Violência religiosa causa danos no norte da Nigéria

| 13/07/2006 - 00:00


Francis Yohanna Anche, de 15 anos, sofre de um dano cerebral por dois anos. Isso aconteceu quando os alunos muçulmanos, da sua escola de Ensino Médio da cidade de Zaria, atacaram estudantes cristãos. Sua mão e perna direitas ainda estão paralisadas em decorrência de um ferimento de facão em sua cabeça.
 
Os estudantes muçulmanos da Escola Secundária de Ciências do Governo de Kufena escreveram uma carta em 24 de junho de 2004 aos estudantes cristãos, advertindo-os de parar seus cultos na capela da escola. Caso contrário, enfrentariam a ira dos estudantes muçulmanos, contou Francis à agência de notícias Compass.
 
"Os líderes do grêmio estudantil levaram a carta até Mallam Nuhu, nosso diretor. Mas nada foi feito para impedir o plano deles de nos atacar", disse Francis. Naquela noite, aproximadamente 1h da madrugada, sentindo que os estudantes muçulmanos estavam dispostos a agir, os cristãos da escola reuniram-se na capela para orar, disse ele.
 
Logo, os estudantes muçulmanos começaram a apedrejar os cristãos dentro da capela.
 
"Houve uma confusão. Alguns pularam para fora da capela pelas janelas enquanto outros corriam para a porta", disse Francis. "Quando senti que era perigoso continuar na capela, corri para fora o mais rápido que podia, mas fiquei cansado e eles me alcançaram. Tudo que lembro é que tive um corte na minha cabeça."
 
Francis ficou em coma por duas semanas no Hospital Universitário Ahmadu Bello, onde ele passou por uma cirurgia no cérebro. Ele ainda sofre terríveis dores de cabeça em decorrência do dano, além da paralisia na perna e mão direitas. Ele disse que seu pai, o sargento Yohanna Anche da Polícia da Nigéria em Dankande, faleceu em 22 de junho deste ano. Ele se enfraqueceu com o peso da dor e da paralisia de Francis.
 
Francis tem quatro irmãos. Ele teme que sua mãe Grace, professora do Ensino Fundamental na província de Dandimi, também se sobrecarregue com sua deficiência.
 
Outros sete estudantes cristãos também sofreram ferimentos nesse ataque. Esse não foi o primeiro incidente na escola, onde os cristãos sofrem ataques periódicos.
 
Berço da guerra

O reverendo Joseph Hayap, secretário da Associação Cristã da Nigéria (CAN, sigla em inglês), confirmou o ataque contra os estudantes cristãos na escola, adicionando que os estudantes muçulmanos queimaram a capela.
 
Joseph angariou aproximadamente 200 mil naira (1.558 dólares) para o tratamento hospitalar de Francis. Ele disse que tais ataques são um dos muitos problemas que os cristãos enfrentam no Estado nigeriano de Kaduna. Os líderes cristãos do Estado o descrevem como o centro das atenções do extremismo islâmico. É lá que muitos conflitos religiosos no norte da Nigéria se originam e se expandem para outras partes do país.
 
Em algumas partes do Estado, os cristãos são arrastados até as cortes de lei islâmica (sharia). A introdução do sistema legal islâmico em 2000, disseram eles, tem contribuído para o aumento de conflitos religiosos em algumas partes do Estado.
 
Joseph Hayap é um pastor da Convenção Batista Nigeriana. Ele já escreveu crônicas sobre mais de 20 conflitos religiosos no estado de Kaduna de 1987 a 2006. Estes conflitos, disse ele, resultaram na morte de mais de 25 mil cristãos e na destruição de cerca de 500 igrejas em Makarfi, Kaduna, Kafanchan, Zangon Kataf, Kasuwa Magani, e Zaria.

"Eu os testemunhei, e até mesmo participei do enterro coletivo das vítimas, como secretário do CAN no Estado. Eu sei muito bem que esse número de cristãos assassinados não é uma farsa, pois algumas pessoas querem passar esta impressão. Realmente estes cristãos foram mortos por fanáticos muçulmanos", disse ele.
 
Joseph ainda disse que tem havido conflitos religiosos intermináveis na Universidade Estadual Ahmadu Bello (em Zaira), na Politécnica de Kaduna, na Faculdade Federal de Educação (em Zaria) e na Politécnica Estadual de Kaduna.

Ele observou que um pastor foi recentemente queimado no seu quarto por muçulmanos na cidade de Zaria.
 
Para Joseph, esses ataques contra cristãos mostram que os cristãos lidam com extremistas muçulmanos que querem promover sua religião através da guerras.


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