Adolescente nigeriana paga o preço de seguir a Cristo

Portas Abertas • 20 dez 2005


"Se você fosse minha filha, eu teria te espancado e matado por se afastar do islamismo, sua bastarda infiel". Estas foram as palavras de Malam Kasimu, o tio e tutor de Salamatu Hassan, de 15 anos, por causa de sua conversão ao cristianismo.

Malam e alguns sacerdotes islâmicos armaram uma cilada para Salamatu quando ela seguia seu caminho para a escola, a amordaçaram, e ameaçaram matá-la naquele dia de 2003, contou a jovem, agora com 18 anos. Eles então a expulsaram de sua casa e a mandaram de volta para a casa de seus pais. Eles já tinham se oposto a sua conversão e ela já estava sem casa há algum tempo.
 
Como uma criança que vive em uma cultura islâmica fechada em Akwanga, no estado de Nasarawa na Nigéria central, dividido entre cristãos e muçulmanos sunitas, se torna cristã?
 
A "sharia" (lei islâmica) tem sido praticada há muito tempo pelos muçulmanos em Nasarawa, mas seu código criminal não foi oficialmente imposto como em outros 12 estados do norte da Nigéria. O pai de Salamatu, Malam Hassan, é um muçulmano sunita que tem três esposas e 20 filhos. A mãe de Salamatu é a segunda esposa.

Em parte por razões econômicas e por práticas culturais, com 7 anos Salamatu foi confiada à irmã de seu pai, que era casada com Kasimu. Salamatu conheceu Jesus Cristo com 8 anos através de uma estudante que era inquilina na casa de Kasimu, Comfort Auta.
 
"Ela me chamava de Pequena Salmy (de Salamatu) - e era muito doce, amorosa e cuidadosa", contou Salamatu. "Ela demonstrava tranqüilidade em todos os momentos e nunca parecia ter problemas. Isso me atraiu para ela. Mais especialmente, eu amava a forma como ela orava".
 
Quando se mudou para o quarto de Comfort, Salamatu se envolveu na vida devocional dela.
 
"Quando me mudei para o quarto dela, também havia outra menina lá, chamada Ashe", disse Salamatu. "Comfort sempre nos conduzia em oração, nos ensinava como ler a Bíblia e orar. Sempre que Comfort orava, eu dizia que queria ser uma cristã como ela, e ela me dizia: Pequena Salmy, você pode se tornar uma cristã se quiser. Tudo que você precisa é orar recebendo Jesus em seu coração".
 
Salamatu recebeu essa palavra, mas esperou ansiosamente até o dia em que ela estivesse pronta para se tornar uma cristã. Somente depois de estudar a Bíblia diariamente por cinco anos, e meditar muito, ela decidiu receber a Cristo. Comfort a conduziu em oração para convidar Jesus a entrar em seu coração.
 
"Quando minha tia descobriu que eu orava e cantava músicas cristãs, ela ficou com muita raiva de Comfort", disse Salamatu. Ela ficou com Comfort por cinco anos antes de seu tutor forçá-la a se mudar da casa.
 
Apesar de não ser a maioria, os muçulmanos são muitos no estado de Nasarawa. Na escola secundária do subúrbio de Alushi, em Akwanga, Salamatu teve a oportunidade de se misturar com outros estudantes cristãos pela primeira vez. Começando uma busca profunda pelas verdades bíblicas, ela se juntou ao grupo Associação de Estudantes Cristãos (AEC) e começou a participar de encontros evangelísticos em localidades vizinhas.
 
Um Novo Testamento de bolso era seu maior tesouro.
 
"Eu tinha que me esconder antes de ler a Bíblia, porque meu primo Mamuda estudava na mesma escola", disse Salamatu. "Se ele soubesse que eu participava dos programas cristãos ou da leitura da Bíblia, minha tia descobriria e isso causaria problemas para mim".
 
Fora do armário

Mamuda soube das atividades da prima e contou para a mãe. Os tios de Salamatu a puniram, batendo nela e deixando-a sem comida por muitos dias - uma onda de perseguição começou.
 
Sob a vigilância de sua tia e de seu tio Kasimu, Salamatu era pressionada diariamente a recitar orações islâmicas, apesar de, na maioria das vezes, ela encontrar desculpas para não fazê-las.
 
