Autoridades turcas perseguem comunidades protestantes

| 09/12/2005 - 00:00


As minorias cristãs protestantes da Turquia experimentaram perseguição da polícia de segurança e do judiciário, juntamente com uma tentativa de vândalos atearem fogo em uma igreja local.
 
No domingo, 27 de novembro, membros da congregação da Casa Ágape, em Samsun, uma cidade ao longo da costa do Mar Negro, estavam inquietos por haver um furgão branco estacionado na frente da igreja enquanto chegavam para o culto matutino.

Membros da igreja suspeitaram de que alguém por trás das janelas do furgão tingidas de cor escura estivesse usando uma filmadora para filmar todos os que entravam na igreja.
 
A aparente filmagem continuou depois de concluído o culto, quando os líderes de igreja verificaram o registro da placa do furgão e confirmaram que ele pertencia à chefatura de polícia. O pastor Orhan Picaklar prontamente ligou para a polícia e exigiu uma explicação.
 
Dois oficiais da polícia logo chegaram ao local - um estava fardado e o outro se apresentava como oficial de segurança. Desculpando-se e pedindo que o pastor se acalmasse, os oficiais prometeram retirar o veículo de imediato.
 
"Baseado em que lei vocês estão fazendo isto?", perguntou Orhan a eles. "Por que vocês estão realizando estas gravações? Por acaso, vocês estão tentando nos hostilizar?".
 
Apesar das promessas da polícia, o furgão permaneceu estacionado na frente do prédio da igreja até às 18 horas, quando alguns de seus ocupantes, que estavam em um café próximo, voltaram para veículo e foram embora.
 
Localizada no bairro de Atakum, a Casa Ágape de Samsun tornou-se recentemente a terceira igreja protestante a receber a posição formal de "associação" concedida pelas autoridades turcas. Há um ano, o prefeito prometeu que nunca iria permitir que a congregação, agora com 35 membros, abrisse uma igreja naquele local. 
 
Acusações forjadas

Na cidade de Selcuk, na costa do Mar Egeu, o escritório do promotor público intimou dois membros da Igreja Protestante Éfeso para responder a acusações registradas contra eles.
 
Na segunda-feira, 28 de novembro, o promotor público intimou, por escrito, o presbítero Kamil Moussa para fazer uma declaração formal. Foi solicitado que Kamil respondesse a acusações supostamente registradas com um promotor público em Tarso, a 885 quilômetros de Selcuk.
 
O promotor público de Selcuk informou Kamil de que ele havia sido acusado de "ameaçar" um ex-estudante que freqüentou a Escola Bíblica Tyrannus, de 2000 a 2002. O promotor se negou a dar explicações de como e quando as alegadas ameaças foram feitas, simplesmente declarando que um homem chamado Ilker Cinar, que agora vive em Tarso, registrou uma queixa contra ele.
 
No último mês de janeiro, Ilker obteve sensacional cobertura na imprensa turca quando apareceu em rede nacional de televisão para "renunciar" à sua conversão ao cristianismo e retornar ao islamismo. Anunciando suas intenções de expor as "atividades missionárias subversivas cristãs" no país, o turco, de 35 anos, desde então publicou dois livros e concedeu várias entrevistas, em todas elas fazendo declarações extravagantes a respeito da dimensão e da motivação política das atividades cristãs na Turquia.
 
Quando Kamil categoricamente negou ter ameaçado Ilker, o promotor público então interrogou Kamil a respeito das atividades cristãs. O promotor recusou-se a fornecer a Kamil cópias de sua intimação, das acusações de Ilker ou da declaração que o pastor deu em seu escritório.
 
Dois dias mais tarde, em 30 de novembro, a secretária da igreja, Gulsum Mezde, recebeu uma intimação de um segundo promotor público de Selcuk, informando-a que ela tinha sido acusada por um jovem turco chamado Adnan Muradiye de ameaçá-lo se ele não se convertesse ao cristianismo.
 
"Este jovem, que eu nunca conheci, disse que sou uma mulher de aproximadamente 40 anos e que fiz algumas ameaças contra ele", contou Guslum a Compass. "É óbvio que ele nunca me encontrou como declarou, porque tenho 55 anos!".
 
Conforme Guslum, um indivíduo com o nome de Adnan Muradiye enviou uma mensagem de e-mail para o website da igreja em 26 de outubro, completando o formulário de solicitação para receber um Novo Testamento gratuito, que foi enviado para ele em Izmir.
 
"Enviei-lhe duas mensagens de e-mail a respeito disso", disse ela. "Contudo, ele nunca apareceu no nosso endereço, que consta no website, e nunca participou de nenhuma das atividades de nossa igreja".
 
Após a polícia local ter detalhado as alegações contra ela, Guslum decidiu registrar formalmente sua declaração junto à polícia em vez de junto ao promotor público.
 
"Este é um cenário completamente forjado", declarou ela em 30 de novembro, descrevendo as acusações como difamação que viola os seus direitos legais.
 
"Experimentamos esse modelo antes. Parece que as autoridades estão conseguindo pessoas para fazer falsas acusações contra nós", disse Kamil. "É importuno, mas isto também pode ser mais sério do que parece. Infelizmente, alguns deles têm o apoio de ultranacionalistas e islâmicos influentes".
 
Vândalos ateiam fogo

Enquanto isso, na cidade turística de Antalya, na costa mediterrânea, vândalos desconhecidos tentaram atear fogo em três janelas do Centro Cultural Saint Paul, na madrugada de 28 de novembro.
 
Segundo o reverendo James Bultema, americano que pastoreia a congregação de fala inglesa nas instalações do centro cultural, uma vizinha ouviu o crepitar das chamas do lado de fora da janela da sua casa, à 1h40 naquela madrugada. Ela ligou para o corpo de bombeiros e rapidamente acordou seu marido e filho, que, com baldes e uma mangueira de água, conseguiram extinguir as chamas antes dos bombeiros chegarem, 20 minutos mais tarde.

"Se eles não tivessem agido rapidamente, teríamos maior prejuízo", disse o reverendo James, observando que o prédio tem teto de madeira. "Da maneira como ficou, teremos um prejuízo de 1.100 dólares".
 
O reverendo disse que a tentativa de incêndio pareceu ser um trabalho amador realizado pelos criminosos, que da rua poderiam ter acesso às janelas do terceiro andar do Centro Cultural. "Três janelas foram incendiadas, mas somente uma realmente pegou fogo", disse ele.
 
Aberto inicialmente como um café e uma capela em 1999, o Centro Cultural Saint Paul foi a primeira nova congregação cristã na Turquia a receber o reconhecimento do governo como uma "associação" oficial, em agosto de 2004. A congregação de fala turca e a de fala inglesa utilizam as instalações do escritório e do jardim, e realizam cultos no templo, localizado no segundo andar.
 
A União Européia intensificou suas críticas aos esforços de reforma da Turquia em atender os critérios exigidos para que possa tornar-se membro da União. Com a expansão da União Européia, o comissário Ollie Rehn citou a liberdade religiosa como um das seis liberdades fundamentais entre as "deficiências significativas" que o país deve suprir sem demora.
 
Em uma entrevista publicada no jornal "Financial Times", o ministro turco das relações estrangeiras Abdullah Gul reconheceu a dificuldade de "difundir o espírito de reforma" por todo o sistema judicial do país.


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