Estudantes cristãs são agredidas em universidade nigeriana

| 11/04/2006 - 00:00


Duas estudantes cristãs continuam desaparecidas depois que sete muçulmanas, também estudantes, as atacaram no dia 18 de março na Universidade Ahmadu Bello, Estado de Kaduna.

As duas alunas iam para o banheiro do dormitório feminino, Ribadu Hall, quando as muçulmanas as espancaram até as duas desmaiarem. James Kagbu, professor do departamento de química da universidade, disse que as muçulmanas trajavam véu e roupas islâmicas, e vinham de uma mesquita.

As vítimas, identificadas só como Joy e Priscila, foram tratadas no ambulatório da universidade, mas não foram vistas antes de a universidade fechar para um recesso. Elas também não foram vistas quando o campus foi reaberto no dia 28 de março. O desaparecimento delas aumentou as tensões religiosas no campus, disse James.

"A agressão a essas duas alunas cristãs foi o auge de uma pressão alarmante à comunidade cristã na universidade", James falou. "Há anos que somos forçados a viver marginalizados e discriminados só porque somos cristãos."

James também é secretário do Conselho da Junta de Capelania (JCC, sigla em inglês) da universidade. Ele disse que os alunos muçulmanos têm aterrorizado os cristãos da universidade, com a proteção da Sociedade de Alunos Muçulmanos (MSS, sigla em inglês).

O JCC é um conselho cristão que representa igrejas católicas e protestantes na universidade.

Uma declaração publicada pelo vice-chanceler Shehu Abdullahi confirmou o incidente e classificou as alunas muçulmanas como agressoras.

"Algumas forças do mal estão empenhadas em impor uma crise sectária dentro dos grupos de alunos que tomam a lei em suas mãos", lê-se em uma frase de Shehu. Ele continua: "Na manhã do dia 18 de março, um grupo de sete alunas muçulmanas oprimiu, intimidou e fustigou duas alunas cristãs que iam tomar seu banho matutino às 5 horas. Quando a segurança da universidade interveio, as garotas agressoras fugiram e se esconderam na mesquita do Ribadu Hall - que é o dormitório feminino onde o ato asqueroso aconteceu".

O relatório de Shehu ainda diz que todas as evidências indicam que a liderança do MSS "se desviou de um caminho justo e não conseguiu guiar seus membros". Ele ainda notou que "a liderança do MSS foi suspensa e que todos os alunos muçulmanos envolvidos no incidente sofrerão as sanções apropriadas, logo que a investigação for concluída".

Traumatizadas

Vitória Adidu, do Diretório Estudantil confirmou o ataque às duas alunas cristãs.

Ela disse que as aconselhou pessoalmente e que elas estão traumatizadas.

Vitória se recusou a dar mais detalhes sobre o incidente, ou a discutir o paradeiro das alunas. Ela disse: "Eu não tenho autoridade para tratar desse assunto".

Os alunos cristãos, do campus Samaru da universidade, organizaram um programa de oração ao ar livre no dia 29 de março, preocupados com a segurança de suas colegas. Mas o vice-chanceler Shehu mandou que o programa fosse cancelado.

O professor James contou que o ataque aos cristãos na universidade não está restrito aos alunos. Alguns professores já foram atacados. "A ironia é que esses alunos muçulmanos parecem ter o apoio das autoridades da universidade, que está sob influência dos muçulmanos."

Professores e alunos agredidos

Para James, os cristãos são discriminados na hora de serem empregados, admitidos e alojados na universidade. Essas discriminações são preparadas para atingir o espírito dos cristãos e para fazê-los se sentir como cidadãos de segunda classe.

Ele notou que os alunos muçulmanos emitiram uma fatwa (pronunciamento legal) contra Andrew Akume, professor de direito. O professor pediu a um aluno muçulmano para obedecer às regras da universidade. Mais tarde os alunos o atacaram.

No departamento de agricultura, um aluno entrou em uma aula ministrada por Eunice Onyilola, a insultou e bateu em uma aluna cristã. James notou que o professor Philip Oluwarola, do departamento de farmácia, foi questionado pelo vice-chanceler sobre o pedido deste professor, que pediu a uma aluna para retirar o véu enquanto a aconselhava. A garota se recusou e o delatou ao vice-chanceler.

James disse que esses incidentes são apenas a ponta do iceberg de problemas que os cristãos enfrentam na universidade.

"Os muçulmanos são contratados mesmo que tenham qualificações questionáveis. Os cristãos que têm as qualificações requisitadas para essas posições não são admitidos. Os que já estão contratados são postos de lado."

Imposição do uso de roupas islâmicas

Da mesma forma, James falou, os requerimentos para a admissão são em geral contornados pelos alunos muçulmanos que não os atingem. Já os cristãos qualificados não são admitidos.

A situação é tal que o número de alunos cristãos é de apenas sete mil no total de 25 mil alunos nos dois campi da universidade, em Samaru e Kongo.

"No início da universidade, a população de cristãos era muito maior que a de muçulmanos. Na verdade, a proporção era de três cristãos para cada muçulmano", disse James. "Mas nos últimos anos, os administradores muçulmanos na universidade adotaram políticas que mudaram a tendência. Isso mesmo sabendo que os cristãos no norte da Nigéria têm vantagem na educação ocidental", ele acrescentou.

James disse que os muçulmanos puderam marginalizar os cristãos à medida que o governo federal os indicou para a administração da universidade.

"O vice-chanceler e o deão, as duas autoridades principais nesta universidade, são muçulmanos. Eles são os únicos investidos com o poder de admitir alunos e de empregar professores. Agora, por que eles não iriam favorecer os muçulmanos?".

A questão da vestimenta ameaça dividir a universidade ao meio. Os muçulmanos, de acordo com James, tentam impor as roupas islâmicas aos alunos cristãos. As alunas são sempre incomodadas por causa disso.

Promessa de justiça

O vice-chanceler Shehu encaminhou a agência de notícias Compass ao departamento de informação e protocolo da escola, quando a agência pediu comentários sobre o ataque de 18 de março.

Bitrus Galmaka, funcionário de informação e protocolo, confirmou os detalhes do ataque e prometeu justiça.

"A administração da universidade não está feliz com isso. Ela tomou medidas para investigar essa questão. As alunas muçulmanas serão punidas de forma apropriada, com base nas regras da universidade. O corpo legislativo da universidade ordenou que o caso fosse investigado. Eu lhe asseguro que a justiça será feita aqui."


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