Corte vietnamita nega apelo aos pastores menonitas

| 19/04/2005 - 00:00


O juiz presidente Nguyen Xuan Phat manteve a sentença de três anos para o rev. Nguyen Hong Quang e a sentença de dois anos ao evangelista Pham Ngoc Thach, em uma audiência de apelo realizada no dia 12 de abril. Os co-acusados Quang e Pham não tiveram permissão para falarem em sua própria defesa.

Os procedimentos da corte violaram as próprias regras de apelo do Vietnã, conforme observadores legais notaram, já que a corte não enviou as notificação requeridas oficialmente e o convite às famílias. A esposa de Quang, Le Thi Phu Dung; e o pai de Pham, Pham Van Khanh, puderam participar do julgamento só depois da intervenção feita pelo advogado de Quang, Nguyen Van Dai.
De acordo com o Artigo 242 das leis de apelo da corte, o tribunal deve notificar os acusados através de uma carta oficial pelo menos 15 dias antes do julgamento. Entretanto, a notificação oficial não foi enviada ao advogado de Quang até dia 4 de abril, apenas uma semana antes da data do julgamento.

O advogado Bui Duc Truong, que defendia os prisioneiros menonitas no julgamento de 12 de novembro de 2004, não recebeu permissão para participar deste julgamento, mesmo apesar de ter sido oficialmente contratado pela família de Pham. Na audiência de novembro, Quang e cinco colegas foram acusados de "resistência a oficiais legais que faziam sua obrigação", em conexão com o incidente de 2 de março de 2004, envolvendo dois agentes governamentais à paisana, designados para manter a casa e a igreja do pastor sob vigilância. Em novembro, a corte sentenciou Quang, secretário geral da Igreja menonita do Vietnã, a três anos de prisão.

Bem cedo, na manhã do julgamento, várias unidades policiais e forças de segurança carregando cassetetes, chegaram em veículos policiais e foram colocadas em torno do tribunal.

"Era uma preparação para receber os 200 cristãos que chegariam ao tribunal por volta das 8 da manhã, para demostrarem solidariedade aos prisioneiros menonitas, através de uma vigília de oração silenciosa!" disse um observador. Cerca da metade daqueles que vieram para a vigília eram líderes menonitas e cristãos das minorias étnicas vietnamitas das Regiões Montanhosas Centrais.

Líderes da Igreja Menonita do Vietnã e da Aliança Evangélica do Vietnã para igrejas domésticas (VEF) também participaram.

Entre aqueles que vieram para mostrar sua solidariedade, estavam o padre católico ativista Chan Tin , o professor Nguyen Chinh Ket e dois sobrinhos do padre recém-liberto Nguyen Van Ly, que foi anteriormente defendido pelo pastor Quang no julgamento.

No dia 9 de abril, o Comitê do Povo do 2º Distrito foi à casa de Quang e ao escritório da igreja e deu um ultimato a Sra. Quang,  para que encerrasse as operações do escritório da igreja até 11 de abril. No dia 11 de abril, a Sra. Quang foi levada até a delegacia do 2º Distrito e foi insultada por escrever e circular um apelo urgente aos cristãos de todos os lugares, para jejuarem e orarem, a fim de que a justiça fosse feita ao seu marido e aos outros prisioneiros menonitas. Um número de líderes da VEF também foi levado para interrogatório e seguido em todo lugar por policiais à paisana, na seqüência do julgamento. Um líder de igreja local observou: "Está bem claro que isso teve a intenção de intimidar os cristãos que estavam próximos do pastor Quang".

Três dos "seis menonitas" - como Quang e seus companheiros se tornaram conhecidos - foram libertados depois de cumprirem suas respectivas sentenças. Eles disseram que foram escolhidos para tortura e privação (de alimentos, por exemplo) porque eram cristãos - e foram persuadidos para testemunharem contra Quang.

Líderes menonitas disseram: "Protestamos contra esse julgamento por causa da clara violação da corte às suas próprias regras de procedimento e por sua recusa em admitir a evidente inocência do rev. Quang e do evangelista Pham preparada por seus advogados. Exigimos que os prisioneiros menonitas restantes sejam soltos imediatamente, particularmente a srta. Le Thi Hong Lien que foi abusada enquanto em custódia da prisão a ponto de ter perdido sua sanidade".

Devido aos abusos sofridos enquanto estava sob a custódia da polícia, Le está sofrendo de severos traumas físicos e emocionais. Seus pais dizem que sua filha, uma professora bíblica de 21 anos, "perdeu o controle das suas funções corporais". Oficiais da prisão aparentemente disseram ao casal que sua filha está mentalmente desordenada.


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