"Mas quando eu era forçada a recitá-las, eu não lavava as mãos, os olhos e as pernas como é de costume antes de recitar as orações islâmicas", declarou ela. "Em vez disso, eu me virava para o leste, me dobrava e orava em meu coração dizendo: Senhor Jesus, o Senhor conhece meu coração; o Senhor sabe que eu o recebi em meu coração como meu Salvador. Não considere isso contra mim, mas me perdoe. Amém".
 
Logo Salamatu recebeu de presente uma Bíblia completa de um jovem cristão seu vizinho que ouviu falar de sua conversão. Ela devorou cada página. Ler a Bíblia lhe deu coragem para continuar seu relacionamento com Cristo sem olhar para trás. Ela começou a jejuar, orar e, mesmo secretamente, a freqüentar cultos aos domingos.
 
Um dia em que estava na escola, os membros de sua família vasculharam suas caixas e encontraram seu Novo Testamento e sua Bíblia.
 
"Quando voltei da escola, fui pressionada, espancada, e me negaram comida por vários dias", ela disse. "Depois dessa experiência difícil eu meu tornei mais corajosa e lhes disse abertamente que era agora uma cristã".
 
A revelação de sua fé veio como uma rebeldia de adolescente. Para choque e incredulidade de sua tia, Salamatu lhe perguntou por que ela havia se tornado muçulmana quando seus pais eram adoradores de ídolos, uma prática comum da religião nativa de seus ancestrais. Isso a enfureceu assim como a Kasimu, que ficou enlouquecido de raiva.
 
"Naquele dia ele me perseguiu nu - ele estava tão furioso que não percebeu que estava nu", disse ela. "Seu desejo era me matar".
 
Para se assegurar de que ela continuaria muçulmana, Salamatu foi forçada por seu tio a estudar à noite em uma escola islâmica e receber ensinamentos do Alcorão. Mas ela renunciou à fé islâmica e abandonou as aulas.
 
Quando seu tio percebeu que ela não desistiria de sua fé cristã, eles a expulsaram de casa - mas não antes de seu tio destruir suas roupas e livros. Sem casa, comida, livros ou roupas, Salamatu ficou com amigos.
 
Seus tios ameaçaram seus amigos e suas respectivas famílias também, e a vida de Salamatu se tornou a vida de uma fugitiva. De onde quer que estivesse escondida, ela tinha que sair sorrateiramente de manhã cedo, para evitar ser vista no caminho da escola.
 
Foi durante essa caminhada para a escola que Kasimu e alguns sacerdotes islâmicos armaram a emboscada e a levaram para a casa de seu pai em Alogani. Salamatu fugiu da cidade e retornou para Akwanga, onde se escondeu com amigos.
 
Seu desejo e oração

Depois ela foi levada à casa de um pastor da Igreja Evangélica Reformada de Cristo em Akwanga, o reverendo Dio Adamu. O apoio dado pela igreja possibilitou que ela completasse sua educação secundária, e ela agora está começando seus estudos na Faculdade de Educação em Akwanga.
 
"Uma menina que desde muito nova teve que enfrentar tantas dificuldades por ter se tornado uma cristã não passou por experiências agradáveis", disse o reverendo Adamu, de forma branda.
 
Este tipo de perseguição acontece em Nasarawa e no norte da Nigéria, declarou o reverendo. "O caso de Salamatu é um exemplo destes casos de perseguição que estão confrontando a igreja hoje no Estado de Nasarawa", disse ele.
 
Apesar da perseguição, Salamatu disse que nunca voltará ao islamismo. "Eu descobri a verdadeira salvação em Jesus, o caminho para Deus, e não posso ver como eu voltaria para a escuridão que é o islamismo", disse ela. "Eu nunca andarei para trás".
 
Seu desejo e oração é que seus amigos muçulmanos e os membros de sua família conheçam a verdade que é Jesus.
 
"Eu sei que um grande número de muçulmanos descobriu a verdade da Bíblia, mas o medo da perseguição os força a permanecer na escuridão", disse ela. "A minha oração é para que Deus toque o coração deles e que eles aceitem a verdade e sejam libertos. Ninguém quer ficar na escuridão".

Sobre nós

A Portas Abertas é uma organização cristã internacional e interdenominacional, fundada pelo Irmão André, em 1955. Hoje, atua em mais de 60 países apoiando cristãos perseguidos por causa da fé em Jesus.

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