Complexo missionário sofre ação de vândalos em Karnataka

| 25/07/2006 - 00:00


Extremistas hindus vandalizaram um complexo ministerial e igreja local no distrito de Shivanapura, no Estado de Karnataka, na noite de 15 de julho. Eles invadiram as instalações e trancafiaram os moradores aterrorizados em seus dormitórios.

Pouco antes da meia-noite, extremistas hindus entraram na Missão Marthoma de Shivanapura e travaram as portas das residências do pastor e de outros moradores. Em seguida, eles atiraram pedras nas instalações e quebraram quase todas as vidraças.

O reverendo Alexander Tharakan, 34, sua esposa, Smita, sua filha Asheray, de 2 anos, e sua mãe, de 70 anos, acordaram com o barulho da destruição e os insultos dos extremistas. A porta principal foi trancada pelo lado de fora.

"Não vimos ninguém, já que as portas estavam presas pelo lado de fora, mas foi apavorante ouvir o som da quebradeira por toda parte", contou ao Compass o reverendo Alexander. "Nós temos seguranças no local, mas eles também tinham ido dormir".

O pastor disse que quatro edificações foram danificadas.

"Minha filhinha ainda está amedrontada, especialmente à noite", ele acrescentou.

Uma testemunha que visitou a missão depois do ataque contou ao Compass que, dada a extensão da destruição em tão pouco tempo, devia haver dezenas de assaltantes.

"A sala de orações tinha pedras espalhadas por toda parte, as vidraças foram quebradas e os rastros de devastação eram visíveis por toda a missão", contou a testemunha, que não quis ser identificada.

Shivanapura é um distrito rural distante 45 quilômetros de Bangalore, a capital de Karnataka, Estado de maioria hindu, no sul da Índia. O nome do distrito deriva do deus hindu Shiva.

Tentativa de incriminar o ministério

A missão, que ocupa um terreno de 0,8 hectares, desenvolve um trabalho entre a população pobre do Estado de Karnataka há 30 anos.

A organização ministra cursos vocacionais para 200 crianças e jovens, todos pertencentes a setores marginalizados da sociedade. As crianças pobres da região também recebem educação fundamental no complexo.

A missão oferece ainda tratamento médico aos pobres, bem como moradia para algumas pessoas extremamente empobrecidas.

Um culto dominical é promovido na missão, onde a congregação de cerca de 30 pessoas se reúne para orar e adorar.

Sajan George, presidente do Conselho Global de Cristãos da Índia, disse ao Compass que a Missão Marthoma é reverenciada entre os pobres e tem sido alvo dos extremistas hindus.

"Esse ataque na calada da noite é o ápice de uma série de intimidações e táticas de pressão dos fundamentalistas leais aos numerosos grupos de extrema direita da região, incluindo o Om Shakti", disse Sajan.

Algum tempo atrás, os extremistas hindus invadiram a missão e, dirigindo-se aos missionários genericamente como "padre", gritavam: "Padre, deixe esse lugar, vá embora".

O serviço social da missão tem sido objeto de muita suspeita por parte dos extremistas hindus.

"Usando táticas de intimidação, eles chegaram questionar pessoas que ganharam casas se a conversão ao cristianismo era um pré-requisito para ter a casa", disse Sajan. "Eles estão tentando obter uma prova ou evidência de conversão por sedução ou aliciamento."

Sajan disse que obteve garantia de auxílio do Ministério do Interior de Karnataka, que deveria determinar que o município investigasse o caso, no entanto, até o momento, nenhuma prisão foi efetuada.


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