaram como enviado e aliado do imperialismo ianque, e até mesmo de espião da CIA, campanha que terminou com a expulsão do Instituto do México.

O intelectual mexicano encerrou a conferência lamentando o silêncio da
esquerda do país e também do líder do movimento zapatista, o sub-comandante Marcos, que em sua longa lista de minorias nunca mencionou os grupos protestantes.

Comentou que não se pode ignorar as expulsões que ocorreram em San Juan
Chamula nas últimas três décadas do século passado, e lembrou os linchamentos e abusos sexuais contra mulheres e crianças.

Monsiváis concluiu, perguntando: Por que nenhum dos grupos que defendem os direitos indígenas sequer menciona a perseguição religiosa? Por que é tão lenta a inclusão das perseguições religiosas no campo dos direitos humanos? Por que, quando os bispos católicos falam de liberdade religiosa, o contexto é a educação católica e não a liberdade de credo? Por que os marxistas ateus profissionais defendem a religião católica como a única possível dos indígenas?


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