Cristãos preocupam-se com pressão de budistas sobre presidente eleito

| 29/11/2005 - 00:00


No início deste mês os cingaleses elegeram seu novo presidente, o qual enfrenta o desafio de lidar com uma elite budista que busca um maior controle sobre as religiões minoritárias.

Mahinda Rajapakse, que venceu por uma margem pequena de votos, enfrenta outros desafios: ele deve retomar as negociações de paz com o Tamil Tigers, e empregar mais esforços nos programas de recuperação do tsunami.

No entanto, os cristãos estão mais preocupados com a pressão dos budistas sobre o novo presidente. Antes das eleições, Rajapakse formou uma aliança com o "Jathika Hela Urumaya" (JHU ou Partido da Herança Nacional), um partido budista que tem feito campanha para a adoção de leis anticonversões de uma forma vigorosa. 

Essas leis restringiriam a liberdade de conversão de uma religião para outra, levantando dúvidas sobre os motivos de qualquer grupo religioso em oferecer ajuda social ou material às pessoas pobres.

Rajapakse assinou um acordo com o JHU em meados de setembro, prometendo um método mais agressivo para as negociações de paz com o LLTE, em troca de apoio eleitoral.

A legislação anticonversão não fazia - pelo menos publicamente - parte do acordo.

Entretanto, o líder do JHU, Athuraliye Rathna Thero, contou ao jornal diário "Colombo Page" que seu partido "havia decidido retirar o projeto de lei anticonversão, visto que a ameaça de conversão a outras religiões não existirá mais quando o primeiro-ministro Rajapakse se tornar presidente".

Agora Rajapakse deve lidar com os monges da liderança budista que querem uma emenda constitucional para fazer do budismo a religião oficial do Estado. Fracassando isso, a legislação anticonversão será recolocada na agenda parlamentar, sem dúvida.

Os cristãos dizem que a emenda constitucional teria o mesmo (ou maior) efeito que as duas diferentes leis anticonversões apresentadas ao parlamento no começo deste ano.

Tanto Rajapakse como seu adversário, Ranil Wickremesinghe, discursaram sobre questões de liberdade religiosa em suas campanhas, mas evitaram o compromisso público com a legislação anticonversão, declarou a Aliança Evangélica Cristã do Sri Lanka (AECSL).

Um dos membros da equipe da AECSL descreveu como assustador o silêncio nas ruas de Colombo, logo após a votação. O tráfego era mínimo e os trabalhadores dos escritórios tinham ido para casa, temendo uma violência pós-eleição.

Os extremistas budistas já haviam ameaçado atacar igrejas depois das eleições, de acordo com a AECSL. A ameaça mais concreta foi dirigida à Igreja Assembléia de Deus em Naalle, distrito de Gampaha. Foi dito para os membros da igreja esperarem um ataque na noite que se seguiu à votação.

Os extremistas têm lançado muitos ataques violentos contra cristãos e igrejas em anos recentes, particularmente depois que um monge da liderança budista, Ven. Soma Thero, iniciou a campanha contra conversões ao cristianismo em 2002.

Um relatório publicado pelo Departamento de Estado Americano em 8 de novembro apontou esses atos de violência, dizendo que os cingaleses devem honrar sua constituição - que protege o direito de cada cidadão de praticar a religião de sua escolha.

O relatório encorajou "os esforços entre as crenças por parte dos líderes religiosos para promoverem uma resolução pacífica do conflito".


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