Polícia força indiano a registrar queixa contra vizinha cristã

| 13/06/2006 - 00:00


Na terça-feira, 6 de junho, a polícia invadiu uma casa na cidade de Jabalpur, em Madhya Pradesh, e prendeu cristãos naquele local depois que os policiais e extremistas hindus coagiram um vizinho a registrar uma queixa.

A dona da casa Meera Bai, de 52 anos, contou que seu vizinho de 19 anos, conhecido como Sukhdeve e também pelo apelido de Guddu Usram, havia registrado uma queixa na polícia declarando que Meera o tinha pressionado para se tornar um cristão.
 
Contudo, depois do interrogatório na delegacia de polícia, Sukhdev visitou Meera em sua casa para dizer-lhe que os membros extremistas hindus Dharma Sena e os policiais tinham-no forçado a registrar queixa contra ela.

"Ele disse que estava fazendo sua refeição quando algumas pessoas do Dharma Sena, juntamente com policiais, vieram à sua casa, levaram-no à força e fizeram-no dar uma declaração contra mim", disse ela.

Na queixa forçada, Sukhdev disse à polícia que Meera o havia levado a um culto cristão de cura, realizado regularmente em Jabalpur, a fim de curá-lo de uma indisposição estomacal. Ele alegou ainda que Meera tinha oferecido pagar-lhe 2 mil rúpias (44 dólares americanos) todos os meses se ele se tornasse um cristão.

Ameaças na presença da polícia

Mediante essa queixa, aproximadamente 20 a 25 policiais invadiram a casa de Meera, na região de Ranjhi de Jabalpur, por volta das 22 horas. Naquela noite, a família recebia visitas e tinha acabado de jantar. A polícia confiscou Bíblias e filmes de Jesus Cristo da casa de Meera. Depois, eles a levaram à delegacia para interrogatório, juntamente com seu filho e visitantes Satish e Leela Bai.

Quando eles chegaram, um grande número de membros do Dharma Sena os estava esperando.

"Logo que chegamos, eles começaram a gritar frases contra os cristãos e ameaçavam-nos na frente da polícia, que ria e cooperava com eles", disse Meera Bai. "Os membros do Dharma Sena diziam abertamente que os cristãos deveriam ser chutados até a morte".

Testemunhas confirmaram que Yogesh Agarwal, de 35 anos, um líder do Dharma Sena, ameaçou Satish e Leela Bai na presença da polícia e disse que os queimaria vivos.

"Porém, a polícia não fez nada", contou Meera Bai ao Compass. "Eles somente disseram: Não se aterrorizem - ao menos, ele não queimou você agora."

Uma vez dentro da delegacia, a polícia fez várias ligações, solicitando que as pessoas registrassem uma queixa contra Meera Bai e seus acompanhantes. Então, Sukhdev foi trazido à delegacia e recebeu ordens para assinar um documento.

"A polícia também nos forçou a assinar documentos em branco, e já que não tínhamos nenhuma alternativa, assinamos", acrescentou Meera.

A polícia registrou uma queixa contra ela sob a lei anticonversão do Estado, o Ato de Liberdade Religiosa de Madhya Pradesh de 1968, e a libertou sob fiança de 5 mil rúpias (108 dólares americanos).

Um policial da delegacia de Ranjhi reconheceu que a evidência contra Meera Bai era insuficiente - a polícia encontrou somente Bíblias e alguns filmes sobre Jesus Cristo em sua casa - mas reclamou de uma "conspiração cristã na área, facilitando as conversões".

Conversões barradas

Yogesh Agarwal, membro do Dharma Sena que liderou a multidão do lado de fora da delegacia de polícia, está envolvido em vários ataques contra os cristãos.

Quando um repórter do Compass conversou com Yogesh, ele disse que as conversões alcançaram níveis alarmantes no estado.

Ele reconheceu que recentemente os missionários cristãos registraram uma queixa contra ele na delegacia de polícia de Kotwari, em Jabalpur.

"O homem simples fica prudente e alerta quanto às táticas e aos enganos dos missionários", disse Yogesh. "Todos os dias, eu recebo mais de 25 telefonemas de pessoas reclamando da realização de atividades de conversão".

Questionado se recebera aprovação da polícia para conduzir ataques contra os cristãos, ele disse somente que os policiais deviam apenas executar a lei anticonversão de Madhya Pradesh.

"As conversões devem ser barradas, não somente neste Estado, mas por toda a Índia", acrescentou ele.


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