Igreja doméstica pede orações de cristãos de todo o mundo

Portas Abertas • 9 fev 2006


Uma igreja doméstica em Pequim recebeu, por duas vezes, a visita inesperada da polícia de segurança pública. A primeira visita ocorreu em 8 de janeiro, após o término do culto. Em 15 de janeiro, a polícia voltou ao local das reuniões, interrompendo o culto dominical.

Em um e-mail enviado em 15 de janeiro para um conhecido cristão chinês (cujo nome não é revelado por questões de segurança), com o assunto "Pela liberdade religiosa dos cristãos na China", o irmão Yu Jie deu um relato detalhado do que aconteceu durante os dois incidentes. Ele afirmou com veemência que o que aconteceu foi uma violação dos direitos humanos expressos na declaração da ONU, do direito de culto e do direito de religião garantido pela Constituição da China. Jie pediu oração para que esse direito ameaçado subsista.

A igreja doméstica de Jie, que tem de 20 a 30 membros, mantém encontros em um apartamento na área residencial de Pequim há quase dois anos. Seus líderes optaram por congregar como uma igreja doméstica independente, e não como parte do Movimento Patriótico das Três Autonomias (MPTA), a igreja oficial da China que "é totalmente controlada pelos funcionários do governo" e "vai contra o que a Bíblia prescreve sobre a separação entre Igreja e Estado". Eles têm seus estudos bíblicos, reuniões de oração e cultos de domingo, para os quais são convidados os vizinhos e pessoas de fora. "Nunca agimos em segredo sobre nossa fé", Jie explicou.

No dia 8 de janeiro, às 18 horas, nove irmãos e irmãs ficaram depois do culto para discutir as doutrinas da igreja dos últimos séculos. Uns 20 minutos depois, bateram à porta da frente. Uma irmã foi atender e encontrou oito policiais uniformizados que entraram no apartamento. Um deles exigiu saber o que estava acontecendo lá. Os cristãos insistiram em ver os distintivos deles antes de responder a qualquer pergunta. Os policiais concordaram com relutância.

Quando os cristãos perguntaram por que estavam sendo investigados e por qual crime, a polícia informou que recebeu uma denúncia de que lá ocorriam atividades ilegais, e, por isso, era seu dever investigar. Entretanto, quando os cristãos insistiram para que os policiais dissessem que atividades estavam sendo investigadas, eles se recusaram a informar, alegando proteger a pessoa que denunciou.

Enquanto um dos policiais anotava os nomes e telefones de contato dos cristãos, outro começou a filmá-los. Como os cristãos protestaram, dizendo que aquilo era uma violação de privacidade, o policial que tinha a câmera parou de focalizá-los e passou a filmar a sala e as coisas que estavam lá. Os outros policiais se sentaram no sofá.

Os cristãos pediram para a polícia ir embora, dizendo que eles estavam com fome e que precisariam sair para comprar comida. Irritado, um dos irmãos disse aos oficiais que eles não tinham autoridade para mantê-los lá sem o consentimento deles e que isso infringia seu direito de cidadãos de ir e vir.

Um dos policiais, um senhor de meia-idade, disse que eles só estavam cumprindo ordens "de cima" e que acabariam seu dever em alguns minutos, já que o líder do grupo havia acabado de falar com seu chefe.

Outro policial mais jovem explicou que eles eram da delegacia de Nan Hindu, que não se envolve em casos relacionados à religião. Mas o telefonema deles à Administração do Estado de Assuntos Religiosos (SARA - sigla em inglês) os informou que é "contra as regulamentações religiosas manter encontros religiosos em lugares públicos não designados para fins religiosos". Um irmão, chamado Fan, relatou que eles só estavam exercendo seu direito de credo de acordo com a Constituição da China, que garante liberdade de religião. Eles não estavam praticando o que é contra a lei. O policial não soube como responder a isso. Fez mais uma ligação e, por fim, saiu com os outros depois de meia hora.

Às 16h30 do domingo seguinte, a igreja doméstica de Jie estava no meio do culto quando, de novo, bateram à porta. Desta vez eram dois policiais à paisana e dois uniformizados. Um deles queria saber quem era o responsável pelo local, mas o irmão que atendeu a porta disse que todos eram inquilinos. Depois de insistir em ver e checar o distintivo do polícia, o grupo que estava na casa foi informado de que os policiais estavam mais uma vez investigando outra denúncia de perturbação de paz. Uma irmã achou estranho que algum de seus vizinhos, que sabiam de suas atividades nos últimos dois anos, tivesse resolvido denunciá-los repente. Então um dos policiais revelou que ele era um morador do prédio.

Os homens disseram que eles estavam lá para investigar a denúncia de perturbação, não sobre assuntos religiosos. Mas eles pediram aos cristãos para regularizarem seu registro como igreja. Quando o irmão Gao Zhicheng, um advogado, repetiu que, como cristãos, eles tinham o direito constitucional de praticar sua liberdade de religião, um policial retirou de sua carteira um pequeno livreto sobre as leis religiosas da China. Ele assinalou que, de acordo com as leis religiosas, todos os lugares de culto deveriam ser registrados junto ao governo.

Quando um irmão tentou filmar o que estava acontecendo, um dos policiais uniformizados arrastou-o para um outro cômodo e tirou a fita da câmera. O outro policial uniformizado tomou a filmadora e começou a bater no irmão Li na frente de 20 pessoas. O restante da igreja gritava: "Policiais não podem bater em outras pessoas ; policiais não podem exercer a lei de maneira ilegal!" Ao ouvir isso, o policial parou, e um dos homens uniformizados disse: "Não somos executores da lei".

Depois de uma troca de palavras, na qual os cristãos ameaçaram delatá-los às autoridades por infringir sua autoridade como não-executores da lei, os policiais saíram de repente, depois de mais de 30 minutos de interrupção.

Jie escreveu dizendo que eles esperam mais oposição nos próximos dias. O locador deles já informou que o contrato não será renovado quando terminar, em fevereiro. Eles suspeitam que ele tenha sido pressionado a fazer isso, já que nunca houve qualquer desavença entre eles. Os cristãos prevêem que as autoridades vão tentar dissolver o grupo doméstico através desse tipo de ação. Jie termina seu e-mail com a declaração de que eles já estão preparados para a batalha em prol da "liberdade pela fé de milhões de irmãos e irmãs da igreja doméstica".

 Por favor, ore pela igreja doméstica do irmão Jie e pelos processos que eles estão enfrentando junto às autoridades.
 Peça sabedoria e direção de Deus para os advogados da congregação, para que eles saibam como defender seu direito de religião e culto.

Sobre nós

A Portas Abertas é uma organização cristã internacional e interdenominacional, fundada pelo Irmão André, em 1955. Hoje, atua em mais de 60 países apoiando cristãos perseguidos por causa da fé em Jesus.

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