Multidão ataca reunião de oração em Madhya Pradesh

| 06/09/2005 - 00:00


Uma multidão de extremistas hindus atacou violentamente uma reunião de oração na cidade de Indore, no centro-norte do estado de Madhya Pradesh, no dia 21 de agosto.

Pelo menos 10 pessoas, incluindo mulheres e uma criança de dois anos, foram feridas.
O ataque, aparentemente, foi direcionado ao casal Jagdish e Grace Nayak, obreiros cristãos independentes, que estão respondendo a um processo judicial sob a acusação de terem forçado conversões. Grace Nayak é uma convertida do hinduísmo.

O ataque ocorreu por volta das 11h30 da manhã. "Cerca de 50 pessoas, supostamente pertencentes ao Rashtriya Suayamsivak Sangh (RSS), atiraram pedras numa igreja, onde cerca de15 pessoas estavam orando e as espancaram," informou a Compass, Indira Iyengar, membro da Comissão das Minorias do Estado de Madhya Pradesh (Madhya Pradesh State Minorities Comission).

Os atacantes saquearam o lugar, rasgaram Bíblias em pedacinhos e espancaram brutalmente os Nayaks e o filhinho deles. Eles identificaram três dos atacantes, contudo, as notícias até o momento são que os agressores continuam em liberdade.

"A igreja foi completamente saqueada, e as pedras estavam espalhadas por todo o lugar", acrescentou Iyengar. Os extremistas depredaram todo o equipamento interno, incluindo o endereço do sistema público. Eles também rasgaram as Bíblias.

Os Nayaks e o bebê deles foram brutalmente espancados, ela acrescentou: "Quando eu fui ao hospital para vê-los, fiquei horrorizada. Eles foram espancados não como se fossem seres humanos, mas animais. Foi difícil para mim até mesmo olhá-los, e o marido dela ainda estava sangrando muito".

Os cristãos feridos foram atendidos no hospital local. Os Nayaks conseguiram identificar três dos atacantes: Shalik Ram Pawar, Chauam Singh e Prem Singh. Os três foram indiciados em um boletim de ocorrência, mas as notícias até o momento dão conta de que continuam em liberdade.

A polícia negou que o RSS, um grupo extremista hindu, estivesse por detrás dos ataques. Adarsh Katyar, o superintendente da polícia em Indore, disse ao Compass que os agressores eram pessoas da própria localidade, que acusavam a família de estar convertendo hindus para o cristianismo. Eles não eram de nenhuma organização.

Katyar disse também que os atacantes tinham apresentado uma contra-queixa contra a família Nayak após o ataque, acusando-os de tentarem forçar conversões.

Membros do Dharma Rashka Samiti (Comitê de Proteção Religiosa) e o RSS tinham feito uma queixa contra os Nayaks no dia 19 de julho. Os Nayaks receberam imediatamente uma ordem de prisão por infringirem a lei estadual de anticonversão; ficaram sob custódia policial durante a noite e foram libertos sob fiança no dia seguinte.

A polícia, ao libertar Grace, advertiu-a de que não retornasse à sua cidade por, no mínimo, oito dias, e também que não lhe seria permitido que dirigisse nenhuma reunião de oração.

Yengar, da Comissão das Minorias, informou que as denúncias incluem colocação de cartazes e distribuição panfletos, alegando que Grace estava convertendo pessoas ao cristianismo, usando meios fraudulentos. Os juízes ainda não marcaram a data da primeira audiência.

Tensões entre as comunidades cristã e hindu aumentaram depois que o governo de Madhya Pradesh publicou o relatório sobre conversões do Comitê Narendra Prasad em julho último.

Prasad, um diretor de polícia aposentado, alegou que os missionários estavam forçando conversões de um grande número de pessoas no estado. Seu relatório também responsabilizou a lassidão do governo pelo número "enorme" de conversões.

O Comitê Prasad se estabeleceu na seqüência de um incidente no qual a comunidade hindu acusou os cristãos pelo brutal estupro e assassinato de uma menina de 9 anos, identificada apenas como Sujata.

Depois de tornar o relatório público, o governo anunciou seu plano de emendar o Ato de Liberdade Religiosa de 1968, a fim de reforçar o controle de conversões de tribais ao cristianismo.


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