Forças do governo comunista perseguem cristãos

| 21/08/2005 - 00:00


Ele silenciosamente diz que ainda acredita em Jesus Cristo. Mas não pode mais admitir isso publicamente. Desde que Phouthone Chansombat, 42 anos, se tornou chefe de Tao Tan, uma vila a 135 quilômetros da capital de Laos, Vientiane, ele teve que renunciar a sua fé em Cristo. "Eu não posso mais ser um cristão", Phouthone disse, lutando contra as lágrimas.

Phouthone não está só. Em todo o país, chefes de vilas e outros trabalhadores têm sido pressionados pelas autoridades comunistas a desistir de sua fé em Cristo, apurou o site de notícias BosNewsLife. Fontes de igrejas em áreas remotas como o norte de Laos afirmam que o governo comunista está desesperado para deter a disseminação do cristianismo, que, de acordo com o alegado, é tido como uma religião ocidental não bem-vinda.

A maioria das vilas visitadas por BosNewsLife parece focada na expansão ou construção de novas igrejas, para acomodar o número aparentemente crescente de cristãos. As igrejas também funcionam como um lugar de cuidado da saúde nessas áreas, porque não há hospitais próximos.

Trabalhadores de organizações de direitos humanos dizem que o governo central em Vientiane toma essas atividades de igrejas como um questionamento ao sistema comunista de Laos. "A prática do cristianismo é geralmente vista como uma ameaça à ideologia do estado ou do poder do governo", diz a Christian Freedom International (CFI - Liberdade Cristã Internacional), um grupo americano que auxilia cristãos perseguidos nessa região.

Casas invadidas

A casa dos trabalhadores do CFI em Vientiane, envolvidos em providenciar ajuda, foi invadida por forças de segurança.

As autoridades comunistas laotianas negam de forma veemente abusos aos direitos humanos e dizem agir somente contra aqueles que são vistos como uma ameaça à sociedade. Entretanto, nos últimos meses, comunistas apoiados pelas autoridades locais e a polícia invadiram várias vilas no norte e sul de Laos, onde possivelmente dúzias de fiéis foram torturados e detidos sob "falsas acusações", variando de possuir "armas ilegais" a manter "reuniões ilegais", segundo informam representantes de igrejas.

Tortura e dor

"Sabemos de vários incidentes ocorridos perto das fronteiras com o Vietnã, onde a polícia invadiu vilas e forçou várias pessoas a ficarem por três dias com as mãos levantadas, até elas renunciarem à fé em Cristo. Ninguém pode resistir a esse tipo de tortura por tanto tempo...".

Aqueles que se recusaram a obedecer foram supostamente colocados na cadeia. Ele diz que sua organização soube que mais de 6 cristãos continuam presos. Entre eles "inclui-se dois irmãos" que foram condenados a 15 anos de prisão, cerca de seis anos atrás, enquanto que outro homem sentenciado com eles morreu há pouco tempo, diz o líder da igreja.

O CFI diz que a situação piorou desde que o governo de Laos emitiu o Decreto 92 do Primeiro Ministro sobre "Administração e Proteção da Prática Religiosa", numa aparente tentativa de controlar "o rápido crescimento da fé cristã" na nação asiática. De qualquer forma, o governo de Laos afirma que a legislação significava um atalho para a liberdade religiosa no país, bem como suas "regras estabelecidas" para a atividade religiosa em muitas regiões.

O CFI discorda. "Enquanto mostra para o mundo lá fora um atalho para a liberdade religiosa, na realidade, o Decreto 92 foi uma opressão do governo ao cristianismo", aponta a organização em um relatório. 

Nenhum traidor 

De volta a Tao Tan, Phouthone, o chefe da vila, explica que permite reuniões cristãs e cultos em igrejas. "Infelizmente eu não posso participar deles, porque poderia perder meu emprego", ele acrescenta. Os cristãos locais dizem que não vêem Phouthone como um traidor comunista: a empobrecida vila de Tao Tan não pode dizer "não" a um emprego bem-pago do governo.

Aparentemente irritadas com essa significativa população cristã de cerca de 50%, as autoridades tornaram a vida mais difícil para o povo de Tao Tan. "Queremos plantar arroz nas colinas para nos auto-sustentar. Mas as autoridades banem isso porque afirmam que a plantação prejudica o meio ambiente", diz o chefe da vila diz.

Missão cristã

Missões cristãs têm contribuído para espalhar o cristianismo nessa vila. Ela foi fundada em 1970 por 7 famílias, durante uma época de conflito civil entre diferentes grupos étnicos no país. Logo ela se tornou um paraíso para pessoas de diferentes contextos religiosos, incluindo evangélicos, católicos e animistas.

A tensão permanece, mas hoje as crianças sorriem. Brinquedos e balões chegaram à cidade enquanto médicos cristãos tratavam delas e de seus pais. E também há Bíblias, uma mercadoria preciosa nesse país governado pelo comunismo. O CFI entregou-lhes 22 exemplares. Outras dezenas serão enviadas a uma vila próxima.

"Infelizmente o governo não permite a livre distribuição de Bíblias, então elas devem ser contrabandeadas", diz o presidente do CFI, Jim Jacobson. A legislação permite que os materiais cristãos sejam distribuídos apenas com a autorização das autoridades. "Mas, na prática, o governo nunca autorizou cristãos laotianos a publicar material religioso. Ele também nunca deu permissão para a importação de Bíblias", ele acrescenta.

Disseminação do cristianismo

Oficialmente o cristianismo compreende cerca de 1,5 % da população de 6 milhões de Laos. Entretanto, os líderes das vilas sugerem que este valor é muito maior, e que está crescendo.
Eles também oram pelos países ocidentais onde, diferente de Laos, a freqüência tem diminuído e o cristianismo parece competir com a Nova Era e a MTV.

Em Tao Tan e em outras vilas há poucas antenas. Mas uma cruz de madeira pode ser vista de longe no topo das igrejas. Os pastores cristãos dizem que a perseguição que eles sofrem por crer "no Senhor crucificado e levantado" tem fortalecido sua fé. Algo que eles afirmam que as nações ocidentais também precisam.

Texto enviado por Daila Fanny.


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