Comunidade proíbe construção de templos evangélicos

| 06/10/2005 - 00:00


O delegado Pablo Beltrán, do bairro de San Nicolás, no município de Ixmiquilpan, anunciou que a comunidade vai fechar os caminhos que levam ao prédio onde um grupo de evangélicos pretende construir templo. O terreno será confiscado e repartido entre famílias que têm poucas terras, disse.

A advertência foi formulada ao término da assembléia extraordinária dos moradores católicos da região. Foi estipulado um prazo de 30 dias para que os evangélicos deixem a localidade. Na assembléia também foi assinado um memorando que proíbe a construção de templos evangélicos dentro da comunidade, localizada a cerca de 250 quilômetros ao norte da capital mexicana.

A decisão dos católicos não considerou os pedidos do pároco local. Ele solicitou que desistissem dessa determinação, alegando que todos são filhos de Deus. O religioso não conseguiu terminar seu discurso por causa do corte de energia elétrica.

O dirigente católico da localidade, Noé Gerardo, advertiu os repórteres que estavam no local que, caso acolhessem as palavras do pároco, seriam impedidos de entrar na comunidade, informou o diário "La Jornada".

Estiveram presentes na assembléia 800 dos 8 mil habitantes do povoado. Ao término da reunião, Beltrán Ibarra afirmou que o terreno dos evangélicos será desapropriado porque não fizeram faxina, não aportaram nada para a comunidade.

O delegado disse que o prédio é propriedade do povo e será desapropriado e destinado àqueles que menos têm ou para um campo desportivo. Caso as autoridades queiram lhes dar um terreno, que seja fora daqui e que construam seu templo em outro lugar, defendeu.

Aniceta Quezada, representante dos evangélicos, argumentou que os crentes não fizeram mal a ninguém. Neste momento eles têm o controle porque são autoridade. Ameaçam-nos, enquanto deveria ser diferente, já que a autoridade está aí para defender a todos e não a alguns poucos.

Em 1991, a maioria católica dos moradores da região suspendeu os serviços de luz e água potável às famílias evangélicas. Em abril de 2001, o bairro de San Nicolás viveu dias de violência depois que um delegado municipal proibiu o enterro de um evangélico no cemitério local, provocando agressões contra a minoria não-católica.

Nos últimos 15 anos verificou-se um notável crescimento do protestantismo no Estado de Hidalgo. Estima-se que cerca de 135 mil indígenas, de um total de 450 mil que habitam a região, professem a fé evangélica.


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