Governo destrói parte de uma Igreja Menonita

| 26/07/2005 - 00:00


No dia 19 de julho, cerca de duzentos oficiais formaram um cordão de isolamento na Igreja Menonita Vietnamita enviando uma enorme força tarefa que destruiu parte da igreja, incluindo a casa do pastor Nguye Hong Quang e sua família.

O reverendo Quang está preso por resistir às autoridades. Sua esposa, Le Thi Phu Dung, estava em casa com os três filhos quando as autoridades chegaram. Seu telefone celular foi clonado, de modo que ela não pôde alertar as pessoas. Tudo que ela e seus filhos puderam fazer foi assistir e orar em angústia.

Eram 8 horas da manhã quando as autoridades cercaram a área da Igreja Menonita do Vietnã em Binh Klanh, no Bairro 2 de Ho Chi Minh. Eles enviaram cerca de setenta operários com martelos e serras elétricas para derrubar o prédio, alegando que o local teria sido construído sem a devida permissão - o que raramente é requerido pelo governo local. Eles foram embora depois da meia-noite do dia seguinte, deixando somente uma pilastra de cimento e um pedaço de madeira.

O hall de entrada e a ala dos apartamentos nunca tinha sido contestada, mas o oficial do Bairro 2 ordenou aos operários que derrubassem os quatro metros da parte ampliada do estabelecimento.

Quang pediu para que não destruíssem a igreja. Mas, ouviu a seguinte resposta: "Nós estamos recebendo ordens e só fazemos isso, pois precisamos sustentar nossas famílias. Não queremos destruir sua igreja, e teremos todo o cuidado com os móveis".

Os menonitas adquiriram a primeira parte do prédio no ano de 1995. Em 1999, a igreja ampliou o prédio para acompanhar seu crescimento. Em julho de 2002, foi construída uma ala de quatro metros nos fundos do prédio, incluindo o batistério. Os oficiais locais levantaram ações repressivas contra essa igreja por 77 ocasiões durante o ano passado, alegando algumas irregularidades. Os menonitas entraram com uma petição, mas nunca obtiveram retorno do governo.

Posteriormente, oficiais tentaram utilizar de forma retroativa uma nova lei de zoneamento contra a igreja. Eles alegaram que a nova área era muito perto da fossa de drenagem e ordenaram que fosse demolida. Quang foi informado no mês passado que, caso a área não fosse derrubada até o final de junho, eles o fariam em julho.

Notificados dos eventos, vários cristãos vieram confortar Quang. Alguns ajudaram a limpar o que restou dos destroços. Um diplomata americano veio investigar e ofereceu respaldo. No dia 20 de julho, uma delegação da Comunhão Evangélica Vietnamita, liderada pelo Reverendo Pham Dinh Nham, foi visitar e confortar Quang e seus filhos. 

A sra. Quang foi eleita presidente da Igreja Menonita do Vietnã em junho. Seu marido, cumprindo três anos de prisão "por resistir a um oficial", foi recentemente transferido para uma prisão em uma província distante, tendo permissão para receber visita somente em dois dias. A sra. Quang relata que seu marido está com a saúde afetada, tendo de se submeter a trabalhos forçados.

O reverendo Quang possui um histórico de pressão alta e problemas gastrintestinais. Ele já desmaiou várias vezes durante o trabalho, incapacitado de se alimentar o suficiente e impedido de descansar por meia hora durante o dia.

A pressão sobre a igreja continua, apesar da suposta liberalização da legislação. Quang já recorreu por duas ocasiões ao premier do país, Phan Van Kahi, para saber a maneira de se legalizar; mas até agora não obteve resposta. A polícia realiza batidas regularmente nas reuniões de orações e estudos bíblicos, mesmo que haja um pequeno número de participantes, escoltando-os até a delegacia para serem interrogados.

No relato enviado às audiências do Comitê de Relações Internacionais do Vietnã, no dia 20 de junho, o missionário menonita Truong Tri Hien, foragido do país desde o ano passado, documentou como oficiais locais abusam constantemente do poder para perseguir a Igreja Menonita. "Esses atos contra os menonitas são outro exemplo claro do abuso administrativo", disse ele ao Compass.

Líderes da igreja informaram ao Compass que eles talvez permaneçam "bastante céticos" a respeito da suposta liberalização da legislação que convida igrejas clandestinas a se registrarem. Desde o anúncio da Regulamentação Religiosa, em novembro do ano passado, nenhuma igreja aceitou o convite para entrar com o registro.

Eles também questionam se o Acordo Estados Unidos-Vietnã, firmado em maio, para melhorar a liberdade religiosa irá gerar benefícios ao intenso e crescente movimento das igrejas nos lares.


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