Evangelistas presos em Madhya Pradesh

| 15/06/2005 - 00:00


Três cristãos de Mizoram, no norte da Índia, passaram aproximadamente uma semana na cadeia em Betul, distrito de Madhya Pradesh, depois de serem detidos no dia 4 de maio por, supostamente, "ofenderem as sensibilidades hindus". Eles foram libertos sob fiança no dia 10 de maio, mas a data de julgamento não foi anunciada.
 
Thangkhuma, 33, Lalbhang Pui, 25, e Babywan Lalopuri, 19, distribuíam folhetos em Goladongri, distrito de Betul, no dia 4 de maio. Membros locais do Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS) reclamaram dos folhetos, dizendo que eles encorajavam os aldeões a comer carne bovina, o que é uma ofensa à fé hindu.
 
Uma multidão logo se formou. De acordo com o que foi dito, eles confrontaram e atacaram fisicamente os três, apesar do fato de dois deles serem mulheres, Lalbhang Pui e Babywan Lalopuri.
 
Os três foram levados à delegacia policial de Betul, onde um senhor. Kapoor preencheu uma queixa contra eles. K. T. Paulus, um cristão local, os acompanhou até à delegacia e tentou argumentar com a polícia, mas sem nenhum sucesso.
 
Thangkhuma, Lalbhang Pui, e Babywan Lalopuri foram acusados sob a seção 153 A do Código Penal Indiano (IPC). As seções 153 A e B do IPC são aplicáveis a crimes de promoção de inimizade entre diferentes grupos em relação à religião, raça, local de nascimento ou língua; e por atos que são prejudiciais à manutenção da harmonia social ou à integração nacional.
 
A seção 153 A é também um "crime não-afiançável", significando que, uma vez que haverá julgamento, o acusado não pode ser liberto sob fiança.
 
Os cristãos locais foram à delegacia assim que ouviram sobre a prisão e contrataram um advogado local, Prashant Garg, para representar os acusados.
 
Entretanto, no dia seguinte, o magistrado D. K. Dubela rejeitou o pedido deles de fiança. Os grupos extremistas hindus locais organizaram no mesmo dia um bandh, ou protesto, na cidade. A polícia foi direcionada para uma igreja luterana, depois que radicais hindus emitiram um pedido para queimá-la.
 
Compass falou com Garg, que disse que os acusados não sabiam como falar ou ler em hindi, a língua local na qual os folhetos foram impressos. Ele admitiu que os folhetos poderiam ter sido escritos com mais sensibilidade, mas disse que eles definitivamente não encorajavam os hindus a comerem carne.
 
Garg fez um segundo pedido de fiança no dia 9 de maio, depois do qual as autoridades concordaram em libertar os três evangelistas.
 
O grupo Mizoram trabalhou com uma organização chamada Procuradores de Almas, localizado em Aizawl, no norte da Índia. A organização também tem um escritório em Madhya Pradesh.
 
Ao mesmo tempo do incidente, cristãos visitavam Betul para se encontrarem com os cristãos locais. Durante sua visita, eles também distribuíram folhetos que causaram grandes reações no ramo local do RSS.
 
Logo depois da prisão, a polícia invadiu uma casa na cidade vizinha de Amla, onde vários outros cristãos de Mizoram viviam. Felizmente, nenhum dos membros da equipe estava em casa àquela hora. A polícia confiscou literatura, incluindo cópias do controverso folheto.
 
Líderes cristãos da área disseram que o folheto continha porções de Deuteronômio que faziam referência a comer carne e beber bebidas alcoólicas. A equipe de Mizoram não podia ler os folhetos, um fato que alguns líderes criticaram. A Sociedade Bíblica da Índia concordou em retirar os folhetos de circulação.
 
O dr. Victor Choudhrie de Padhar, uma cidade próxima a Betul, disse que a polícia interrogou cristãos locais ligados à distribuição de folhetos e que o incidente provocou uma tensão entre as comunidades hindu e cristã na área. A polícia também abriu um inquérito para apurar as atividades de outros grupos missionários trabalhando em Betul.


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