ONGs devem deixar a Coréia até o fim do ano

| 16/10/2005 - 00:00


Por quase seis décadas, a Coréia do Norte tem sido uma das sociedades mais isoladas do mundo. A história norte-coreana é dominada por seu grande líder, Kim Il-Sung, que dominou a política no país por quase meio século. O país nasceu em 1948 em meio ao caos que dominou a península ao final da Segunda Guerra Mundial e do colonialismo japonês, inciado em 1910.

Depois da guerra, Kim Il-Sung introduziu a sua filosofia Juche, que funciona como uma verdadeira religião oficial do país. Essa filosofia, que significa "auto-suficiência" ou "ter controle sobre seu próprio destino", tornou-se a linha dominante no desenvolvimento da Coréia do Norte.

Atualmente, a Coréia do Norte é um estado comunista controlado ditatorialmente por um homem - o presidente Kim Jong Il. A nação permanece fechada para o mundo exterior, porém as dificuldades econômicas e a fome crescente geraram alguma abertura, especialmente para ministérios de cunho social.

Há pouco tempo, porém, a Coréia do Norte pediu para que todas as organizações de ajuda humanitária deixassem o país até o fim do ano. O pronunciamento causou discussão em meio às ONGs, algumas das quais forneciam auxílio para a Coréia do Norte há uma década.

A República Democrática da Coréia, o nome oficial da Coréia do Norte, tem recebido socorro nos últimos dez anos por causa da fome e da crise de saúde decorrente das secas em 1995 e 1997. Não há uma estimativa precisa quanto ao número de mortes resultantes da seca, mas organizações internacionais calculam que mais de dois milhões de pessoas tenham morrido de fome.

A Visão Mundial (World Vision), uma organização cristã de ajuda e desenvolvimento, fez um relatório sobre a situação e sua resposta à recente declaração.

A seguir estão excertos de uma entrevista que o "Christian Post" realizou com Lynn Arnold, o vice-presidente da Visão Mundial Ásia/Pacífico:

Qual é a resposta da Visão Mundial à declaração da República Democrática da Coréia, para que todas as ONGs estrangeiras deixem o país até o fim do ano?
A Visão Mundial não tem trabalhadores residentes em Pyongyang. Entretanto, a cada três ou quatro meses uma equipe da Visão Mundial faz visitas regulares ao país para se engajar com as autoridades e para visitar alguns dos programas que ajudamos a fundar. As ONGs ainda tentam trabalhar mesmo com as implicações do pronunciamento. É extremamente importante continuar a negociação, para que o programa de trabalho continue no Norte e para pesquisar como isso pode acontecer.

Uma das razões dadas pelos oficiais da Coréia do Norte em relação ao seu pronunciamento foi a melhora das condições. Isso aconteceu de fato e as ONGs não são mais necessárias?
Em setembro do ano passado o governo da Coréia do Norte disse às agências da ONU e às ONGs internacionais que decidira mudar a política relacionada à ajuda humanitária estrangeira. A explicação dada foi que a Coréia do Norte já vinha recebendo ajuda por nove anos, o que é muito tempo se comparado a outras países que passaram por situações similares. A Coréia do Norte quer ser tratada de "igual para igual" e colaborar com organizações de fora através do desenvolvimento de projetos e programas. Algumas das agências que assistem hoje a Coréia do Norte têm ajustado seus programas a fim de se encaixarem nesse novo critério.

Como a Visão Mundial pode aliviar a crise de fome da Coréia do Norte?
A Visão Mundial começou providenciando ajuda humanitária, como arroz, óleo e equipamentos hospitalares em 1995. Em um ano ou mais, passamos a encorajar a Coréia do Norte a construir locais para produzir alimentos. Em 1996, a Visão Mundial construiu uma fábrica de macarrão para os norte-coreanos administrarem. Em 1997 já havia seis fábricas. A Visão Mundial supria as fábricas com geradores, maquinário e farinha. Até o fim de 2003 a Visão Mundial ajudou seus parceiros na Coréia do Norte a produzir, nas seis fábricas, 60 mil refeições por dia. A comida era para aqueles que mais precisavam: crianças em orfanatos e creches, mulheres grávidas e amamentando e idosos. Junto com isso, continuamos a fornecer alimentos e roupas de frio.

Durante essa época, o que você acha que é mais importante para a Visão Mundial fazer?
Estamos comprometidos em ajudar os mais pobres e vulneráveis, então, é crucial para nós estar presente na Coréia do Norte, ao lado de outras ONGs, da ONU e de agências do governo. O princípio-chave da Visão Mundial, em qualquer lugar que trabalhamos, é desenvolver parcerias com as comunidades e ao mesmo tempo desenvolver habilidades e capacidades de modo que os próprios cidadãos assumam as responsabilidades de ajudar o país a se desenvolver e enfrentar os desafios do desenvolvimento. Em muitos países isso pode ser um desafio, mas eles precisam ser alcançados inteligentemente, com paciência, diligência e com fé de que as coisas podem melhorar.

Vocês planejam ficar, se retirar, fazer o quê?
Planejamos ficar. Fomos encorajados em nossas parcerias com nossos colaboradores norte-coreanos e temos visto resultado. Relações a longo prazo e resultados constroem confiança e podem criar mais abertura para efetuar mudanças.

Há comentários de que a Coréia do Sul estava ajudando a Coréia do Norte. Você acha que essa relação tem algo a ver com o pronunciamento de que as ONGs estrangeiras devam sair do país?
O apoio da Coréia do Sul acontece desde o começo e tem pouco a ver com qualquer mudança política da Coréia do Norte. É importante lembrar que há laços emocionais muito fortes entre as Coréias e por causa deles muitas pessoas ainda têm irmãos, irmãs, mães, pais e outros parentes do outro lado da fronteira. A política da Coréia do Sul em relação ao Norte está baseada nesses sentimentos de família, e a família sempre quer o melhor para os seus queridos. Seria muito simplista dizer que a Coréia do Sul está surgindo para preencher qualquer lacuna criada com a saída das ONGs.


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